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Denúncia de gasolina adulterada em posto da Zona Norte de BH enfurece internautas

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Reprodução/Facebook

Um vídeo publicado no Facebook tem repercutido entre internautas belo-horizontinos, desde a sexta-feira (6), e chamado a atenção principalmente de motoristas. A gravação se trata de uma denúncia contra um posto de combustível que estaria vendendo gasolina adulterada. As imagens foram registradas no bairro Providência, Zona Norte de BH, e têm mais de 60 mil visualizações.

Uma mulher, de 35 anos, foi a responsável por denunciar o caso à Polícia Militar (PM), mas não aparece no vídeo. É o marido dela quem faz o alerta para que moradores da cidade não abasteçam no Posto Mil. O estabelecimento fica na avenida Doutor Benedito Xavier. O denunciante chega a mostrar uma garrafa pet com o que seria a gasolina adulterada e o líquido visto no recipiente é branco. Também é possível ver uma viatura da PM estacionada no local.

Aos militares, a autônoma Cleide da Silva contou ter abastecido R$ 20 no posto na quarta-feira (4). Ela disse que o carro parou no dia seguinte e que o levou a um mecânico. Na vistoria, o profissional identificou o motivo pelo qual o veículo não ligava: a gasolina usada teria sido misturada com água. A mulher voltou ao posto para conversar com funcionários do local. Após ser maltratada, resolveu chamar a polícia. A ideia de gravar a situação foi do marido dela.

Ao Bhaz, Cleide contou que utiliza o carro, um Fiat Strada, para vender lanches na rua. Ela disse ainda que, após a divulgação do vídeo, recebeu ameaças de ser processada por divulgar a imagem do posto e que não recebeu nenhum contato por parte dos responsáveis pelo estabelecimento. A vendedora pretende procurar um advogado para cobrir prejuízos.

“Eu abasteço no posto há muito tempo e o carro começou a dar problemas no ano passado”, disse a proprietária do Santa Gula Lanches. “Uma vez a bomba de gasolina estourou e em outra situação o carro pifou durante a madrugada”, explica. “Levei o carro ao mecânico várias vezes e tive muito transtorno. Só agora entendemos esse monte de problema”, comenta.

“Depois da última vez em que abasteci no Posto Mil, ficamos vários dias sem trabalhar. O mecânico me disse que não havia nada de errado com o carro e decidiu ver a gasolina”, conta. “Tiramos uns nove litros de combustível e estava branco, tinham misturado água”, disse.

“Quando cheguei ao posto para explicar a situação, fui super maltratada. Um dos frentistas disse que não podiam fazer nada, já que eu não estava com nenhuma nota fiscal”, relata. “Tentaram me enrolar perguntando se eu havia lavado o carro e que a água poderia ter caído no tanque de combustível. Eu abasteço no posto por comodidade. É perto da minha casa e, como tinha costume de ir lá, não pedia nota fiscal”. “É uma sacanagem o que fizeram”, lamenta.

“Eu levei uma garrafa pet com a gasolina misturada para eles verem e os frentistas queriam que eu deixasse lá, mas não deixei. Trabalhei demais para pagar o carro e acontecer isso. Vou procurar meus direitos. Eu não sei de tudo, mas a gente não é bobo. Depois de muita conversa falaram que eu tenho que ir até um escritório no bairro Ipiranga para ver o que podem fazer. Até agora não recebi nenhum contato”, pontua.

Outro caso

Outro morador do bairro, Kerley Ronaldo Ferreira também diz ter sofrido prejuízos com a gasolina do Posto Mil. Ele contou ter mandado dois carros para uma oficina depois que os veículos apresentaram problemas nos tanques de combustível. “Eu fiquei muito decepcionado. Moro perto do posto e costumava abastecer lá”, diz o eletricista de 39 anos.

“Conheço mais de 20 pessoas que sabem disso e vou conversar com um advogado. Tinha que juntar todo mundo e processar o posto”, sugere. “Eles não podem ficar impunes”, completa.

Respostas

O Bhaz tentou contato com responsáveis pelo posto, mas ninguém se disponibilizou a conversar com a reportagem sobre o caso. Em uma das tentativas, um funcionário do estabelecimento que aparece como representante do local no registro da PM desligou o telefone ao ser questionado a respeito da situação. Antes, ele negou trabalhar no Posto Mil e disse desconhecer as informações.

Postos irregulares em Belo Horizonte

No ano passado, sete postos de combustíveis foram autuados por irregularidades em Belo Horizonte. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a ocorrência mais comum está relacionada ao armazenamento de produtos fora das especificações. Apenas em um endereço, no Centro da capital, é que a gasolina estava fora dos padrões exigidos pelo órgão. A lista completa pode ser conferida neste link.

Como denunciar

A ANP informa que postos de combustíveis com suspeitas de irregularidades devem ser denunciados por meio do site da agência ou pelo telefone 0800 970 0267. Para registrar a queixa é preciso informar o maior número de informações possível sobre o posto – como CNPJ, razão social, endereço e distribuidora. Também é importante ter a nota fiscal do abastecimento.

Roberth R Costa

De estagiário a redator, produtor, repórter e, desde 2021, coordenador da equipe de redação do BHAZ. Participou do processo de criação do portal em 2012; são 11 anos de aprendizado contínuo. Formado em Publicidade e Propaganda e aventureiro do ‘DDJ’ (Data Driven Journalism). Junto da equipe acumula 10 premiações por reportagens com o ‘DNA’ do BHAZ.

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