Como forma de prevenir desastres naturais e até situações pontuais em função de eventos climáticos durante o período chuvoso, a Prefeitura de BH montou um plano de monitoramento e ações de enfrentamento destas situações, composto pela Defesa Civil municipal e outros órgãos, como a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), a BHTrans, a Sudecap – Superintendência de Desenvolvimento da Capital, a Assistência Social, Saúde e outros. Uma das reuniões do grupo foi realizada na manhã desta segunda-feira (5).
A Defesa Civil de Belo Horizonte também tem focado na orientação da população sobre cuidados necessários em situações extremas, como as tempestades, inundações e alagamentos. Dicas de como usar aplicativos de georreferenciamento que auxiliam o motorista a observar, em tempo real, onde há pontos de alagamento. “Quando há o bloqueio de uma via por alagamento, nós também bloqueamos no aplicativo Waze”, explicou o sub-secretário de Defesa Civil de BH, Elcione Menezes.
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Segundo a prefeitura, acompanhamento das chuvas e outros eventos climáticos será feito 24 horas por dia no Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), por uma equipe formada por técnicos e especialistas de diferentes áreas. O Grupo Gestor de Riscos, Desastres e Eventos Climáticos Extremos (GGRDECE) monitora os efeitos dos temporais e define respostas para situações como alagamentos, inundações, enxurradas, quedas de árvores e deslizamentos, além de integrar informações e coordenar as equipes responsáveis pelo atendimento de ocorrências que possam colocar a população em risco.
Obras e intervenções por BH voltadas para o período chuvoso
Grandes obras de drenagem estão sendo retomadas ou executadas em diferentes regiões de BH como parte das ações para aumentar a capacidade de escoamento da água e reduzir o risco de inundações durante o período chuvoso. O superintendente da Sudecap, Maurício Brandão, explica que, entre os principais projetos, estão novos reservatórios, ampliação de canais, implantação de redes de drenagem e intervenções em córregos e ribeirões.
Em Venda Nova, dois reservatórios subterrâneos, Vilarinho 2 e Nado 1, terão capacidade para armazenar cerca de 105 milhões de litros de água cada. O investimento previsto é de R$ 263 milhões. A licitação para a retomada do Vilarinho 2 já está em andamento. A estrutura tem cerca de 50% de funcionalidade e já conta com contrato para instalação e operação das bombas. O Nado 1 passa por revisão de projeto e deve ter as obras retomadas em 2027. Na região Nordeste, a primeira etapa das intervenções no Ribeirão Pampulha também está em execução, com uma estrutura na Praça das Águas capaz de armazenar aproximadamente 27 milhões de litros. Nestes casos, há uma previsão para conclusão das obras em 2027.
Outras frentes estão espalhadas pela capital. Na avenida Cristiano Machado, a segunda etapa das obras do Ribeirão Pampulha terá um novo canal sob a pista no sentido Centro-bairro, com investimento de R$ 261 milhões e previsão de conclusão em 2028. No Tirol, no Barreiro, um novo sistema de drenagem é implantado na Praça Deputado José Raimundo e no entorno. Também estão em licitação as obras do Parque Ciliar do Onça, estimadas em R$ 122,3 milhões, enquanto a requalificação da avenida Francisco Negrão de Lima, na Pampulha, teve a licitação concluída, com investimento de R$ 35,8 milhões.
Mudanças provocadas pelo El Niño justificam preocupação
A Defesa Civil de BH lembrou que o clima da cidade já vem sofrendo alterações em função do El Niño. De acordo com o subsecretário Elcione Menezes, em setembro eram esperados cerca de 50 milímetros de chuva, de acordo com a média climatológica da cidade, mas choveu mais de 250 milímetros. O volume é considerado reflexo destas mudanças, já que BH pode ter tanto episódios de chuva acima da média, quanto de seca e calor extremo. “São dois eventos. Primeiro, a mudança climática e isso já é uma realidade. Então, hoje, nos cabe adaptar a essa mudança. Podemos ter aí, sim, eventos climáticos extremos pela mudança e também pelo El Niño”, disse Menezes.
Hoje, a cidade conta com 48 áreas consideradas de risco que são monitoradas em tempo real. Algumas intervenções são previstas para tentar mitigar os efeitos esperados pelas mudanças do clima, nestas regiões, o que inclui serviços de zeladoria urbana, com limpeza contínua de galerias, manutenção e arborização de áreas, e trabalhos de conscientização da população. Em áreas mais sensíveis da capital, a SLU intensifica e monitoramento e limpeza, quando necessário.
Áreas com risco de alagamento também devem receber mais sinais luminosos instalados pela prefeitura, alertando motoristas e pedestres sobre o risco de prosseguir em situações de acúmulo de água.









