A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou nesta terça-feira (19) novas informações sobre a morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos. A reviravolta descarta um possível suicídio no dia 9 de fevereiro deste ano e o caso passa a ser investigado como feminicídio. O principal suspeito é o namorado da vítima, um homem de 45 anos, que foi preso temporariamente na última sexta-feira (15).
Giovanna morava em um apartamento na Savassi, Região Centro-Sul da capital. Ela foi encontrada morta e sem roupa, em cima da cama, por uma amiga que tinha a chave do imóvel. Segundo a delegada Ariadne Coelho, o agressor aproveitou da vulnerabilidade da jovem para despistar a polícia. “A cena estava toda estruturada como se fosse suicídio. Tinha um vidro de clonazepam vazio, tinha um comprimido na cama”, disse.
A delegada disse ainda que o histórico de saúde mental da vítima foi usado de forma estratégica pelo suspeito. “Ela já tentou suicídio outras vezes. E isso foi utilizado como subterfúgio, um prato cheio aí para camuflar o possível feminicídio. Mas o laudo de necropsia foi categórico ao apontar que a causa da morte foi asfixia mecânica por sufocação direta, contradizendo a narrativa inicial”.
Controle emocional
A vítima e o suspeito tiveram um relacionamento de 4 meses. De acordo com a investigação, o relacionamento era de muito controle. “Muitas vezes esses agressores desqualificam essa vítima, tentam culpabilizá-la, afastam dos familiares, dos amigos e retiram totalmente a possibilidade dessas mulheres viverem plenamente com a humanidade. Giovanna, que era engajada em movimentos feministas e vaidosa, apresentou um retraimento social severo e mudou até o modo de vestir após conhecer o suspeito”.
Além do controle emocional, a polícia descobriu que Giovanna tinha cerca de R$ 200 mil de uma herança e um apartamento próprio na Savassi. Logo após a morte, o suspeito tentou judicialmente o reconhecimento de união estável para conseguir os bens dela. “Ele era casado, e tem quatro filhos, mas quando eles começaram o relacionamento, ele falou que ele estava separado de fato, mas aí ele já mudou, já saiu da casa que ele morava com a mulher e já foi pro apartamento dela na Savassi”.
Uma amiga da Giovanna, ouvida pela reportagem, e que por segurança pediu pra não se identificar, disse que ela e outra amigas perceberam mudanças no comportamento da vítima quando conheceu o suspeito. “Giovanna tinha acabado de sair de um outro relacionamento e começou a conhecer caras mais velhos. Esse falava que tinha outros imóveis, mas vivia no apartamento dela. Isso era estranho demais. Ela era feminista, bem resolvida e começou a ficar mais fechada, mudou o estilo de se vestir”, disse.
A frieza do investigado também chamou a atenção da equipe. Mesmo com filmagens da movimentação dele, saindo e entrando do prédio horas antes de o corpo ser encontrado, ele enviou áudios para amigas da vítima afirmando que ela teria morrido em seus braços, “ele é extremamente inteligente, mas bastante ardiloso. Muito meticuloso e detalhista. O suspeito foi preso temporariamente no dia 15 de maio, no mesmo apartamento onde Giovanna vivia, local que ele já considerava ser dele, inclusive levando outras mulheres para passar os fins de semana”.
Para a delegada Ariadne Coelho, a condição psíquica de uma mulher jamais deve servir de escudo para criminosos. “Essas mulheres que têm algum tipo de sofrimento psíquico, que têm momento de depressão, isso não pode ser utilizado para invisibilizar mortes de mulheres”, alertou.












