Jovem faz relato impactante sobre uso de ‘pílula do dia seguinte’ e viraliza nas redes; especialista alerta

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Laís Amaral teve tromboembolismo pulmonar e passou 30 dias na UTI (Reprodução/TikTok)

A jovem Laís Amaral, de 25 anos, tem chamado atenção de milhões de pessoas nas redes sociais com um relato impactante sobre o uso da chamada “pílula do dia seguinte”. No vídeo, ela mostra um momento em que foi parar no hospital devido a uma trombose no pulmão, relacionada ao medicamento. O BHAZ conversou com a maquiadora, sobre como os remédios contraceptivos contribuíram para a doença, e com uma especialista, que alertou para os riscos da automedicação e do uso indiscriminado dos métodos com hormônios.

Conforme conta Laís, que mora em Goiás, o diagnóstico de tromboembolismo veio em 2016, após ter tido 2 paradas cardiorrespiratórias e ter passado 12 dias em coma. Segundo ela, à época de sua internação, já estava há alguns dias passando mal com enjoos. Em um desses dias, ela acabou desmaiando no banheiro de casa e bateu com a cabeça. As irmãs da jovem ouviram e correram para ajudá-la, chamando uma ambulância.

“Assim que o enfermeiro fechou a ambulância, ele ficou de costas para mim, e eu acabei tendo a minha primeira parada cardiorrespiratória, na frente da minha mãe. Ela desesperada começou a gritar pedindo ajuda, e aí eles conseguiram me reanimar”, relembra a jovem.

12 dias em coma

De acordo com Laís, ela teve a segunda parada cardiorrespiratória assim que chegou no hospital, e precisou ser intubada. “Descobriram que eu estava com uma mancha no cérebro por causa da minha queda, e eu fiquei mais ou menos 12 dias em coma, acordei no dia 25 de janeiro de 2016”.

No dia que acordou, Amaral vomitou e acabou broncoaspirando a dieta, ou seja, ela respirou o próprio vômito, e o líquido foi parar em seu pulmão. Com isso, os médicos tiveram que fazer uma incisão nela para retirar o líquido, que foi cerca de 750ml, conforme conta.

“Eu tive pancreatite, acabei pegando uma bactéria, tive pneumonia, fiz 7 sessões de hemodiálise e tive falência múltipla dos órgãos. Fiquei 30 dias na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e 9 na enfermaria”, diz Laís Amaral. Tudo o que a maquiadora passou no hospital foi devido a um tromboembolismo pulmonar, conforme o diagnóstico que recebeu.

Pílulas contraceptivas influenciaram

Segundo ela, os médicos fizeram uma série de exames para descobrir a causa da doença e constataram que o uso de pílula do dia seguinte e remédio anticoncepcional por parte da jovem foi uma delas. De acordo com Laís, ela havia tomado duas pílulas do dia seguinte no ano anterior e voltado a fazer o uso de anticoncepcional.

No TikTok postado pela maquiadora nesse domingo (25), ela aparece bem arrumada em um vídeo em que se lê a seguinte frase: “Toma pílula do dia seguinte, boba, não dá em nada”. Em seguida, Laís adicionou um segundo vídeo, que mostra a jovem debilitada, andando com a ajuda de médicos no hospital, e escreveu: “que mentira, que mentira”. Confira:

@laisamaralss

Trombose no pulmão aos 19 anos, 39 dias internada, 30 só na UTI ##trombosepulmonar ##trombose ##fy

♬ What a time by Niall Horan and Julia Michaels – ana.tpwk

“Eu acho que eu fiz o uso bem errado do remédio, ainda mais porque a minha mãe já tinha alertado sobre os riscos da pílula do dia seguinte, e eu não deveria ter tomado. Em relação ao anticoncepcional, eu voltei a tomar achando que não teria risco algum, mas deveria ter voltado no médico para saber se poderia”, reflete a jovem.

‘Ideal é que pílula nunca seja usada’

A médica ginecologista e obstetra Júlia Farias explicou ao BHAZ sobre o uso de pílulas contraceptivas emergenciais e o risco que elas podem causar. Segundo a especialista, o ideal é que a pílula do dia seguinte nunca seja usada, salvo em situações de emergência.

Segundo Júlia, a pessoa deve ter um método contraceptivo eficaz e ativo, pois a pílula do dia seguinte é uma dose hormonal emergencial. “Eu sou muito a favor de métodos não hormonais, como DIU [Dispositivo Intrauterino] de cobre e DIU de prata, por exemplo”, acrescenta.

De acordo com a ginecologista, os casos de tromboembolismo causados por pílulas contraceptivas não acontecem em todas as pessoas, apenas naquelas que tem a predisposição para desenvolver a doença. “Aí você vê a importância de um acompanhamento ginecológico, porque a gente vê mais ou menos o risco que aquela pessoa tem”, ressalta.

Doença acomete quem tem risco

“Se a pessoa está usando há muito tempo e não teve nenhum episódio de tromboembolismo, ela não vai ter, porque ela não tem essa predisposição. Agora quem tem, ou outro fator de risco, como por exemplo algum familiar que tenha, realmente não pode usar a pílula de nenhum tipo, o ideal é um método contraceptivo sem hormônio”, explica a ginecologista.  

Laís Amaral nega que sua família tenha histórico de casos de trombose. Entretanto, segundo a especialista, a jovem provavelmente tem a predisposição para a doença, e o uso das pílulas contraceptivas foram fatores determinantes para o episódio de tromboembolismo.

Passados cinco anos desde a internação, maquiadora conta que a doença está controlada e que ela faz acompanhamento médico e uso de medicamentos anticoagulantes. No entanto, ela ainda corre riscos: “Futuramente, se eu tiver filhos, tem que ser planejado por causa dos hormônios da gestação, eu tenho risco de ter outra trombose”, pontua.

‘Aprendi a dar valor à vida’

“Hoje eu lido normalmente com a situação, para mim foi uma coisa de certa forma boa, porque a gente aprende a dar valor à vida, então hoje eu consigo levar super tranquilo”, completa Laís sobre a lição que tirou de tudo o que viveu. Em janeiro deste ano, a maquiadora fez uma publicação em seu Instagram agradecendo pela segunda chance de viver.

Ela escreveu: “Sou muito grata por essa segunda chance, por 5 anos de renascimento, que tenho a oportunidade de ser uma pessoa melhor!”. Laís Amaral também acrescentou: “Anticoncepcional e pílula do dia seguinte não é brincadeira!”. Veja a postagem completa:

Edição: Giovanna Fávero
Andreza Miranda
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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