Caminhando pelas ruas de Belo Horizonte, quem é que nunca topou com o desenho de um cupcake nos muros da capital? Além de muito carisma, o “doce” personagem também tem um nome: Bolinho.
Maria Raquel, de 31 anos, é a idealizadora do projeto. Formada na faculdade de Letras, a professora largou a profissão para se dedicar à missão de colorir e adocicar a cidade. Hoje, o hobby se tornou o seu ofício “O bolinho mudou minha vida completamente. Se alguém me falasse há 8 anos que eu seria grafiteira, eu não acreditaria“, conta.
Mas engana-se quem acha que a artista sempre teve vocação pra coisa “Eu não sabia desenhar, eu nunca tinha pegado numa lata de spray e o contato que eu tinha com graffiti era somente de ver na rua“. No entanto, ela se convenceu de que queria tentar “Eu estava animada em começar a pintar e comecei a esboçar algumas coisas que eu acreditava que me representariam bem“, explica.

Dentre suas aspirações, está o que todos amamos: comida. E por gostar de bolos e doces, Maria Raquel resolveu se inspirar em um cupcake para iniciar sua trajetória na arte de rua, o que deu super certo. “Eu nunca imaginaria que o Bolinho seria tão querido pelas pessoas e ainda que isso fosse se tornar meu trabalho.” O Bolinho tomou conta da vida da professora. Hoje, suas atividades giram em torno dele, o que a proporcionou ótimas experiências. “Por causa dele conheci muita gente incrível e ainda recebo um carinho enorme de muitas pessoas que eu nem conheço“, conta a artista.
Além de alegre e divertido, o Bolinho também está sempre antenado aos assuntos contemporâneos. “Como ele é um personagem, eu sempre procuro pensar nele como uma pessoa comum e fazendo coisas bem cotidianas.” Ela diz usar referências como desenhos, músicas, vídeos e até memes na escolha dos temas, que são sempre atuais. “Se tá todo mundo ouvindo uma música, essa é a forma de mostrar que ele também está“, conta Maria Raquel.

A artista diz não traçar nenhum itinerário para pintar o cupcake. Ao todo, são mais 600 Bolinhos espalhados por toda Belo Horizonte. Em seu site, ela mapeou todos os locais onde os fãs podem encontrar o Bolinho. Além de receber muitos pedidos de pessoas que querem o personagem em seus bairros, Maria Raquel também costuma receber pedidos para que pinte novamente algum que foi apagado. “Vou tentando (na medida do possível) atender essas solicitações”, conta.

A grafiteira diz que a principal intenção em pintar o Bolinho é fazer o que gosta, além de ocupar o espaço urbano com algo que não tenha apenas finalidade “prática”. Segundo ela, seria uma forma de transformar um pouco a cidade, deixá-la com o aspecto mais humano e ainda poder compartilhar isso com mais pessoas. Ao escolher o muro a ser pintado, ela tem preferência por locais esquecidos, gerando um contraste entre as cores e a degradação.

De tão carismático, o personagem também foi levado para outros espaços… Através de seu site é possível comprar vários artigos que levam a estampa do cupcake, como camisetas, adesivos e canecas. Além disso, Raquel também recebe convites para pintar paredes fora das ruas, como fez na ala infantil de um hospital. Recentemente, o Bolinho tornou-se até parte do cenário temporário do programa Encontro com Fátima Bernardes, na Rede Globo.
Apesar do Bolinho ser muito querido pelas pessoas, principalmente pelas crianças, sua pintura em um muro não autorizado pode ser considerada crime, assim como a pichação. No entanto, apesar de ser apagado algumas vezes, Maria Raquel continua adocicando o caminho de quem anda por Belo Horizonte.










