Ato cultural contra o impeachment de Dilma reúne belo-horizontinos no Centro

Reprodução/TV Globo Minas

Críticos ao processo de impeachment de Dilma Rousseff fizeram um ato cultural na noite dessa terça-feira (30) em Belo Horizonte. Na Praça Rômulo Paes, no centro da capital mineira, um microfone foi aberto para recital de poesias, discursos e apresentações musicais. Foram lidos textos de autores famosos como João Cabral do Melo Neto e Pablo Neruda. O violeiro Pereira da Viola tocou algumas canções que embalaram a manifestação.

A presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), Beatriz Cerqueira, participou do ato. “Eu quero recitar um breve poema de duas palavras: volta querida! Esta é a melhor resposta que podemos aos machistas, homofóbicos, corruptos, que acham que o lugar da mulher não é na política. Nós não vamos sair da política e esse é o recado por trás do ‘volta querida'”, disse.

A sindicalista avaliou que Dilma Rousseff se tornou vítima de parlamentares corruptos porque não participou de negociatas de bastidores. Segundo Beatriz, novos atos serão feitos mesmo com a consolidação do impeachment. “Não temos tempo para desistir, nem para ficar cansados. Eu fui a Brasília e voltei melhor. Ver aquela mulher firme no enfrentamento a um golpe que também é de gênero nos traz a força necessária para continuar a luta”.

Rogério Correia, deputado estadual do PT, classificou de hipócritas as perguntas feitas pelos parlamentares da oposição durante a sabatina que ocorreu ontem (29) após o depoimento de Dilma Rousseff no Senado. “O Zezé Perrela teve a cara de pau de questionar se ela tinha conhecimento de tudo o que ocorria no governo. Se fosse eu, teria perguntado se ele tem conhecimento de tudo o que ocorre no seu helicóptero”, disse o petista em referência ao episódio de 2013, quando a Polícia Federal apreendeu 450 kg de pasta de cocaína em helicóptero pertencente à empresa do senador mineiro. O aparelho foi devolvido aos proprietários e o piloto Rogério Almeida Antunes se tornou réu, mas responde em liberdade.

Eleições municipais

Quem também discursou foi Maria da Consolação, candidata do PSOL à prefeitura de Belo Horizonte. Ela defendeu que as eleições municipais sejam utilizadas para denunciar o que considera ser um golpe e lamentou que outros candidatos de esquerda não estejam usando suas campanhas para expressar opiniões sobre o processo de impeachment.

Nessa terça-feira, às 22h30, ocorreu o primeiro debate televisionado, organizado pela Rede Bandeirantes. No entanto, Maria da Consolação não participou. Dos 11 candidatos, oito foram convidados: João Leite (PSDB), Alexandre Kalil (PHS), Rodrigo Pacheco (PMDB), Reginaldo Lopes (PT), Délio Malheiros (PSD), Marcelo Álvaro Antônio (PR), Luís Tibé (PTdoB) e Sargento Rodrigues (PDT). Além da candidata do PSOL, também ficaram de fora Vanessa Portugal (PSTU) e Eros Biondini (PROS).

Da Agência Brasil