Ao longo dos últimos 20 meses, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) registrou 140 vazamentos em adutoras da Grande BH. Segundo a empresa, a situação faz parte da “rotina diária de qualquer sistema de distribuição de água”. De acordo com dados divulgados pela própria Copasa nesta terça-feira (8), o problema vai muito além das adutoras de grande porte.
Segundo o levantamento, desde janeiro de 2025, a rede de distribuição de água também registra um grande volume de vazamentos, com média que varia entre 4 mil e 5 mil ocorrências mensais. Somente em julho deste ano, mais de 5,6 mil vazamentos foram contabilizados na Grande BH. A única exceção ocorreu entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, que teve variação de 2 mil a 4 mil casos.
“O número atual de ocorrências e de adutoras afetadas permanece rigorosamente dentro dos patamares normais e esperados para o período quando comparado a anos anteriores”, destacou.
Para conter os vazamentos, a Copasa admitiu que realiza, em média, cerca de 130 intervenções diárias para remendar ou trocar as tubulações. Conforme a concessionária, as constantes obras nas ruas da Região Metropolitana não representam um sucateamento do serviço, “mas sim a prova viva do trabalho diário, contínuo e exaustivo para manter o sistema operacional”. A empresa destacou que são mais de 20 milhões de metros de redes subterrâneas, “com trechos que superam 60 anos de uso”.
Justificativas
No posicionamento oficial encaminhado à imprensa, a Copasa tentou amenizar o cenário caótico na Grande BH, alegando que a ocorrência de vazamentos “é uma contingência técnica inevitável”. Além disso, a concessionária destacou que os casos recentes só ganharam visibilidade “pelo caráter impressionante e de forte impacto visual” e “não pelo aumento atípico no volume global de falhas”.
“Quando ocorre pequenos furos, mesmo em pressões normais para o sistema, a água é projetada a grandes alturas, gerando forte impacto visual sem que isso represente colapso generalizado ou rompimento total da adutora”, explicou.
Segundo a empresa, são vários fatores que provocam os vazamentos na Grande BH. Entre as justificativas está a topografia acidentada da região, com “variações expressivas de até 400 metros de desnível”. Outro motivo, conforme a Copasa, é o aumento das contrações térmicas nas tubulações em decorrência do frio, “tornando-as mais rígidas e suscetíveis a trincas”, disse. Além disso, a Companhia também afirmou que a queda das temperaturas provoca menos consumo de água, “que eleva a pressão interna na rede e força os pontos de menor resistência”, completou.
Economia de água
No pronunciamento, a Copasa ainda faz um “chamado à solidariedade coletiva” e pede que os moradores da Grande BH façam uso consciente da água, principalmente nas áreas onde o abastecimento já foi reestabelecido ou mantido. A Companhia recomenda que uso seja apenas para ocasiões essenciais, não utilizando “em lavagem de calçadas, carros e fachadas”.
Além disso, a empresa destacou que o abastecimento da rede de distribuição de água com caminhões pipa é uma “impossibilidade física e logística em uma grande metrópole”. Segundo a Copasa, esses veículos atuam como “medida emergencial de contingência”, ficando reservados estritamente para hospitais, UPAS, creches e asilos.
Copasa registra vazamentos em série em BH e região
Desde a última semana, a Copasa vem registrando graves vazamentos de água destinada ao abastecimento de imóveis na Grande BH. O problema mais recente ocorreu na madrugada dessa segunda-feira (7), na rua Caetano Pirri, no bairro Milionários. Moradores registraram as ruas da região tomadas pela água.
O rompimento no Barreiro também ampliou os impactos sobre o abastecimento. Ao todo, 65 bairros de Belo Horizonte, nas regiões do Barreiro, Centro-Sul e Oeste, foram afetados. Para atender as áreas prejudicadas, a Copasa mobilizou 17 equipes operacionais, seis equipes de logística e caminhões-pipa.
A companhia informou ainda que a frota de caminhões-pipa está priorizada para atender hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e outros serviços essenciais. Aos moradores que já têm água nos reservatórios, a orientação é economizar e priorizar o uso para atividades essenciais, como forma de ajudar a acelerar a recuperação do sistema, principalmente nas regiões mais altas e nas pontas de rede.
Outros vazamentos
O episódio no Barreiro ocorreu depois de uma sequência de problemas registrados em diferentes pontos de Belo Horizonte. Desde a última segunda-feira (31), equipes da Copasa trabalham na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada, na região Oeste, após o rompimento de uma adutora que afetou o abastecimento de milhares de moradores.
As obras de conexão da nova adutora foram concluídas no sábado (5), quando a companhia informou que o fornecimento começou a ser normalizado. No domingo (6), segundo a empresa, ainda havia apenas ocorrências pontuais na região.
No entanto, também no domingo, uma rede de distribuição de água se rompeu no bairro Cidade Nova. O novo problema ocorreu justamente quando o abastecimento começava a ser retomado em áreas afetadas pelo rompimento no bairro Nova Granada.












