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Nany People ensina ‘Como Salvar um Casamento’ em monólogo que chega a BH

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Monólogo revisita texto escrito há 17 anos, com ajustes necessários (Divulgação)

“Deixa eu falar uma coisa, eu já nasci cancelada”, diz Nany People sobre a liberdade de fala muito bem exercida por 58 anos. A carga social do comentário é evidente, principalmente por vir de uma mulher trans que fez da arte sua profissão, mas também antecipa o conteúdo da peça “Como Salvar um Casamento”, que desembarca no Cine Theatro Brasil, em BH, neste sábado (1º).

Estreando na cidade, o monólogo da comediante mineira brinca com as loucuras da vida a dois, sem deixar de cutucar em feridas de relacionamentos. “Eu posso afirmar com conhecimento de causa que a diferença entre homem e mulher é muito grande”, brinca. “E relacionamento é um assunto que nunca vai ter fim. Ninguém vive sozinho”, afirma.

Nany relembra a inspiração familiar para a construção do texto, que nasceu há 17 anos. “Ele foi inspirado na separação dos meus irmãos e de alguns amigos. Hoje, eles estão casados de novo, mas muitas situações continuam sendo as mesmas”, conta. Repaginado, o monólogo revisita questões de relacionamento sob uma ótica “menos heteronormativa, como foi há 17 anos”.

“Agora é muito mais plural, democrático e multifacetado. A gente fala de relações fluidas, relações LGBT, de trisal, as pessoas estão mais plurais”, antecipa a atriz. “Cada geração tem seu tempo de pegação, mas o sexo continua sendo o mesmo. Não mudou nada. Não inventaram outra maneira pra ele”, ri.

Liberdade

Indiscutivelmente, o sexo segue sendo um tabu enorme para alguns. Para Nany, tabus devem ser quebrados com humor. “A gente não pode perder a liberdade de falar sobre qualquer assunto”, diz. “Quando você vê uma novela, como a Renascer (da TV Globo), em que a Buba assume que é trans e burlou uma gravidez, a família brasileira é obrigada a discutir isso”, aponta.

Sobre o palco, a comediante se propõe a levantar pautas “cabeludas”, pensando justamente nessas discussões posteriores. Tudo isso dialoga intimamente com a sua vivência. E sobrevivência. “Se você é gay, você ainda consegue de certa forma ocultar sua condição. Se você é trans, meu bem, ir na padaria comprar um pão é um ato político”, pontua.

“Então as pessoas dizem: ‘a Nany se acha, a Nany é bocuda’. Não! Eu sempre aprendi em casa que as pessoas fazem com a gente o que a gente deixa”, diz. “Por isso nem com o meu pai eu levava desaforo para a cama”.

Se as falas da atriz soam fortes em texto, sobre o palco, ao vivo, a promessa bate o dobro. “É onde eu me encontro, e por essa peça tenho muito carinho”, antecipa. “Estou muito feliz em revisitá-la depois de 17 anos de conquistas sociais, emocionais, sexuais e até cívicas. É válido pra quem já casou, quem ainda vai casar e quem nem pensa nisso”, diz, “porque depois do espetáculo, muita gente vai ver que não leva jeito pra coisa”.

Então se liga!

Como Salvar um Casamento, com Nany People
Local: Cine Theatro Brasil Vallourec
Data: 1º de junho
Horário: 21h
Ingressos: a partir de R$ 50, no Eventim
Classificação: 12 anos

Thiago Cândido

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Colunista no programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Estagiário do BHAZ desde setembro de 2023.

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