Jogadores do Boca pagam fiança e são liberados após confusão generalizada no Mineirão

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Jogadores do Boca Juniors são acusados de atacar equipe do Galo (Reprodução/@ohenriqueandre/Twitter)

Doze horas depois do início da confusão envolvendo jogadores do Boca Juniors, após o jogo contra do Atlético pela Libertadores, a equipe argentina foi liberada pela Polícia Civil. Os atletas do time prestaram depoimento e precisaram pagar fiança no total de R$ 6 mil para que dois integrantes da delegação fossem liberados.

A briga generalizada começou no final da disputa entre Atlético e Boca Juniors, que resultou na vitória por 3 a 1 do time mineiro em cima do adversário. Após o Galo vencer na disputa dos pênaltis com o protagonismo do goleiro Everson e garantir vaga nas quartas de final da Libertadores, jogadores do Boca Juniors entraram em confronto com seguranças do Atlético e do estádio.

A confusão, iniciada próximo aos vestiários, envolveu dirigentes e jogadores de ambas as equipes. Segundo a Polícia Militar, agentes da corporação chegaram logo no início da briga e se depararam com jogadores muito agressivos, que arremessavam garrafas e depredavam objetos do Mineirão. “A PM foi recebida com animosidade e foi necessário intervir”, disse a polícia.

A PM disse que foi possível verificar, pelas imagens das câmeras de segurança, os autores dos danos, desacatos e agressões. Os responsáveis foram conduzidos até a delegacia com escolta policial.

Briga contida pela polícia

Segundo a Polícia Civil, foram recebidas duas ocorrências na Delegacia de Plantão IV. Na primeira, dois integrantes da delegação argentina foram autuados em flagrante pelo crime de dano qualificado. A polícia estipulou fiança de R$ 3 mil para cada um deles. Após o pagamento, os jogadores foram liberados e vão aguardar o processo em liberdade.

Já na segunda ocorrência, outros quatro integrantes da delegação assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelos crimes de lesão corporal e desacato, assumindo o compromisso de comparecer em futura audiência no Juizado Especial Criminal.

Por nota, o time argentino disse que a “alta autoridade do Clube Atlético Mineiro disparou com expressões violentas e ameaçadoras durante vários dias”. “Até chegar aos infelizes acontecimentos em que sofreram danos físicos os nossos jogadores, comissão técnica e dirigentes, que tiveram de ser atrasado por mais de 12 horas em situações infelizes para não quebrar a bolha da saúde”, justificou o presidente do clube, Jorge Amor Ameal, em nota (leia na íntegra abaixo).

Já o Galo informou que a equipe argentina invadiu o vestiário onde estavam os jogadores, comissão e a diretoria do Atlético. “Até o presidente Sérgio Coelho tentou impedir a invasão para proteger os profissionais do Atlético. No caminho, atacaram todos que encontraram pela frente, além de quebrar bebedouros e grades de proteção”, disse o comunicado do time (leia na íntegra abaixo).

Nota do Boca Juniors na íntegra:

O Clube Atlético Boca Juniors, instituição com 116 anos de história, sofreu duas inexplicáveis ​​derrotas frente ao Atlético Mineiro nesta série da Copa Libertadores, anulando gols legais que destruíram o espírito esportivo do torneio de maior prestígio do continente.
Hoje, nossos parceiros, fãs, jogadores e equipe técnica foram prejudicados de forma maliciosa, interpretando a tecnologia VAR de forma maliciosa e intencional.
O ocorrido marca um acontecimento inédito, pois é o único caso em que, ao vencer os dois jogos da série, um clube é eliminado da competição.
Situações como as vividas nos últimos dias revelam a gestão tendenciosa do nosso futebol continental.
Também não podemos esquecer que a mais alta autoridade do Clube Atlético Mineiro disparou com expressões violentas e ameaçadoras durante vários dias até chegar aos infelizes acontecimentos em que sofreram danos físicos os nossos jogadores, comissão técnica e dirigentes, que tiveram de ser atrasados por mais de 12 horas em situações infelizes para não quebrar a bolha da saúde.
Mais uma vez fomos prejudicados por decisões que pouco têm a ver com o esporte e muito com a gestão arbitrária de uma competição que não o merece.

Nota do Atlético na íntegra:

Após o jogo, os atletas do Boca desceram o túnel e foram para o vestiário dos visitantes. Poucos minutos depois, jogadores e comissão técnica da equipe argentina saíram do local e, em bloco, partiram em direção ao vestiário dos árbitros.
Seguranças do Galo e Mineirão tentaram, sem sucesso, contê-los.
Os argentinos decidiram, então, invadir o vestiário do Galo, onde estavam jogadores, comissão e diretoria. Até o presidente Sérgio Coelho tentou impedir a invasão para proteger os profissionais do Atlético.
No caminho, atacaram todos que encontraram pela frente, além de quebrar bebedouros e grades de proteção.
A PM chegou depois de algum tempo e afastou os agressores com gás de pimenta.
O saldo foi de pessoas feridas, felizmente sem maior gravidade. Houve, inclusive, uma tentativa de agressão ao diretor de futebol do Atlético, Rodrigo Caetano, com uma barra de ferro.
A PM deu voz de prisão a alguns jogadores e membros da comissão técnica do Boca.
Depois de longa negociação, intermediada pelo presidente Sérgio Coelho, a delegação argentina foi à delegacia para registro de boletim de ocorrência por depredação de patrimônio e agressão. Ninguém será detido.

Edição: Giovanna Fávero
Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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