Mais de 60 pessoas são resgatadas em situação de trabalho escravo em fazendas no interior de Minas

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Local onde trabalhadores ficavam instalados era impróprio (SRTE-MG/Divulgação)

Mais de 60 pessoas foram resgatadas em situação análoga à escravidão em fazendas de café no Sul de Minas. A operação da PRF (Polícia Rodoviária Federal), com auditores fiscais do trabalho e o MPT (Ministério Público do Trabalho), ocorreu em uma fazenda no município de Boa Esperança, e outras duas na cidade de Ilicínea.

A operação foi iniciada no último dia 13, após denúncias anônimas, e finalizada ontem (20). “No decorrer da operação, a força-tarefa encontrou vários trabalhadores rurais em situações de trabalho análoga à de escravidão, submetendo-se a jornadas exaustivas e sujeitando-se a condições degradantes”, comunicou a Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o MPT, foram resgatadas 63 pessoas no total. A primeira ação foi na fazenda de Boa Esperança, onde foram encontrados 30 trabalhadores. Já no município de Ilicínea foram fiscalizadas duas fazendas: na primeira, estavam nove trabalhadores e outros 24, na segunda.

Local onde trabalhadores ficavam instalados era impróprio (SRTE-MG/Divulgação)

Aliciamento na Bahia

Os trabalhadores rurais foram aliciados na Bahia e ainda foram obrigados a pagar a própria passagem de vinda à Minas, além dos gastos com alimentação e outras despesas da viagem. A Polícia informou que as vítimas foram encontradas em situação de trabalho análogas à de escravos, com jornadas exaustivas e condições degradantes.

Os locais onde ficavam alojados eram inadequados e sem mínimas condições sanitárias, os trabalhadores eram obrigados a fazerem suas necessidades no mato. Também não era oferecido EPI (Equipamento de Proteção Individual) ou local apropriado para alimentação.

Nas fazendas não havia água potável, e as vítimas não tinham direitos trabalhistas básicos respeitados, como registro do trabalhador e pagamento mensal do salário.

“Os trabalhadores também não tinham registro em carteira e não estavam recebendo salários. “Já o aliciamento caracterizou-se pela retirada dos trabalhadores de suas cidades de origem, sem o prévio registro em carteira e com cobrança de despesas com transporte e alimentação”, detalhou a equipe de fiscalização.

De acordo com o MPT, os empregadores deverão pagar R$ 396.805,12, e a emissão de 63 Guias de Seguro Desemprego para as vítimas, em três parcelas que poderão ser sacadas a partir de 27 de julho. O custeio das despesas de retorno às cidades de origem no estado da Bahia também foi assegurado.

Edição: Giovanna Fávero
Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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