BH já tem um Carnaval para chamar de seu e Prefeitura comemora uma festa histórica

Em coletiva, Kalil prometeu que BH terá o melhor Carnaval do Brasil em 2019

Um Carnaval histórico. Assim a Prefeitura de Belo Horizonte definiu a festa em 2018 durante a coletiva realizada nesta segunda-feira (19) no Salão Nobre da PBH. A festa superou expectativas de público, atingindo 3,8 milhões de pessoas, um crescimento de 26% em relação a 2017. O fato produziu reflexos diretos na economia da cidade, que movimentou entre a sexta-feira de Carnaval (9) e a quarta-feira de Cinza (14), R$ 641 milhões. Oficialmente, a folia na cidade terminou nesse domingo (18) e BH foi incluída, pelo Ministério do Turismo, entre os seis maiores destinos do Carnaval no Brasil.  O Google também elegeu a capital mineira como a segunda melhor cidade do país para se curtir a folia.

Diante das avaliações positivas, o prefeito de BH, Alexandre Kalil afirmou  que “em 2019 nós vamos passar de segundo para o primeiro Carnaval do Brasil”.  Kalil tem a expectativa de que a festa para o próximo ano cresça mais que 20% . “Não espere crescimento de apenas 20%, porque, felizmente, o Brasil vai migrar para o segundo melhor Carnaval de rua do país”, afirmou.

“Estamos felizes com esses resultados e temos certeza de que estamos no caminho certo. Através de muito diálogo e interlocução com os diversos atores do Carnaval  e da cadeia produtiva, vamos crescer consideravelmente, mas mantendo,  e até mesmo melhorando, os índices de qualidade”, afirmou o presidente da Belotur, Aluizer Malab, também durante a coletiva. “Demoramos mais de 110 anos para ter um Carnaval nessa proporção. Agora, temos que nos preocupar em não perder. Afinal o Carnaval movimenta e melhora nossa musculatura, gera muito emprego”, complementou.

Para que a festa ficasse “redonda”, foi montada  uma gestão compartilhada coordenada pela Belotur e pelo Centro de Operações da Prefeitura (COP), com mais de 30 órgão municipais como BHTrans, Guarda Municipal (GM), e também estaduais, como a Polícia civil, Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.  Com o COP foi realizado monitoramento em tempo real de blocos de rua e palcos espalhados pelas regionais, com o objetivo de evitar que qualquer possível ocorrência pudesse afetar o andamento e a segurança da festa.

O Carnaval de BH superou as expectativas e atraiu 3,8 milhões de pessoas (Fotos André Fossati)

Segundo dados divulgados durante a coletiva, houve uma queda no número de ocorrências registradas pela Guarda Municipal e Polícia Militar. A PM registrou queda de 30% nos casos de furtos e 31% nos registros de crimes violentos. As ocorrência gerais também caíram entre os atendimentos realizados pela GM, em 15%.

Com relação ao transporte público, a BHTrans classificou como bem-sucedida a Operação Carnaval. Entre a sexta-feira (9) e a quarta-feira de Cinzas (14) 3,9 milhões de passageiros utilizaram os coletivos da cidade. Para a Operação Carnaval, foram mobilizados mais de 500 funcionários por dia para atender à demanda. Pelo metrô da capital passaram 1,03 milhão de pessoas, superando em 30% o Carnaval de 2017.

Com uma equipe de 800 funcionários por dia, 33% a mais que no último Carnaval, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) recolheu das ruas durante os quatro dias, 1,5 tonelada de lixo. A PBH instalou em locais de maior concentração 800 contêineres, cada um com a capacidade de 240 litros.

Neste ano, cerca de 9,6 mil ambulantes trabalharam na folia, vendendo bebida alcoólica ou não, comida e adereços carnavalescos. Como medida de segurança, foi proibida a venda de bebida em recipiente de vidro. Fiscais da PBH fizeram 63  apreensões de mercadorias diversas, inclusive bebidas comercializadas em garrafas de vidro.

Atrações pela cidade

Com o objetivo de descentralizar a festa, a PBH ampliou de três para nove os palcos montados pela cidade. A estimativa da Belotur é que os palcos, com 76 atrações, tenham atraído entre 150 e 200 mil foliões nos cinco dias de programação e mais de 100 horas de música.

O carnaval dos Blocos Caricatos e das Escola de Samba também ganhou atenção. Em 2018, as Escolas de Samba do grupo A receberam R$ 75 mil; as do grupo B, R$ 37,5 mil; e os Blocos Caricatos, também R$ 37,5 mil. Os valores repassados pela PBH representam um aumento de 50% em relação a 2017. A Escola de Samba Canto Alvorada ficou com o primeiro lugar, com o enredo “Grupo Aruanda Embaixador da Cultura Brasileira”. Este foi o 16° título da agremiação. O segundo lugar ficou com a Escola de Samba Cidade Jardim, e o terceiro com a Acadêmicos de Venda Nova.  A primeira colocada recebeu R$ 50 mil, a segunda colocada, R$ 25 mil, e a terceira, R$ 12,5 mil. Entre os Bloco Caricatos, o primeiro lugar ficou com Bacharéis do Samba, Estivadores do Havaí e Mulatos do Samba. Cada bloco vai receber R$14,5 mil. Os resultados foram divulgados na última sexta-feira (16).

O Bloco Baianas Ozadas desfilou na segunda-feira de Carnaval (12), levando milhares de foliões pela região central

Consolidando BH no roteiro da folia pelo país, a PBH informou que este ano conseguiu aumentar o patrocínio da festa. Segundo o órgão, foram investidos, por marcas como a cervejaria Skol e o aplicativo de transportes Uber, R$ 9 milhões, sendo R$ 3,6 milhões em patrocínio direto, e o restante, R$ 5,4 milhões, em estruturas e serviços. O número é bem superior ao R$ 1,5 milhão arrecadados em 2017. “Estes números mostram, de forma definitiva, que o caminho de BH para a folia não tem mais volta. Os patrocinadores descobriram a cidade também como destino de investimentos que antes ficavam concentrados entre Rio, São Paulo e Nordeste”, afirmou Malab.

Planejamento para 2019

Sem dar detalhes, o presidente da Belotur,  Aluizer Malab, apenas informou que o planejamento para 2019 começa em março. Sobre a consolidação do Carnaval, Malab afirmou que não gosta da expressão. “Eu não gosto dessa coisa de consolidado. Experiência é um farol iluminando para trás. A frente está sempre escura. Temos maturidade e condições de melhorar. A ideia do já ganhou pode nos levar para um lugar perigoso”. Para 2019, a PBH pretende promover ainda mais o Carnaval nas regionais.

Entre as críticas ao Carnaval deste ano estavam os banheiros químicos. Muitos foliões reclamaram dos 14 mil banheiros químicos disponibilizados pela PBH, afirmando não terem sido suficientes para os milhões de foliões. A PBH afirmou que a reclamação pode fazer sentido, mesmo dobrando e distribuindo bem os sanitários pelas regiões de folia. “Mas essa questão dos banheiros acaba sofrendo no quesito logística. De forma geral, o número de reclamações foi pequeno”, afirmou Malab.

Xixi que vira adubo

A inovação do carnaval de BH em 2018 veio de uma parceria entre a PBH e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com intermédio da Associação Comercial de Minas (ACMinas). Parte da urina coletada pelos banheiros químicos foi transformada em adubo. A tecnologia desenvolvida pelo Departamento de Química da UFMG é capaz de separar o fósforo presente na urina e reaproveitá-lo na agricultura.

No carnaval 2018 de BH, a inovação foi implementada de forma piloto. Entre os banheiros químicos espalhados pela cidade, seis unidades tinham recipientes próprios para fazer o processo de filtragem da urina. O resultado produziu três quilos de adubo que foram levados para o Jardim Botânico da Capital.

Jefferson Lorentz

Jeff Lorentz é jornalista e trabalhou como repórter de pautas especiais para o portal Bhaz.