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Investigação mira personal trainer sedutor de BH, suspeito de dar golpe em clientes bem-sucedidas

15/09/2025 às 13h00 - Atualizado em 15/09/2025 às 17h15
(Reprodução/redes sociais)

Um homem educado, sedutor, profissional experiente e repleto de clientes com boas condições financeiras. Esta costuma ser a descrição dada ao personal trainer Vinícius Araújo Antunes por quem tem o primeiro contato com ele. No entanto, nos últimos meses, ele se tornou alvo de denúncias de clientes e ex-namoradas que o acusam de estelionato, violência patrimonial e psicológica. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apura o caso.

O homem atende em Belo Horizonte e em Nova Lima, na Região Metropolitana da capital mineira. Ações ajuizadas na Justiça denunciam que ele costuma vender pacotes de atendimento personalizado, cobrar o valor anual e forjar situações para lançar o pagamento repetidas vezes no cartão de crédito dos clientes. Apenas um escritório de advocacia de BH já reúne mais de 10 supostas vítimas, com prejuízos que ultrapassam R$ 200 mil.

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As ex-companheiras do treinador o acusam, ainda, de roubar dados pessoais e abrir contas bancárias, sem a autorização, para usá-las como meio para recebimento das mensalidades cobradas indevidamente.

Modus operandi

As ex-clientes relatam que o modo de agir de Antunes é sempre o mesmo. O primeiro contato era por meio de redes sociais. Ele as seguia e lá enviava um convite para conhecer os pacotes de treino. Quando os potenciais alunos clicavam no perfil dele, encontravam muitos amigos em comum.

“Primeiro ele faz uma rede de confiança. Ele entrou no meu perfil e saiu seguindo muitas pessoas da minha profissão e começou a enviar mensagens profissionais, falando que é especialista em fisiologia esportiva. Quando eu marquei uma aula experimental, ele falou que dava aula para pessoas do hospital onde eu trabalhava. Ele é muito convincente”, relatou uma vítima ao BHAZ.

Vinícius Araújo Antunes faz contato com potenciais clientes pelas redes (Reprodução/redes sociais)

O próximo passo, segundo as denunciantes, era garantir a venda do pacote. Para isso, o educador físico oferecia descontos consideráveis para quem fechasse a negociação rapidamente.

“Eu fechei o plano anual e comecei a treinar. Logo no início, Vinícius me enviou uma mensagem falando que teve problemas com a operadora do cartão de crédito, por ter colocado para começar a cobrar em 90 dias em vez de 30 dias. Ele me perguntou se poderia cancelar a transação, fazer o estorno e refazê-la para corrigir o prazo”, conta outra vítima sobre o início da dor de cabeça.

“Eu disse que assim que o banco confirmasse o chamado, passaria o cartão novamente, mas se passaram 10 dias e meu marido não conferiu com a operadora do cartão. Em uma aula, Vinícius me falou que estava com problemas de saúde na família e perguntou se poderia passar o cartão novamente. Eu acabei passando. Depois, meu marido conferiu e descobriu que a primeira não tinha sido cancelada”, completou a mulher sobre o momento em que descobriu se tratar de um golpe.

A vítima, que não quis ser identificada, denuncia que começou uma saga para ser ressarcida, mas não conseguiu. O prejuízo dela foi de R$ 18 mil.

Mais uma aluna teve o mesmo valor de prejuízo. “Eu falei com ele que queria cancelar o plano. Ficamos em um embate durante quatro meses. Depois disso, combinamos que ele faria o estorno total e eu pagaria apenas por três meses de aula. Ele me mandou um print do banco falando que já tinha resolvido, mas a minha gerente checou e falou que não era verdadeiro”.

Em outros casos, segundo os relatos, o treinador não fez cobrança duplicada, mas não entregou o serviço. “As primeiras aulas até aconteceram, por cerca de sete dias. Depois, ele começou a inventar desculpas, ficar sem agenda e falar que a avó dele morreu. Nunca tinha horário disponível”, comenta outra cliente que não conseguiu marcar aulas e já havia pago pelo plano anual.

Perfil das vítimas

Os relatos apontam que as vítimas têm perfil muito parecido. A maior parte são mulheres profissionais da saúde, como médicas, mas também há homens na lista de reclamantes. Um deles, também médico em Belo Horizonte, acionou a Justiça para tentar o ressarcimento de R$ 23 mil que Vinícius teria cobrado indevidamente dele.

A ação aberta em janeiro deste ano ainda está em andamento e aguarda análise do Judiciário. O treinador físico já se manifestou no processo e negou as acusações. O homem alegou que as cobranças duplicadas foram estornadas.

O BHAZ ouviu cinco mulheres que acionaram a Justiça contra ele. Quatro são médicas e uma é nutricionista. “Ele sempre falava que conhecia alguém que trabalhava no mesmo hospital que eu. As pessoas podem pensar que nós fomos bobas, mas ele é muito convincente. E eu nem tinha interesse nele. Eu sou casada e meu marido sabia que eu estava contratando um personal”, desabafou uma das vítimas.

Relacionamentos

O advogado Bruno Correa Lemos atende parte das vítimas. Dentre elas, três ex-namoradas de Vinícius. Além de acionar a Polícia Civil e a Justiça, elas pediram medidas protetivas contra o educador físico. Uma investigação feita pelas próprias mulheres aponta que, durante o relacionamento, Vinícius teria pego dados pessoais das companheiras para abrir contas em bancos.

Ele usava essas contas para passar o pagamento de novas vítimas, já que estava com o nome negativado. As mulheres, no entanto, alegam que nunca souberam do esquema. “Nós estamos tentando junto às plataformas de cartão o cancelamento destas contas que eram usadas por ele. As senhas eram definidas pelo Vinícius e o e-mail de cadastro era o dele próprio. Agora, as vítimas não conseguem acessar as contas para cancelá-las”, explica o defensor.

Uma nutricionista de Belo Horizonte, por pouco, não caiu no golpe financeiro. “Meu prejuízo foi psicológico”, desabafou. A mulher conheceu o educador físico em uma rede social no início de agosto. Na última semana, ela recebeu ligação de uma ex-namorada que revelou as denúncias que caíam sobre Vinícius.

“Conversando com outras vítimas, percebi que ele agiu da mesma forma com todas. No início, levou em bons lugares, no mesmo restaurante, pediu o mesmo prato e, depois, fomos na mesma sorveteria”, relata.

Quando percebeu a situação, a profissional da saúde parou de falar com o personal. O homem até tentou contato com ela por meio de redes sociais, mas foi bloqueado.

“Na sexta-feira passada, uma médica me procurou falando que ele ofereceu os serviços para ela e comentou que era meu namorado. Eu descobri que, assim que começamos a conversar, ele já estava usando o meu nome para atrair vítimas. Então, eu solicitei uma medida protetiva contra ele”, lamentou a nutricionista.

As denunciantes também chamam a atenção para o estilo de vida luxuoso ostentando pelo treinador. Frequentemente, ele é visto em viagens internacionais, para destinos balados e eventos caros.

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a existência de investigação contra Vinícius Araújo Antunes, no Departamento Estadual de Investigação de Combate à Corrupção e às Fraudes.

“Estamos pedindo ressarcimento dos valores cobrados indevidamente, além de dano moral. Estamos correndo atrás da responsabilização e tomando as medidas cabíveis para o ressarcimento das vítimas”, declarou o advogado Bruno Correa Lemos sobre as ações judiciais.

Outro lado

O BHAZ procurou Vinícius Araújo Antunes para comentar sobre as denúncias. Em nota enviada à reportagem, ele negou os delitos.

“Gostaria de informar, inicialmente, que ainda não fui intimado para prestar meus esclarecimentos na Delegacia, como também não tive acesso aos materiais das investigações”, abriu o texto.

“Posso afirmar que tenho e sempre tive respeito com todos os meus alunos e alunas, assim como com as pessoas com quem me relacionei afetivamente, não tendo praticado nenhum ato de violência ou fraude”, declarou ao afirmar que está à disposição das autoridades “para esclarecer os fatos e acusações, e apresentar as minhas provas, inclusive no sentido de que estou arcando com a devolução de valores aos alunos insatisfeitos em razão de desacordos comerciais.”

“Por fim, gostaria de registrar que a minha família tem sofrido ameaças, o que considero inaceitável, desproporcional e desumano”, completou.

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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Pablo Nascimento

Email: pablo.nascimento@bhaz.com.br

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