A luta pela inclusão social de Pessoas com Deficiência (PcDs) ganha ainda mais força em setembro, mês em que a causa toma o centro das discussões e tem um dia próprio para reflexão. É neste contexto que o Cine Humberto Mauro, em BH, promove a segunda edição da mostra “Deficiência em Tela”, que reúne mais de 20 obras cinematográficas especialmente adaptadas com recursos de acessibilidade. Parte delas também são assinadas por PcDs.
Com curadoria de Sara Paoliello, produtora do Humberto Mauro e pessoa com deficiência, a mostra passeia entre obras clássicas e contemporâneas. Segundo Paoliello, houve um cuidado quanto à seleção dos filmes propostos, que não apenas exploram as diversas facetas da experiência da deficiência, mas oferecem abordagens variadas, de acordo com as muitas maneiras pelas quais ela é compreendida.
“Esta mostra foi concebida com o objetivo de contemplar narrativas cinematográficas que, além de refletir criticamente sobre o que já existe de repertório, promovam a construção de novos imaginários sobre o tema e apontem para futuras produções dentro da sétima arte”, explica a curadora.
Programação
A mostra começa com a exibição de dois clássicos: o drama de guerra norte-americano “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” (1946), de William Wyler, e o giallo italiano “O Gato de Nove Caudas” (1971), filme do meio da “Trilogia dos Animais”, de Dario Argento. Ao longo da programação, destaque também para “O Homem Elefante” (1980), de David Lynch, e “Forrest Gump” (1994), de Robert Zemeckis. Todos incorporam personagens com deficiência em suas narrativas, em épocas com baixíssima representatividade.
Já “O Garoto” (1921), comédia dramática silenciosa de Chaplin, e “Festim Diabólico” (1948), suspense de Hitchcock, serão exibidos com audiodescrição, legenda descritiva e janela de Libras promovidas de forma inédita pelo Cine Humberto Mauro. Posteriormente, ambos serão incorporados ao catálogo digital da casa.
A curadoria também dá protagonismo a filmes realizados e/ou protagonizados por PcDs, a começar pelo curta-metragem brasileiro “Pagar 4 nunca mai$” (2018), em que a cineasta Leide Jacob narra a discriminação e a luta por direitos de sua mãe, a poeta Leide Moreira. Também em evidência a sessão legendada do curta nacional “Elos” (2022), de Cíntia Soares, com comentário da diretora e intérprete de Libras, entre outras produções.
Paoliello destaca que um dos principais objetivos da linha curatorial é trazer as pessoas com deficiência para o centro das conversas sobre cinema. “A ideia da mostra é levantar o debate sobre os filmes, e tornar possível a todos discutir essas obras, inclusive aquelas que pertencem ao cânone. É direito das pessoas com deficiência ter acesso a esses filmes formadores, que estão na gênese da cinefilia, do estudo e da própria história do cinema”, aponta.
A mostra “Deficiência em Tela” ocorre entre 5 e 12 de setembro e a programação completa de sessões está disponível no site da FCS. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingresso meia hora antes de casa exibição.
Acessibilidade estrutural
O Palácio das Artes conta com rampas na entrada, elevador no hall e banheiro acessível. Já o Cine Humberto Mauro dispõe de rampa na entrada, corrimão nas laterais e dois assentos acessíveis na parte esquerda – um para pessoas obesas e outro para espectadores com mobilidade reduzida –, além de quatro vagas para cadeiras de rodas na parte traseira do cinema.
O público com deficiência pode também utilizar as vagas exclusivas do estacionamento do Palácio das Artes, com entrada pela avenida Carandaí, bastando apresentar a credencial para estacionamento especial/reservado emitida pela prefeitura da cidade (ou do estado, caso a prefeitura não ofereça este serviço) onde a pessoa reside.
Então se liga!
Mostra ‘Deficiência em Tela’
Local: Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes
Data: 5 a 12 de setembro
Entrada gratuita













