TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

‘Amor de irmãos’: a amizade de Lô Borges e Milton Nascimento

03/11/2025 às 16h02 - Atualizado em 06/11/2025 às 14h22
Lô Borges e Milton Nascimento. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Morreu na noite desse domingo (2) o cantor e compositor Lô Borges, aos 73 anos. Mais de meio século de carreira marcaram o nome do artista na história da música popular brasileira. O mineiro ficou conhecido no Brasil e no mundo pela genialidade e parceria com Milton Nascimento. Juntos, fundaram o Clube da Esquina, grupo responsável por transformar a musicalidade da década de 1970. Lô e Bituca compartilhavam uma admiração mútua e, ao longo dos anos, desenvolveram uma relação profunda de irmandade.

Milton Nascimento e Lô Borges se conheceram nas escadarias do Edifício Levy, na avenida Amazonas, no Centro de BH. Naquele momento, Lô tinha dez anos de idade e ouviu Milton, de 20, cantando e tocando violão. Diante do encanto, aproximou-se de Bituca, que vinha de Três Pontas, no Sul de Minas, e se tornaram amigos.

Em entrevista para o programa ‘Conversa com Bial’, da TV Globo, em 2023, Lô contou: “Aos meus dez anos de idade, aconteceu muita coisa, eu conheci o Bituca. ‘Você gosta de música, né, menino? Você gosta de música, né?’ Eu falei que meus irmãos e meus pais adoravam e tocavam música. Ele fala assim: ‘eu acho que eu conheço algum dos irmãos mais velho. Estou para ir na sua casa. Eu conheço seus irmãos’. Aí ele passou a frequentar minha casa. Eu costumo dizer que é difícil de esquecer”.

Nos anos seguintes, Nascimento desenvolveu a carreira, lançou o primeiro disco: ‘Travessia’, em 1967, e alcançou projeção nacional. Carioca com alma de mineiro, Milton recorrentemente retornava à capital mineira e buscava se encontrar com Lô e com os outros irmãos Borges, Marilton e Márcio.

O primeiro violão que Lô ganhou, aos 13 anos, foi dado por Bituca. Uma das atividades favoritas da dupla era criar e tocar canções na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, zona leste da cidade. Lô mantinha o hábito mesmo quando o amigo estava em outro estado. No lugar, nasceram grandes composições do repertório dos dois artistas.

Aos 17 anos, Lô apresentou a Milton as linhas de ‘Para Lennon e McCartney’. Encantado, o cantor de ‘Travessia’ gravou a faixa, que se tornou um dos grandes sucessos da carreira de Bituca, em 1970.

Dois anos depois, em 1972, veio o convite que mudaria a vida do mais novo: gravar um álbum de estúdio com Milton. A ideia era homenagear o grupo de amigos, que se reuniam na rua. Lô aceitou e foi morar no Rio de Janeiro, ao lado do amigo.

Considerado inexperiente pela gravadora EMI, Lô quase ficou de fora das gravações. Milton insistiu e fez com que os executivos enxergassem todo o talento do garoto de 19 anos. Juntos, gravaram faixas marcantes como ‘O Trem Azul’, uma das favoritas da carreira do próprio Lô e parte da nova produção da dupla.

Sou do mundo, sou Minas Gerais

‘Clube da Esquina’, álbum colaborativo dos dois artistas, foi lançado em 1972. É considerado uma das principais gravações da música popular brasileira e é, até hoje, responsável por influenciar gerações. O trabalho já foi eleito o sétimo melhor disco brasileiro pela revista Rolling Stone.

A partir deste lançamento, o artista deslanchou trabalhos solos e colaborativos. Ele ficou conhecido em todo o país pela genialidade e profundidade das composições. Lô cantou, trocou e se divertiu com Milton Nascimento. Em entrevista ao Canal Brasil, em 2015, descreveu a relação fraternal:

“Desde aquele encontro mágico na escadaria do edifício Levy, ele com violão e voz, desde lá, nossa amizade só se faz crescer. A gente tem uma coisa de amor, de irmão. Estar com o Bituca é uma coisa fundamental para mim”, contou.

Em publicação nas redes sociais, nesta segunda (3), Milton Nascimento e equipe lamentaram a morte do amigo e falou sobre a importância do cantor na vida dele. “Lô Borges foi – e sempre será – uma das pessoas mais importantes da vida e obra de Milton Nascimento. Foram décadas e mais décadas de uma amizade e cumplicidade lindas, que resultaram em um dos álbuns mais reconhecidos da música no mundo: o Clube da Esquina. Lô nos deixará um vazio e uma saudade enormes, e o Brasil perde um de seus artistas mais geniais, inventivos e únicos. Desejamos muito amor e força à família Borges, a qual acolheu Bituca em sua chegada a Belo Horizonte, lá nos anos 60 e, principalmente, ao seu filho Luca. Descanse em paz, Lô”, escreveu.

Lô Borges e Milton Nascimento em 2023. Crédito: Reprodução/Redes Sociais.

Discografia

Nascido no dia 10 de janeiro de 1952, em Belo Horizonte, Lô fundou o Clube da Esquina ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento e do irmão Márcio Borges. O movimento, que ganhou destaque na música popular entre as décadas de 1970 e 1980, foi batizado em referência ao disco homônimo de 1972. Entre as referências estavam o rock, o jazz, a bossa nova, a música psicodélica e as tradições mineiras. 

Em 2024, o álbum ficou entre os dez melhores discos de todos os tempos, em lista criada pela revista norte-americana Paste Magazine. E, em 2022, foi eleito o melhor da história da música brasileira pelo podcast Discoteca Básica.

O Clube da Esquina surgiu entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH. O local ficava a poucos passos da casa da família Borges. O movimento musical contou com nomes como Toninho Horta, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, e ficou eternizado por sua inovação e influência. Em 1978, o grupo lançou o segundo disco ‘Clube da Esquina 2’.

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Tol Ramos

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi estagiária do caderno de cultura do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas. Repórter do BHAZ desde setembro de 2025.
Instagram

Tol Ramos

Email: [email protected]

Estudante de Jornalismo

Instagram

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ