Do crime à música: Conheça a história do belo-horizontino que encantou no X-Factor Brasil

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A edição brasileira do X-Factor, show de talentos mundialmente conhecido, franqueado pela Rede Bandeirantes, recebeu um belo-horizontino para lá de carismático. Marlon Claiton Monteiro, ou Master Drago, como é conhecido, encantou ao público com sua participação e principalmente com sua história de vida. Apesar de não ter sido selecionado para a próxima etapa, Drago mostrou-se mais que uma promessa. Ele é uma realidade.

O cantor de R&B brasileiro se mostrou um exemplo de superação. Dos seus 29 anos de vida, há 12 ele se dedica a música. No entanto, antes disso, Master teve experiências na criminalidade e precisou reorganizar sua vida para viver seu sonho de cantar.

O que a gente quer tem a ver com o que a gente busca. Se você quer qualidade, você ‘cola’ com pessoas de qualidade. Eu não quero ser salvador do mundo, só não quero que falem que não tem como ser uma pessoa melhor“, afirmou ao Cultura de Rua.

Exemplo de superação

Master conheceu o crime ainda muito jovem, com 11 anos de idade. Em entrevista ao Bhaz, ele contou que, em sua infância, conviveu com conflitos familiares e econômicos, como o pai que era alcoólatra e a casa de apenas um cômodo que morava com a família.

Assim, buscando uma forma de sobrevivência que permitisse algo além do que a realidade lhe proporcionava, Drago ingressou no tráfico de drogas. “Quando você é novo e sem referência nunca sabe dizer o que é certo. Acabei entrando para o crime, ganhei muita grana, mas tive um choque de identidade. A galera sempre falava que eu tinha algo que ia muito além disso“.

Em sua caminhada, Master teve perdas irreparáveis, como as de seus três irmãos, que, ainda adolescentes, morreram como vítimas do tráfico. A fatalidade fez com que Master e sua família mudasse de bairro, e, também, de vida.

Eu comecei a criar um personagem que é o Master, ele é diferente de todos, porque quando as pessoas levam uma ‘porrada’, elas evitam aquilo novamente, eu não, sempre fui um cara que continua seguindo em frente. Meu personagem tomava uma ‘porrada’, levantava e seguia em frente“.

A decisão de mudar não foi fácil, os obstáculos financeiros voltariam a ser um problema, mas esse foi o caminho que o artista decidiu seguir. “Passo por dificuldades, mas eu escolhi passar por isso“.

Toda a sua garra ele dedica aos irmãos e amigos que perdeu nessa caminhada. “É como se tudo o que eles foram tivesse passado para mim. É como se eu tivesse recebido um legado e não tivesse parado de correr atrás. Essa vitória não é só minha, a conquista é nossa“.

 

Participação no reality

A inscrição de Master no show de talentos foi feita por insistência da família. O cantor diz não acreditar em reality shows, mas decidiu aceitar o desafio por considerar uma experiência positiva. “Não acho ideal você querer colocar identidade própria em um programa que eles estão atrás de cópias“.

Para participar das eliminatórias, o cantor ficou das 8h até a 1h da madrugada na fila com outras centenas de participantes. Na eliminatória do dia seguinte não foi muito diferente. Das 9h às 22h. “O dia todo era assim: muito frio, muito calor, muito frio, muito calor“.

Apesar do desgaste, as estruturas do lugar deixaram o artista maravilhado. “É outro universo e para mim foi muito interessante“. Por ser um artista independente, que construiu sua história nas ruas, poder se apresentar em rede nacional, em um programa de renome, já foi uma vitória para ele. “Fazer parte do X-Factor foi só o começo de algo muito bom que está por vir“.

Apesar de não ter sido aprovado na audição, Master afirma ter ficado muito satisfeito com a apresentação. “A resposta que queria ter sobre algumas coisas que eu busco, eu tive. Coloquei a plateia toda em pé gritando o meu nome, mas essa parte eles não mostraram“. O cantor também conta que, a pedido dos jurados, cantou a capela, que também não foi ao ar.

Carreira

Quando decidiu que queria viver da música, Master ainda não sabia cantar, e isso fez com muitas pessoas desacreditassem do seu sonho. “Fui chamado de louco, as pessoas riam de mim“.

Mas ele seguiu atrás de seu objetivo e hoje já trabalha na produção do seu terceiro disco (ouça aqui). O novo álbum preparado pelo cantor fala das pessoas que passaram por sua vida e saíram. “Quero falar de histórias reais, conquistas reais. Quero ser uma referência real, viva. Não uma mentira“.

Assim, o artista segue construindo o próprio espaço. Procurando as “pontas soltas” no mercado musical e seguindo no caminho oposto ao visto no cenário da música de Belo Horizonte. “Preferi correr atrás dos lugares onde ninguém está“.

Atualmente, Master ainda não vive da música. Ele é educador cultural e professor de dança de salão. É pelas ruas que ele divulga seu trabalho musical, vendendo seus CDs. “Eu não quero voltar ao crime, então o que eu tenho que fazer? Ficar criando“.

Jéssica Munhoz

Jessica Munhoz é redatora do Portal Bhaz e responsável pela seção Cultura de Rua.