Colégio mineiro tem a maior média no Enem 2015 entre instituições da rede pública; confira

O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa é o mais bem colocado da rede pública em todo o Brasil (33ª posição) no ranking que lista o desempenho de escolas nas provas do Enem 2015. No levantamento, duas instituições de ensino particular de Belo Horizonte aparecem no top 10 geral. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

As médias foram calculadas com base nas notas das escolas em cada uma das quatro provas objetivas do Enem – linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas – e na redação. As instituições mineiras mais bem colocadas no ranking geral – que engloba as redes pública e privada – são: Colégio Bernoulli (Lourdes) e Coleguium. Confira o levantamento completo (clique aqui).

Reprodução/MEC
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Além do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, o Colégio Militar de Belo Horizonte também se destaca no ranking específico que reúne apenas escolas públicas.

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Ao todo, foram divulgados pelo Inep os resultados de 14.998 escolas, que são aquelas nas quais pelo menos 50% dos alunos do terceiro ano participaram no Enem e esse número equivale a pelo menos dez estudantes. No país, são 25.777 escolas com alunos matriculados no 3º ano do ensino médio regular.

Desigualdade

No ranking geral, considerando também as escolas particulares, a primeira escola pública aparece fora do top 10. Os colégios com melhores médias atendem alunos de nível socioeconômico muito alto ou alto. “O que é preocupante é que o Enem por escola demonstra o quanto o Brasil reproduz desigualdades, entre as privadas, entre as públicas. As escolas que vão bem, são escolas de elite”, diz o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara.

“A larga maioria das escolas ainda deixa muito a desejar”, diz o diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos. “Para mim, mudar o currículo é apenas um lado da moeda. Outro fator muito importante para reduzir a desigualdade que começa na alfabetização é que é preciso ter qualidade e equidade para todos os estudantes e isso passa pela formação do professor”.

Contextualização

O presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Francisco Soares, defende que os dados precisam ser contextualizados. Segundo ele, rankings colocam escolas que selecionam seus estudantes no topo e deixam de considerar projetos pedagógicos que merecem ser conhecidos e podem inspirar mudanças na educação brasileira.

“Divulgar os dados sem dizer que por trás daquele dado existe uma diferença é complicado”, diz à Agência Brasil. “Há escolas que não selecionam seus alunos, que são de nível socioeconômico baixo que precisam ter os projetos conhecidos e inspirar outras escolas”, acrescenta.

Com Agência Brasil

Maira Monteiromaira.monteiro@bhaz.com.br

Diretora-executiva do BHAZ desde junho de 2018. Jornalista graduada pela PUC Minas, acumula mais de 15 anos de experiência em redações de veículos de imprensa, como Record TV e jornal Hoje em Dia, e em agências de comunicação com atuação em marketing digital, como na BCW Brasil.