“Seria a primeira vez da minha filha na praia. Era o sonho dela”, relatou ao BHAZ, Maria Luiza Pereira de Souza, de 27 anos, mãe da pequena Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, que morreu no grave acidente envolvendo um ônibus clandestino, no último domingo (16), na Serra de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Maria Luiza é uma das sobreviventes do acidente que também matou a irmã dela, Priscilla de Souza Braz, de 33 anos.
A viagem, organizada no estilo “bate-volta”, saiu da porta da Prefeitura de Belo Horizonte, no Centro, no sábado (15), às 21h, com destino a Copacabana no Rio de Janeiro. Para Lavínia e os três irmãos, era uma ocasião especial. “A Lavínia ficou falando: ‘Vai, mãe, por favor, deixa eu conhecer a praia'”, contou Maria Luíza, lembrando que seria a primeira vez que ela conheceria o mar. O grupo familiar era composto por Maria Luíza, quatro filhos (de 1, 4, 7 e 10 anos), a irmã, uma tia, uma cunhada e quatro vizinhos da comunidade Acaba Mundo, na Região Centro-Sul da capital.
Desde a saída da capital mineira, a velocidade do ônibus gerou apreensão. Maria Luíza disse que chegou a alertar o guia turístico, identificado como Caio, por diversas vezes. “Eu já estava avisando há tempo… o ônibus balançava para lá e para cá. Eu fui, chamei o guia e falei: ‘Pede o motorista para ir devagar, porque eu tenho uma menina autista, ela está com medo'”.
Segundo ela, o guia não teria dado muita atenção e teria dito que o balanço era normal para um veículo de dois andares. O homem teria falado que precisava chegar cedo no Rio de Janeiro para que pegasse o amanhecer do sol. Inquieta, Maria Luíza não conseguiu dormir. “Eu falei: ‘Moço, eu não estou caçando diversão, eu quero ir viva e não morrer dormindo'”, desabafou ao guia, que teria respondido que ela era “boba demais”.
Durante a descida da serra, a sobrevivente percebeu manobras arriscadas. Ela disse que o ônibus “apagou e acendeu” os faróis antes de entrar em uma curva com velocidade excessiva. No momento em que o veículo começou a tombar “Minha irmã gritou: ‘Segura a bebê, Luíza, não solta!'”.
Maria Luíza conseguiu proteger a filha de 1 ano que estava no colo e sofreu apenas escoriações. O filho de 10 anos não teve nenhum ferimento. No entanto, a tragédia atingiu Lavínia e Priscila, que haviam sido orientadas pelo guia a sentarem juntas pouco antes do acidente. “Deu traumatismo craniano nas duas. As duas morreram abraçadas”, lamentou.
Para ela, o motorista do ônibus foi imprudente. “Foi culpa do motorista porque nós pedimos o tempo todo para ele não ir correndo”. Maria Luíza também criticou a falta de suporte direto da empresa responsável pela viagem, que teria enviado terceiros para tratar apenas dos custos do funeral.
Além das perdas fatais, a tia de Maria Luíza permanece internada em estado grave no Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, com fraturas na costela. O corpo de Lavínia chegará em Belo horizonte na noite desta segunda-feira (17).
10 vítimas
Foram identificados os dez mortos no acidente entre um ônibus de turismo, que seguia de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e tombou na madrugada desse domingo (16), na BR-040, em Petrópolis, Região Serrana do Rio. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a décima vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.
Os corpos passaram por exames periciais no Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis. Entre as vítimas estão uma criança de 7 anos e oito mulheres, com idades entre 19 e 53 anos. Uma jovem, grávida de 4 meses, também morreu.
Ketelyn Poliana, de apenas 19 anos, viajava com o marido, Gabriel Bernardes, que sobreviveu ao acidente. Ele foi socorrido e, depois, ficou responsável pela liberação do corpo da companheira no IML.
A décima vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado ao PRPTC de Nova Iguaçu. A 105ª DP (Petrópolis) investiga o caso.
As vítimas identificadas são:
- Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos;
- Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7 anos;
- Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos;
- Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos;
- Keyla Perucci da Silva, de 35 anos;
- Priscilla de Souza Braz, de 33 anos;
- Natália Fimiano de Barros, de 34 anos;
- Dayanna de Lima Viana, de 36 anos;
- Vania Elida de Jesus Crispim, de 33 anos;
- Alessandra Pereira, 34 anos.
Polícia investiga o que causou o acidente com ônibus que saiu de BH
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que diligências estão sendo realizadas para esclarecer todas as circunstâncias da tragédia.
Em nota, a empresa responsável pelo ônibus afirmou que está colaborando com as autoridades e adotando medidas para prestar assistência às vítimas e aos familiares. A Estrela Guia também lamentou o ocorrido e pediu respeito à privacidade das famílias e das pessoas afetadas.
“A Estela Guia está acompanhando de perto a situação e disponibilizando o suporte necessário, ao mesmo tempo em que aguarda a conclusão das investigações para que as circunstâncias do acidente sejam devidamente esclarecidas”, diz o comunicado.












