Naji Nahas: Quem é o anfitrião do jantar marcado por deboches a Bolsonaro

Naji Nahas
Naji Nahas foi apontado como responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (Reprodução/Redes sociais)

A sala de Naji Nahas é pano de fundo do vídeo em que o ex-presidente Michel Temer (MDB) aparece rindo de uma imitação do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). O empresário e investidor foi o anfitrião do jantar com políticos e empresários famosos e marcado por deboches ao atual mandatário.

No vídeo que viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (14), Nahas aparece aos risos, à direita de Temer. Outros políticos e empresários estão presentes, como Gilberto Kassab (PSD), presidente nacional do partido do prefeito de Belo Horizonte, e Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro (Patriota). Veja a lista completa dos presentes aqui.

Naji Nahas foi apontado como responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, em 1989, e preso por corrupção e lavagem de dinheiro na operação Satiagraha, em 2008. Conheça mais sobre a história do empresário e investidor libanês.

Quem é Naji Nahas?

Naji Robert Nahas é um empresário libanês, criado no Cairo, capital do Egito, e radicado no Brasil. Ele chegou aqui em 1969, com 22 anos e dezenas de milhões de dólares cedidos pela família para investir, mas se tornou conhecido nacionalmente apenas em 1989.

Considerado um dos maiores especuladores que já operou nos mercados financeiros brasileiros, Nahas montou um conglomerado no Brasil, incluindo empresas, fazendas de criação de coelhos, fábricas, uma seguradora e outros empreendimentos.

Na década de 1980, o empresário começou a investir em ações na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, além de também possuir ações em empresas estatais, como a Vale e a Petrobras. Por meio de “laranjas”, Naji Nahas comprava ações dele mesmo, influenciando ilegalmente o mercado.

Quebra da Bolsa do Rio de Janeiro

Foi no dia 9 de junho de 1989 que o episódio que traria Naji Nahas à fama foi registrado. Cientes de que as operações do investidor na bolsa eram feitas de forma irregular, os dirigentes da Bovespa convenceram os bancos a parar de emprestar dinheiro a ele. As operações de empréstimo eram necessárias para que Nahas continuasse fazendo suas transações no mercado.

Com isso, os vários de cheques do empresário, no valor de 39 milhões de cruzados novos, ficaram sem fundo. Consequentemente, as corretoras que ele usava como intermediadoras das transações ficaram com as dívidas. Três dias depois, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) determinou um recesso de 24 horas nas Bolsas de Valores.

Com o ocorrido, Naji Nahas e os principais envolvidos foram impedidos de deixar o país. Para compensar o prejuízo, a Bovespa confiscou a carteira de ações de US$ 500 milhões do empresário, levando à quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Fragilizada, ela nunca mais se recuperou e, a partir dos anos 2000, as negociações foram transferidas para a bolsa de São Paulo.

Com a quebra da bolsa, Naji Nahas foi indiciado pela Polícia Federal, além de ser multado pela CVM. Ele chegou a cumprir um ano de prisão domiciliar, mas foi inocentado ao defender que não era o único a praticar as “manobras” de mercado que o levaram à prisão.

Mais escândalos

Naji Nahas voltou a ser preso em 2008, ao ser alvo da operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal como um dos desdobramentos das investigações do Mensalão. Além do empresário, foram presos também Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity; o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e outras pessoas.

O investidor libanês foi acusado de comandar um esquema de manipulação e especulação do mercado de ações brasileiro, junto a Daniel Dantas. Acontece que, em 2011, a operação Satiagraha foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a decisão foi ratificada pelo STF em 2015.

Na ocasião, os ministros da Quinta Turma entenderam que as provas da operação ficaram comprometidas com a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação. O ex-delegado da PF Protógenes Queiroz, que comandou a operação, já havia sido afastado por ter vazado detalhes da investigação à imprensa.

Já em 2012, o nome do investidor voltou às manchetes quando a Polícia Militar e a Guarda Municipal realizaram a retirada dos moradores de uma ocupação na região chamada de Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo. A reintegração de posse foi cumprida de forma violenta, provocando revolta ao redor do país.

Naji Nahas foi apontado como um dos interessados na reintegração de posse, já que ele seria credor da massa falida da empresa que era proprietária do terreno.

A mesa de Naji Nahas

Hoje, em 2021, Naji Nahas voltou a ser um dos assuntos mais comentados no país depois de organizar um jantar com empresários e políticos, registrado em vídeo que viralizou nas redes sociais. Na gravação, Michel Temer e os outros presentes aparecem rindo de uma imitação debochada de Jair Bolsonaro feita por André Marinho, filho de Paulo Marinho e apresentador do programa “Pânico”, da rádio Jovem Pan.

“Estou acostumado só com leite condensado só, tá ‘okey’?”, começa. Na imitação, Marinho agradece a Temer por salvá-lo do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes: “No tocante ao presidente eu tenho agradecer e agradecer demais porque tu salvou o careca aqui de levar minha hemorroida, pô”.

Além de André e Paulo Marinho, o fundador e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também aparece nas gravações feitas no apartamento de Naji Nahas. Outras figuras presentes são Johnny Saad, Roberto D’Ávila, Antonio Carlos Pereira, Raul Cutait e José Rogério Tucci.

Edição: Giovanna Fávero
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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