“Quantas obras de arte você têm na sua casa?”. É com essa pergunta, aleatória e um tanto curiosa, que um artista visual do bairro Sagrada Família, na região Leste de Belo Horizonte, tem “quebrado o gelo” e espalhado suas criações pelos quatro cantos da capital mineira.
Natural de Sabará, na região metropolitana, Flávio Duarte faz sucesso nas redes ao abordar pessoas aleatórias na rua e presenteá-las com uma ilustração única e personalizada. Em seguida, o desenho é pintado em uma das paredes da casa do morador de BH, oportunidade que o artista tem de conhecer melhor a intimidade dessas pessoas com a arte.
Em conversa com o BHAZ, Flávio conta que a iniciativa surgiu como uma ideia para divulgar o seu trabalho nas redes sociais. Formado em design gráfico desde 2017, ele é especialista em ilustrações gráficas.
“Com o avanço das redes sociais, nós artistas fomos ‘forçados’ a usar mais vídeos que imagens. Eu conhecia alguns influencers estrangeiros que tinham esse formato de vídeo de visitar as pessoas. Tem um que preparava comidas com o que elas têm na geladeira. Então fiquei pensando em como poderia trazer isso para o lado da arte”, explica.
Criação dos personagens
Após abordar as pessoas na rua, Flávio tenta conhecer um pouco mais da relação que elas têm com a arte. Em seguida, elas sorteiam as características do desenho com base no dia do nascimento e iniciais do nome e sobrenome.
“Cada pessoa tem um personagem único e, mesmo que duas pessoas tenham as mesmas configurações, eu tento fazer um desenho personalizado que tenha a ver com a história de vida da pessoa, com o que ela tem na casa dela”, conta ele.
Além das características sorteadas, Flávio explica que tenta levar a personalidade das pessoas para dentro do desenho. Todo esse processo, segundo ele, demanda cerca de quatro horas de trabalho. Ele conta, porém, que é gratificante conhecer a visão de cada um sobre a arte.
“Todo mundo, de alguma forma, tem uma relação com a arte. Essa é uma coisa que eu tenho percebido. Tem gente que é mais ostensivo e consome obras de artistas, visita feiras e tem vários quadros. Mas tem gente que tem um imã de geladeira de algum lugar que visitou e quer guardar uma memória. Todo mundo, no geral, têm orgulho de mostrar as artes que têm em casa”, comemora.













