Após mobilização, homem que comia ração por falta de alimento vai ganhar casa nova na Grande BH

Jorge Gomes
Com a ajuda, Jorge hoje come com dignidade (Cleison Gomes/Arquivo pessoal)

A história de Jorge Gomes, morador de Igarapé de 51 anos, comoveu centenas de pessoas ao ser compartilhada nas redes sociais. Em julho deste ano, um amigo revelou que o homem chegava a comer ração de cachorro quando não conseguia comprar alimento (relembre aqui). Com a mobilização de vários doadores, agora Jorge vai ganhar uma casa nova na cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

Cleison Borges de Souza, que compartilhou a história de Jorge e criou uma campanha para ajudá-lo, conta que arrecadou cerca quase R$ 13 mil com a ajuda de quem se solidarizou. Paralelamente, Henrique Rocha, conselheiro do Instituto Galo, também se comoveu e criou uma vaquinha, que juntou cerca de R$ 14 mil.

Com outros meios de arrecadação, eles receberam ainda mais dinheiro e já conseguiram regularizar a situação do lote, da luz e da água na casa atual de Jorge Gomes. Depois disso tudo, ainda sobraram R$ 32 mil, que serão investidos na construção de uma nova casa.

Casa nova

Cleison conta que a casa em que Jorge mora hoje corre risco de desabar e não pode ser reformada. Por isso, eles decidiram construir uma do zero, no mesmo lote. “Vai ser uma casa pequena, com um quarto, sala, cozinha, banheiro e varanda, mas com todo o conforto para ele”, detalha.

“Achamos mais fácil juntar todo o dinheiro em uma só conta, então ficou tudo com o Instituto Galo. Como eles precisam prestar contas, estamos só terminando de contratar prestadores de serviço que emitam nota fiscal para começar a obra”, explica Cleison Borges.

O amigo ainda conta que o lote onde Jorge Gomes mora não tem muro ou portão, ou seja, fica desprotegido noite e dia. O morador até queria investir o dinheiro em um muro, no lugar da casa nova, mas Cleison não aceitou deixá-lo em uma casa que corria risco de desabar.

“Vamos fazer essa obra, e se sobrar algum dinheiro compro uns tijolos e faço um vídeo pedindo ajuda para completar o valor do muro”, completa. Quem já quiser contribuir para que Jorge consiga um muro e um portão no lote pode enviar qualquer valor para o PIX de Cleison: a chave é 09184691638. Os interessados também podem acompanhá-lo pelo Instagram, onde ele publica atualizações sobre a jornada de Jorge, neste link.

Comida boa e qualidade de vida

Com a repercussão do caso, Jorge Gomes agora também come com dignidade: toda semana, Cleison faz compras para ele e abastece a casa com carne, arroz e outros mantimentos. “Eu até cheguei a dar um cartão para ele, mas só comprou bombom, besteira, igual menino”, brinca.

Por ser voluntário da Cufa (Central Única das Favelas) Igarapé, Cleison também recebe doações, que contribuem para a alimentação de Jorge. Além disso, o amigo já o levou ao dentista – que vai colocar em Jorge uma dentadura e alguns implantes -, para cortar o cabelo e fazer a barba; e até para visitar a obra da Arena MRV, futuro estádio do Atlético, seu time do coração.

Jorge na Arena MRV
Jorge Gomes foi conhecer a obra do estádio do Galo (Cleison Borges/Arquivo pessoal)

Relembre

Um vídeo gravado por Cleison mostrando a situação de vulnerabilidade do local onde Jorge Gomes mora viralizou nas redes sociais no fim de julho deste ano, emocionando a todos. Os dois já se conheciam porque trabalharam juntos, e Cleison contou ao BHAZ como chegou até o conhecido que não via há três anos.

“Uma pessoa mandou um vídeo mostrando a situação dele e pedindo ajuda. Na hora reconheci que se tratava do Jorge e pensei em ajudá-lo. Ele sempre foi uma pessoa boa e nos alegrava no serviço”, conta. Cleison foi visitar o amigo e levou uma cesta básica, além de calçados. “Pedi autorização e ele permitiu que mostrasse a casa onde mora”.

As imagens mostravam um lugar muito simples e com condições precárias. Ao ser perguntado sobre o que mais precisa, Jorge disse: “De um banheiro”. O quarto onde dorme tem apenas uma pequena televisão onde acompanha o que acontece e assiste os jogos do Atlético. Na geladeira, conforme ele mesmo disse e mostrou, só havia água.

Jorge estava desempregado há seis anos e as dificuldades financeiras fizeram com que ele não tivesse o que comer em muitas vezes. Quando isso acontecia, ele se alimentava com ração de cachorro. “Como ração pura. É de cachorro, mas serve pra mim também. Eu como qualquer coisa. Só não pode passar fome”, contou mostrando o balde.

“Quando ele me disse e mostrou que comia ração de cachorro, vi que a situação de vulnerabilidade era ainda maior. Confesso que pensei que ele estava brincando, mas disse que mistura ração com feijão para comer”, conta Cleison.

Uma cesta básica foi doada para Jorge no dia em que o vídeo foi gravado. Ele apareceu beijando os alimentos como forma de agradecer a ajuda recebida. Uma rede de solidariedade se formou após a divulgação do vídeo com a situação de Jorge. 

Edição: Giovanna Fávero
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduanda em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

Comentários