Íris tem fala transfóbica e Ariadna rebate: ‘Vive num conto de fadas’

ariadna iris no limite
Ariadna não deixou a fala de Íris passar batido (Reprodução/TV Globo)

No segundo episódio de “No Limite”, Íris Stefanelli e Ariadna Arantes discutiram logo após a tribo Carcará vencer a prova Privilégio. Ariadna explicou aos colegas a realidade de uma mulher trans no Brasil, e que foi obrigada a recorrer à prostituição devido ao preconceito e inexistência de empregos. Íris, por sua vez, contestou a história de Ariadna, gerando polêmica dentro e fora do programa. A equipe de Íris pediu desculpas em posicionamento aqui fora, e a de Ariadna também se posicionou mostrando dados sobre a realidade das trans no Brasil.

Ariadna disse, após o incidente, que Íris vive em um “conto de fadas”, por ter muitos privilégios. “Não julga, amiga. Eu colocava currículo daqui, dali, não arrumava nada. Eles viam que eu parecia um homem, daí você acha que eu fui pra onde? Pra esquina de onde morava. Eu não tive opção”, disse Ariadna (veja vídeo abaixo).

Íris contestou a fala da participante: “Você teve opção sim”, mas Ariadna continuou: “Não, amiga, eu não tive, porque quando eles me olhavam com nome de homem e cara de mulher…”, mas foi interrompida pela ex-BBB7, que disse ter passado “roupa para os outros” para poder se sustentar.

Prontamente, os outros participantes contestaram: “Você não pode falar uma coisa que não está dentro da sua realidade. Amiga, você é uma mulher cis, branca, loira dos olhos verdes”, finalizou Ariadna.

Reações

Prontamente, o assunto foi parar nas redes sociais. Muitos internautas contestaram a fala de Íris, e ainda afirmaram que já esperavam o comportamento preconceituoso da apresentadora no programa. “Eu sabia tanto que a Íris ia se queimar. Conheço alguém que conhece ela e ela é desse jeito aí mesmo”, disse um usuário.

Houve até comparação com um ex-BBB21, o cantor Rodolffo, que associou o cabelo de João à peruca do monstro, e ainda repetiu a fala racista ao vivo. “A energia da Íris foi igualzinha a do Rodolfo falando ‘mas meu cabelo não é tão lisinho'”, escreveu um internauta.

‘Eu passei fome’

Uma fala polêmica de Íris no Big Brother 7 foi resgatada, o que chocou ainda mais as pessoas, que já não se lembravam mais do episódio. Na ocasião, a paulista disse que não teve nada fácil na vida. “Eu não consegui chegar aqui fácil. Eu passei fome para pagar a academia para emagrecer”, lamentou Íris. Na rede, usuários lembraram desse acontecimento: “A cabeça dessa Íris deve ter parado lá em 2007”.

Equipe pediu desculpa

No Instagram de Íris, foi divulgado um comunicado oficial com pedido de desculpas. “Após as cenas veiculadas na edição de hoje do ‘No Limite’, viemos a público pedir desculpas a todos que se sentiram ofendidos ou diminuídos com as palavras da Íris. Temos a certeza de que, assim que ela voltar a realidade, e assistir às suas falas, vai se desculpar com todos e buscar se informar sobre essa triste realidade. Íris, assim como muitos de nós, tem muito o que aprender sobre este e outros assuntos”, começa o comunicado.

“Respeitamos demais a história da Ariadna e temos um carinho muito grande por ela e pela parceria de ambas, como vimos desde o programa de estreia. Íris está longe de ser contra as minorias. Quem a conhece, desde o BBB7, e convive com ela (amigos e familiares), sabe bem do que estamos falando”.

“Que essa experiência traga um grande aprendizado para todos, reflexo da convivência, indo além das provas de resistência e das adversidades do cenário em que vivem durante as gravações”, finaliza a postagem.

Contexto social

De acordo com dados levantados pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 90% dessa população utiliza da prostituição como fonte de renda, devido a dificuldade de inserção no mercado formal de trabalho e a deficiência na qualificação profissional causada pela exclusão social, familiar e escolar. Estima-se que 13 anos de idade é média em que travestis e transexuais são expulsas de casa pelos pais.

Segundo o Projeto Além do Arco-Íris/AfroReggae, em média, apenas 0,02% dessa população está na universidade, 72% não possui o ensino médio e 56% o ensino fundamental. Questões de raça e gênero pioram ainda mais a situação, e 80% dos assassinatos de profissionais do sexo trans ou travestis foram direcionados a pessoas negras e pardas, e 94% para o gênero feminino. Veja o relatório completo aqui.

Em seu posicionamento oficial na rede social, a equipe de Ariadna lembrou desse cenário. “Durante a exibição do programa de hoje, uma pauta muito importante foi levantada. Ariadna falou que quando mais nova, precisou se prostituir pois não teve escolha. Segundo dados da Antra, 90% desse público é obrigado a recorrer à prostituição para se sustentar”, começa o comunicado.

“Um emprego formal ainda é um sonho que parece distante. Para muitos, não é ou UMA opção, e sim a ÚNICA opção. Esperamos muito que um dia essa realidade mude, e que pessoas trans alcancem cada vez mais o seu espaço de direito”, finaliza.

Edição: Vitor Fernandes

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