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Bairro Santa Efigênia ganha livro em coleção dedicada a BH

05/11/2025 às 18h30 - Atualizado em 05/11/2025 às 18h52
Rosaly Senra lança livro sobre o bairro Santa Efigênia em BH
Lançamento ocorre neste sábado (8). (Álvaro Starling/Divulgação)

A autora Rosaly Senra vai lançar, neste sábado (8), o livro ‘Santa Efigênia’, 41º volume da coleção ‘BH. A cidade de cada um’. A obra revisita o bairro, localizado na região Leste, que foi palco da juventude da escritora e reduto de figuras como Agnaldo Timóteo, Affonso Romano de Sant’Anna e Célio Balona. O evento ocorre a partir das 10h, na Made in Beagá, no Santa Efigênia.

No final dos anos 1970, Rosaly, recém-chegada de Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, para estudar na capital e dividida entre as casas dos tios e tias, começou a sua história no bairro.

Abarcada por quintais floridos, residências com muros baixinhos e conversas de calçada, a escritora formatou as lembranças e os relatos de moradores anônimos e famosos do local, reduto tradicional de militares, de músicos e escritores do porte de Agnaldo Timóteo e Affonso Romano de Sant’Anna, além do lendário Conde Belamorte, a partir de registros históricos e efetivos na obra.

Fundado no final do século XIX para acolher os primeiros militares que vieram morar e trabalhar na recém-construída BH, o Santa Efigênia se firmou como um ponto de encontro entre tradição e vanguarda. O livro passeia pela Igreja de Santa Efigênia dos Militares e o Quartel do Primeiro Batalhão, além de outros espaços de arte, cultura e educação, como a Praça Floriano Peixoto, o Grupo Escolar Pedro II, a Moradia Estudantil Borges da Costa e o Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango.

“É muito interessante notar que as ruas do Santa Efigênia, nomeadas em homenagem aos militares e médicos que foram ocupando uma região mais tarde conhecida como ‘área hospitalar’, preservam a essência de um bairro que sempre teve um papel de efervescência cultural forte e uma resistência social muito importante, a exemplo da Moradia Borges da Costa e do Quilombo Manzo. A vocação do Santa Efigênia sempre foi a arte e a mobilização social. E continua sendo, como uma das regiões mais efervescentes no Carnaval”, disse Rosaly.

Em 160 páginas, o livro dedicado ao Santa Efigênia é um encontro com as origens da capital, mas vai além dos registros históricos e geográficos, ao trazer lendas, casos e criações artísticas, iluminando o protagonismo do bairro.

Personagens e influências: de Villa-Lobos ao Clube da Esquina

Entre as figuras que marcaram o bairro, emergem personagens que ajudaram a moldar a identidade cultural de Belo Horizonte, como Seu Amadeu, livreiro responsável pelo primeiro sebo da cidade, e Célio Balona, o músico que, junto a Milton Nascimento, Wagner Tiso e Nivaldo Ornelas, semeou o que seria o Clube da Esquina.

Foi em Santa Efigênia que se criaram também Sebastião Viana, flautista, maestro, assistente e revisor das partituras de Heitor Villa-Lobos, e pai do compositor mineiro Marcus Viana, assim como Affonso Romano de Sant’Anna, um dos maiores poetas e ensaístas do Brasil, que viveu em Santa Efigênia, na casa de sua madrinha, Dona Elza de Moura, durante a juventude.

Inspirações de gente comum: Turma do Siliba e Conde Belamorte

Para além de artistas conhecidos, a trajetória do Santa Efigênia é feita de gente comum. Entre eles, está o pessoal da Turma do Siliba, amigos que por mais de seis décadas se reuniram para celebrar a vida no conhecido bar do Hélio Berberick, entre as ruas Tenente Anastácio de Moura e Coronel Antônio Pereira da Silva.

Outro nome inesquecível é o de Conde Belamorte, barbeiro, músico e poeta que dormia em um caixão e transformou a Rua Anastácio Moura em cenário de mistério nos anos 1980. Por sempre andar com uma capa preta e ostentar um visual impactante, com cabelos e barba longos, além de cultivar hábitos soturnos, como frequentar o cemitério diariamente, sempre às 18h, não raras vezes foi confundido com o cineasta Zé do Caixão.

A coleção “BH. A cidade de cada um

Desde setembro de 2004, a coleção “BH. A cidade de cada um” vem construindo a memória afetiva da cidade por meio de textos literários escritos por pessoas de diversas gerações, escolhidas por sua grande identificação com os temas trabalhados. Publicada pela Conceito Editorial e idealizada pelos jornalistas José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião, a série como ponto de partida suas vivências pessoais, eles falam sobre bairros, lugares, fatos e personagens diversos, sem o compromisso de se prenderem à história oficial, gerando grande empatia entre moradores e admiradores da capital mineira.

Anota aí!

Lançamento do livro ‘Santa Efigênia’

Data: 8 de novembro, sábado
Horário: às 10h
Local: Made in Beagá | Avenida Brasil, 305, Santa Efigênia – BH
Entrada gratuita

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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