IMA proíbe prova de laço ao bezerro em Arcos; ação pode causar morte do animal

Prova do laço pode causar morte do animal por asfixia

O Instituto Mineiro de Agrupecuária (IMA) proibiu a realização de uma prova de laço ao bezerro em Arcos, no Centro-Oeste do estado, no próximo dia 30. O IMA irá fiscalizar o local onde a prova seria realizada no dia 30 de junho, para evitar que a determinação seja descumprida. A proibição foi solicitada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Nas provas de laço, são utilizados instrumentos e realizadas ações que causam sofrimento aos animais. As provas utilizam bezerros com cerca de 40 dias de vida, que são separados das mães precocemente e sofrem agressões físicas e psíquicas desde os momentos anteriores à prova até o final.

Conforme apontado pelo MPMG, o bezerro pode ter sua cauda puxada  pelo peão para estimulá-lo a correr, causando diversas lesões internas e dor. Uma vez liberado na arena, o animal encontra-se assustado pela situação e corre para tentar fugir de seus perseguidores, o que revela sofrimento mental ou psíquico.

Além disso, a laçada brusca no pescoço do animal, a queda abrupta e violenta no solo, a suspensão e nova queda e o ato de laçar suas patas podem causar lesões nos sistemas respiratório e circulatório, na coluna vertebral, nos tecidos cutâneos e na musculatura, além da possibilidade de atingir ossos e órgãos internos, causando sua morte. Na prova de laço de bezerro, o laço que atinge o pescoço do animal o faz estancar abruptamente, sendo tracionado para trás, em sentido contrário ao que corria. Ele então é erguido do solo até a altura da cintura do peão, que o atira violentamente ao chão, sendo três de suas patas amarradas juntas.

Já no laço em dupla, segundo apurado pelo MPMG, um peão laça a cabeça de um garrote enquanto outro laça suas pernas traseiras. Em seguida, os peões o esticam entre si, resultando em sérios danos à coluna vertebral e lesões orgânicas, já que o animal é tracionado em sentidos opostos. Em outra modalidade, chamada de bulldogging, o peão desmonta de seu cavalo em pleno galope, atirando-se sobre a cabeça do animal em movimento, devendo derrubá-lo ao chão, agarrando-o pelos chifres e torcendo violentamente seu pescoço. Ocorre assim, deslocamento de vértebras, rupturas musculares e diversas lesões.

A recomendação frisa que, ao contrário do que alegam os defensores das provas de laço, no sentido de que seriam atividades próprias das fazendas, as laçadas e derrubadas são consideradas ultrapassadas pelas atuais técnicas de produção pecuária justamente por elevarem o risco de morte e lesões irreversíveis, desvantajosas ao pecuarista. “Se as referidas práticas são condenáveis até mesmo nas fazendas, com muito mais razão não podem ser admitidas como mero entretenimento”, afirmam as promotoras de Justiça Juliana Amaral de Mendonça Vieira e Luciana Imaculada de Paula, que assinam a Recomendação.