Máscaras contra Covid-19 ainda são necessárias, dizem infectologistas em resposta a Bolsonaro

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Presidente quer desobrigar uso da máscara de quem já foi vacinado contra a Covid ou quem já se infectou (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O baixo número de pessoas completamente vacinadas contra a Covid-19 (cerca de 11% da população) e a alta taxa de transmissão do vírus, com a média móvel de novos casos da doença acima de 50 mil por dia, não permitem que a população deixe de usar as máscaras neste momento -incluindo os que já receberam algum imunizante ou já foram infectados pelo Sars-CoV-2.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (10) que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, prepara um parecer para desobrigar do uso da máscara quem já foi vacinado contra a Covid ou quem já se infectou com o coronavírus.

O anúncio chocou a comunidade médica e científica, que vê risco de aumento no número de mortes e casos que podem ser evitados com uso de máscaras e distanciamento social -medidas básicas, fáceis de serem seguidas e largamente baseadas em estudos científicos, mas que nunca contaram com o apoio do presidente nem de seus apoiadores.

Para o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a proposta de Bolsonaro é “absurda”. “Nada deve mudar. Infelizmente uma declaração como essa é um incentivo para que as pessoas se infectem mais.”

“Em relação a quem já teve a doença, não se pode garantir que vai ter imunidade pelo resto da vida porque já temos relatos de casos de reinfecção. Mesmo para quem já se vacinou, ainda existem muitas pessoas ainda não vacinadas, e a vacina não garante 100% de eficácia. Essas pessoas mesmo vacinadas podem acabar se infectando e ficando doentes”, disse.

Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), vai na mesma linha. “Infelizmente, não temos nenhuma vacina que garanta 100% de proteção, sempre pode haver alguma infecção que escape do imunizante. Além disso, temos uma circulação do vírus muito grande no país, o que aumenta a chance de algum vacinado ser infectado”, afirma.

A chance de um vacinado se infectar com a doença é muito menor do que a de quem não recebeu nenhum imunizante, e o tamanho dessa proteção varia de acordo com a vacina utilizada.

“Vacinados podem se infectar e transmitir a doença. Mesmo que o imunizado tenha uma chance enorme de ter desfecho positivo se pegar a doença, pode passar o vírus a outras pessoas”, diz Luciana Becker, médica infectologista no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, de São Paulo.

Nos Estados Unidos, as autoridades de saúde anunciaram em meados de maio que pessoas totalmente vacinadas não precisam usar máscara nem respeitar o distanciamento social na maior parte das situações. A proteção segue necessária em ambientes de maior risco, como hospitais e aviões.

Quando a obrigatoriedade das máscaras caiu nos EUA, o país já havia aplicado mais de 260 milhões de doses e cerca de metade da população adulta já estava completamente vacinada.

Weissmann lembra que, em países onde já se desobriga o uso de máscara para vacinados, o número de imunizados é maior, e a decisão gera polêmica. “Mesmo para quem se vacinou, e as regras de prevenção devem continuar as mesmas, manter distanciamento, evitar aglomeração, usar máscara e manter higiene das mãos e ambientes ventilados.”​

Por aqui, pouco mais de 10% da população recebeu as duas doses da vacina anti-Covid. Além disso, as principais vacinas usadas nos EUA, da Pfizer/BioNTech e da Moderna, baseadas na tecnologia de RNA mensageiro, possuem eficácia acima de 95% e oferecem altíssima proteção. Ainda assim, há casos extremamente raros de pessoas vacinadas que desenvolvem Covid grave.

Um desses casos foi relatado pelo jornal americano The New York Times na quarta-feira (9). Uma mulher com mais de 65 anos de idade morreu com a Covid-19 mais de um mês após ter recebido a segunda dose da vacina da Moderna.

A principal vacina usada no Brasil, a CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e produzida pelo Instituto Butantan, apresentou eficácia de cerca de 50% no estudo brasileiro. “Apesar de ser uma vacina muito boa para evitar mortes e internações, vacinados ainda podem adquirir a doença e transmitir o vírus”, diz Becker.

As máscaras também são importantes porque as vacinas não protegem a todos da mesma maneira. Os imunizantes dependem do sistema imunológico para gerar os anticorpos e outras moléculas que funcionam como uma barreira contra a infecção, e, em pessoas que têm um sistema imune mais fraco, a tendência é que essa resposta seja menor ou até mesmo inexistente.

Os mais velhos, pelo acúmulo de doenças crônicas, geralmente contam com um sistema imunológico mais debilitado. Pessoas infectadas pelo HIV, que tenham doenças que enfraquecem o sistema imune ou que tomam algum remédio que inibe a ação das moléculas de defesa -caso de pacientes que receberam transplante de órgão ou alguns pacientes com câncer- também podem ter menor ou nenhum benefício com o uso de uma vacina.

Para esses casos, uma maior segurança contra o vírus só será possível após a vacinação em massa, com cerca de 70% da população imunizada.

As pessoas que já foram infectadas pelo vírus podem contar com alguma proteção, indicam estudos. As reinfecções são possíveis, mas muito raras. Mas as infectologistas alertam que não se sabe por quanto tempo essa proteção dura e nem se uma infecção prévia por uma linhagem do vírus gera resposta imunológica para combater as novas variantes.

“Os estudos mais recentes mostram que a proteção nos já infectados pode durar pelo menos oito meses. Precisamos de mais estudos para entender a duração da resposta imunológica. A pandemia no país já dura mais de um ano, e pode acontecer de alguém já ter sido infectado e perdido a proteção nesse período”, afirma Becker.

Segundo Stucchi, há ainda uma lacuna de conhecimento sobre a proteção dos que foram infectados, mas tiveram uma doença mais leve. “Não é o momento de relaxar nenhuma das medidas de proteção”, conclui.

Nesta quinta, Bolsonaro disse que as máscaras são um “símbolo que tem a sua utilidade para quem está infectado”. Setores da direita americana e brasileira enxergam as máscaras como símbolo contrário à liberdade pessoal. Para a ciência, no entanto, elas são medida potente para barrar a transmissão de patógenos através de gotículas de saliva e aerossóis.

O coronavírus Sars-CoV-2 é sorrateiro, e uma boa parte dos infectados pode não desenvolver sintomas. Em um contexto no qual são feitos poucos testes para detectar as infecções, esses casos invisíveis se alastram com facilidade, fazendo aumentar o número de novos casos rapidamente. Assim, o uso de máscaras e distanciamento social é fundamental, pois nem sempre é possível saber quem está e quem não está infectado.

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