O Mercado Novo de BH, na região Central da capital mineira, tem sido um dos pontos queridinhos dos belo-horizontinos. O local é muito conhecido pela gastronomia, com comidas típicas mineiras e bebidas diferenciadas. Contudo, a experiência pode ir muito além do paladar. O BHAZ te leva a uma “viagem” pelo espaço, destacando opções de lojas para conhecer lá dentro, com arte, lembrancinhas da cidade, misticismo e muito mais.
Um dos lugares de encher os olhos é a loja Made in Beagá, com artigos produzidos na capital mineira e que ilustram a cidade de diferentes formas. O empresário mineiro Felipe Martins Soares, de 37 anos, nasceu em Belo Horizonte e atualmente mora no Sagrada Família, região Leste da capital mineira. Foi dele e do amigo Guilherme Pertence a ideia de começar a loja, lá em 2016, somente online. Em 2019, a loja ganhou um espaço físico no Mercado Novo.
“Estávamos num festival de jazz na Savassi e chegaram duas francesas. Elas fizeram amizade com o nosso grupo e contaram que queriam comprar alguma lembrança da cidade. Todo mundo falou para ir no Mercado Central ‘resolver a vida’. Mas elas queriam também lembranças que remetessem à cidade, e ficamos pensando: ‘isso não tem em BH em forma de produto’. A partir daí, começamos a pensar nisso”, explica o empresário ao BHAZ.
BH representada
Felipe explica que os dois começaram a pensar nos elementos que poderiam ser transformados em produtos. “Fomos procurando pessoas aqui de BH que já produziam isso. Tivemos um desenvolvimento inicial pequeno de produtos e estampas. Com o passar dos anos, tivemos a necessidade de sair do online. começamos a participar de feiras e eventos”, continua.
Com as pessoas conhecendo a marca, os amigos tiveram coragem para partir para uma loja física. “Fomos pra lá assumindo o riscos, fomos um dos primeiros a entrar nesse novo processo. Com a loja física, as pessoas começaram a ver a marca de outra forma, elas começam a criar identidade com a cidade”.
Inicialmente, o local era pensado para turistas, só que eles perceberam que os próprios moradores da cidade sentiam falta de elementos da capital mineira em suas casas.
A produção é toda terceirizada, a loja não tem mão de obra própria. “O que fazemos é o desenvolvimento desse produto. Do total, 99% são de produção local, BH e região metropolitana. Poucas coisas não conseguimos encontrar aqui em BH, aí vamos para o resto do Brasil, sendo esse 1%, algo de insumos”.
A loja prioriza a produção local e faz parcerias com produtores. “Desenvolvemos juntos os produtos, contratamos artistas, fotógrafos, e temos várias ideias para trabalhar a cidade, com ilustradores”, explica.
‘Mineirês’
Os produtos são os mais variados possíveis, com vários itens em “mineirês”. Felipe conta que uns dos objetos favoritos dos clientes são as plaquinha com nomes de bairros, locais e monumentos conhecidos da cidade. “É algo super simples, mas as pessoas se sentem parte da cidade, aí elas querem colecionar”, explica.
Outro destaque é um jogo desenvolvido pela loja. “Desde o início tínhamos interesse em fazer o jogo. A gente brinca que BH não é uma cidade tão turística, que não estamos acostumados a ver na grande mídia, numa serie, novela. Vemos mais Rio ou São Paulo. Então precisávamos de algo nosso”, continua. Com acabamento sofisticado, o jogo tem perguntas e respostas sobre a cidade e é ilustrado com pontos da capital mineira.
Mercado respira arte
Andando pelo terceiro piso do Mercado Novo, você vai se deparar com uma bela galeria de arte. Idealizada pelo artista Marcus Pachoalin e pelo músico Rogério Flausino, o local conta com diversas obras do próprio artista e de convidados.
A Cobo Galeria tem nome inspirado nos “Cobogós”, que são aqueles tijolinhos vazados, normalmente feitos de barro ou cimento, que completam as paredes ou muros, possibilitando ventilação e luminosidade.
Marcus Paschoalin, de 42 anos, tem em seu DNA a música, a modernidade e a pluralidade do mundo. Formado em Publicidade e também em Design Gráfico em Milão, começou sua carreira criando um club chamado MP5, que nasceu dentro do seu ateliê. Anos mais tarde, lançou a Land Spirit Complex, um espaço inspirado nas ruas dos grandes centros urbanos do mundo.
“A ideia veio depois de uma visita minha e do Rogério ao Mercado. Sempre quisemos fazer um projeto juntos, e vimos lá uma oportunidade. A gente nunca tinha achado algo que nos interessasse tanto como esse agora. Como sou um artista plástico, por que não montar uma galeria?”, conta Paschoalin ao BHAZ.
Cosmopolitan
O artista explica que vê no Mercado Novo um local muito diverso. “É um ‘ambiente cosmopolitan’. Dá para conhecer muita gente interessante, acho que esse é o grande diferencial”, continua. Quem for até a galeria, verá trabalhos de Paschoalin e outros artistas convidados. Todas as obras expostas no local estão a venda.
A amizade com o vocalista do Jota Quest é de mais de 20 anos. “É uma amizade bem antiga, ele é amigo da família, andamos juntos há muito tempo. Sempre que estivermos em BH, vamos fazer o máximo para estar lá. Fico transitando entre meu estúdio e a galeria”.
Misticismo também está presente
Seguindo pelos corredores do local, no terceiro piso, você vai se deparar com a Joli Templo de Alquimia. A loja é da bruxa e alquimista Josefina Baetens. Por lá, você encontra tudo de alquimia e herbalismo, além de tarot terapêutico, aromaterapia pessoal e objetos de poder. O estabelecimento está no Mercado Novo desde setembro do ano passado.
“Aqui trabalhamos para uma terapêutica, e levamos em consideração tudo aquilo que a natureza construiu. Tomamos emprestada toda essa força para trazê-la e nos fortalecer. Eu venho fazendo estudos dentro da alquimia, por isso me intitulo bruxa alquimista. A alquimia surgiu na necessidade de transformação de alguns elementos. Quando isso começou, lá no Egito, se considerava a transformação energética e espiritual”, explica.
Josefina trabalha no campo da espagíria, que ela define como destilação de óleos. “Que são as tinturas, os sais. É onde eu gosto de transitar e onde eu preparo minhas magias. Por exemplo, uma planta: quando a gente vai trabalhar com ela dentro da lógica da alquimia, vamos considerar o benefício que ela te trás para o aspecto físico, energético e espiritual. Trabalhamos com corpo, alma e espírito da planta”.
Mas a loja não possui somente produtos para veda. Existe uma salinha ao fundo onde são feitos atendimentos. “Ali que está de fato o nosso templo. Hoje, por exemplo, fiz o atendimento de um Reiki Amadeus, que foi configurado e formatado por um mestre que se inspirou nos tupis-guaranis. É uma força xamânica dos nossos povos originais. Também fazemos a parte oracular, que são os tarôs e búzios. Além dos atendimento de aromaterapia, herbalismo”. Ela completa dizendo que também a parte do laboratório alquímico.
“O Mercado Novo vai muito além da sedução da comida e da bebida. Nós também temos como trazer satisfação para o espírito e alma de todos com os outros elementos. No nosso caso aqui, podemos oferecer um perfume pessoal para você, algo que seja só seu, e trabalhar dentro de toda a lógica olfativa e mágica”, completa.
Cerâmicas
Gláucio Galvão inaugurou uma loja de cerâmicas em novembro do ano passado. O ceramista trabalha com arte há dois anos, e resolveu abrir a loja no local. “O Mercado Novo tem essa pegada underground, e de produtos que não vemos em espaços convencionais. E tem uma história também que meu pai trabalhava na década de 80 no subsolo aqui do Mercado”. O local chama-se Atelier Glaucio, também no terceiro piso.
“Não é só comida e bebida. Temos artes, como a cerâmica, galerias de arte, lugar de cortar cabelo, roupa, desing próprio, bazar. Essa linha de interação e renovação. Temos também a parte de reciclagem, com feiras. Lugar que fabrica facas, tem essa qualidade. É isso que o Mercado Novo traz para gente”.
O Mercado Novo fica localizado na rua Rio Grande do Sul, 505, onde tem entrada para pedestres. A entrada para carros deve ser feita pela avenida Olegário Maciel. O local fica aberto todos os dias, das 7h às 22h. Confira mais informações por aqui.

















