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Galpão Cine Horto pode fechar após proprietários anunciarem venda do prédio

16/12/2025 às 17h36
Galpão Cine Horto pode fechar após proprietários anunciarem venda do prédio
Prédio abriga o espaço há cerca de 27 anos. (Reprodução/Galpão)

O anúncio da venda do imóvel que abriga o Galpão Cine Horto, espaço cultural aberto há cerca de 27 anos, no bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte, causou surpresa entre o público e a classe artística. Em conversa com o BHAZ, o diretor e ator Chico Pelúcio, integrante do Grupo Galpão, informou que os donos comunicaram, há aproximadamente um ano, a intenção de vender o prédio. Ainda que ele tenha solicitado um prazo para viabilizar a compra, esse período está se esgotando. Agora, segundo o artista, há uma “corrida contra o tempo” para manter a instituição no edifício.

Chico afirmou que, desde então, todas as possibilidades para a compra do imóvel têm sido avaliadas. “Temos uma ótima relação com os proprietários e, ao longo de todo esse período, mantivemos um bom diálogo. Quando eles anunciaram a venda do prédio, pedi um prazo. Desde então, estamos em busca de parceiros”, relatou.

Segundo ele, surgiu recentemente a oportunidade, por meio de uma instituição pública, de adquirir a sede, avaliada em R$ 3,5 milhões. No entanto, por se tratar de uma entidade estatal, o acordo precisa ser feito juridicamente por intermédio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que desapropriaria e compraria o imóvel, cedendo posteriormente o espaço ao Grupo Galpão por meio de comodato – empréstimo gratuito de um bem infungível por prazo determinado.

“Para a prefeitura, seriam dois presentes, já que passaria a contar com mais um teatro público que, ao mesmo tempo, é uma instituição ocupada há 27 anos, com sucesso absoluto em Minas e em todo o Brasil. Além disso, haveria a possibilidade, inclusive por meio das leis de incentivo, de ampliar, modernizar e consolidar um símbolo da região Leste, seja em termos de urbanização, revitalização ou dinamização das atividades culturais diárias”, afirmou.

O ator ainda informou que o acordo resolveria problemas fundamentais do Cine Horto, além de diminuir o custo operacional mensal do espaço, que custa entre R$ 100 e R$ 120 mil. “Isso nós daria uma segurança para investir em reformas, buscar outros parceiros e poder ampliar, já que a Gruta faz parte do terreno. Então, seria um espaço de revitalização”, avaliou.

O diretor afirmou que, enquanto isso não ocorre, o imóvel pode ser vendido a qualquer momento. Atualmente, o espaço abriga dois teatros, com capacidades para 200 e 25 pessoas, além de um cinema de 70 lugares. O complexo também conta com salas de aula de teatro, um Centro de Pesquisa e Memória (CPMT), com biblioteca e videoteca, e uma galeria de arte.

“Oferecemos editais para jovens artistas plásticos e oficinas gratuitas de diversas áreas. Caso o imóvel seja vendido, não temos para onde ir. Não existe outro espaço com toda essa estrutura física que permita dar continuidade aos projetos sem interrupção”, disse.

Em nota ao BHAZ, a PBH informou que a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e Fundação Municipal de Cultura (FMC) estão em “diálogo com a coordenação do espaço cultural e com um potencial parceiro, buscando soluções diante da situação”.

Venda ocorre em meio a lançamento de documentário

A venda do imóvel ocorre em meio ao lançamento do documentário “Como atravessar paredes: a história do Centro Cultural Galpão Cine Horto”. O filme será exibido nesta terça-feira (16), às 19h30, com entrada gratuita.

Ao longo de quase três décadas, o espaço recebeu aproximadamente 510 mil espectadores e sediou mais de 200 projetos. O longa-metragem reúne depoimentos de técnicos, ex-funcionários, integrantes da equipe atual e artistas, além de imagens de arquivo.

Chico relembrou que, quando o grupo passou a ocupar o prédio – que funcionou como cinema na década de 1950 –, a partir de março de 1998, o espaço estava em condições precárias e precisou passar por diversas reformas. “Não tinha nada lá, chegaram a roubar a fiação. Entramos com lanterna, porque não havia luz. Eram só ratos e baratas. E, nesse tempo em que estamos ali, transformamos tudo”, contou.

Mesmo diante da iminência de deixar o espaço, o ator afirmou ter ficado satisfeito com a repercussão do caso entre fãs, público e a classe artística. “O sentimento está em dois polos. De um lado, tristeza, desânimo e cansaço, porque é muita luta que não se traduz na dimensão da tensão vivida. Por outro, ficamos otimistas, porque pessoas do Brasil inteiro estão se manifestando, enviando mensagens, sugerindo soluções e, até mesmo, demonstrando incredulidade diante da notícia. Estamos precisando administrar tudo isso”, disse.

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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