Projeto que torna BH capital nacional do ‘grau’ é aprovado em 1º turno na Câmara; entenda

bim da ambulancia
O vereador Bim da Ambulância (PSD), autor do projeto, é praticante do ‘grau’ e acredita que a iniciativa pode quebrar um estigma social (Reprodução/@bimdaambulancia/Instagram)

Quem anda pelas ruas de Belo Horizonte certamente já viu alguém empinando moto. A prática, popularmente conhecida como “grau”, é tão comum por aqui que a cidade agora está perto de se tornar a capital nacional da modalidade. Ao menos é isso que propõe o PL 138/2021, que foi aprovado em 1° turno na Câmara Municipal de BH durante a tarde desta quarta-feira (6).

Coautor do projeto, o vereador Bim da Ambulância (PSD) contou ao BHAZ que é praticante do “grau” e que acredita que a iniciativa pode ajudar a quebrar um estigma social. “O projeto é uma busca por solução a uma lacuna que vem de décadas, não só em Belo Horizonte – onde nós temos referências regionais – como também no estado e no país, aos adeptos da modalidade de wheling, popularizado com ‘grau de rua'”, explica.

“Eu, particularmente, vejo e reconheço como um esporte que, durante todas essas décadas, vem sendo discriminado e sendo alvo de racismo perante parte da sociedade. Assim como nós tivemos historicamente no país a discriminação contra o samba, a capoeira, o funk, esse esporte também é colocado à margem porque, em sua grande maioria, é praticado por moradores de periferia”, acrescenta o parlamentar.

O que muda com o projeto?

A proposta deve ser votada em segundo turno ainda neste mês e, caso aprovada, seguirá para a sanção ou veto do prefeito Alexandre Kalil (PSD). Bim explica que, se viabilizada, a iniciativa vai disponibilizar pistas específicas para a prática na capital e que também serão criadas competições na cidade para que a modalidade caia no “gosto do povo”.

“Belo Horizonte se tornando a capital do grau, nós vamos trazer gente de todo o estado e do país, fomentando o turismo e a economia local. E nós seremos propulsores desse movimento Brasil a fora. Esse é o foco do projeto: trazer uma nova cultura e inserir ela de forma regular, já que o que acontece nas ruas é considerado crime”, explica.

Para o especialista em tecnologias digitais de trânsito, Arthur Fernando Santos Vieira, conscientizar a população sobre as regras da prática do wheling será um ponto primordial para que o projeto seja viabilizado de de forma segura.

“Essa é uma proposta meramente simbólica, como se se criasse uma data comemorativa. Eu tenho a preocupação do significado que isso pode trazer para as pessoas. Elas podem interpretar como se esse título fosse um aval para que a prática seja liberada, ou que seja alguma forma de expressão que não tenha punição, o que não é verdade”, disse ao BHAZ.

Regras de trânsito seguem as mesmas

Atualmente, a prática do wheling em vias públicas é considerada uma falta gravíssima e pode ocasionar na suspensão da CNH (Carteira Nacional de Habilitação), de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro. A legislação é aplicável em todo o território nacional, não podendo sofrer alterações no âmbito municipal.

“Nada vai mudar em termos de direitos e obrigações para o motociclista que está utilizando a via pública. O motociclista que fizer isso no local inadequado sofre uma punição de sete pontos na carteira e, pela legislação atual, ainda perde 10 pontos de tolerância, que é uma nova disposição do Código de Trânsito. Então, em tese, é como se ele perdesse 17 pontos de uma vez”, explica.

Além disso, segundo o especialista, se a prática do “grau” coloca em risco outras vidas, “a pessoa pode ser responsabilizada em outras esferas”.

Edição: Giovanna Fávero
Larissa Reis
Larissa Reislarissa.reis@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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