Uma mulher de 77 anos foi encontrada morta neste domingo (30), no bairro Madre Gertrudes, em Belo Horizonte. Um homem de 54 anos, que afirmou ter tido uma relação íntima com a vítima, foi qualificado como suspeito de feminicídio.
Segundo a Polícia Militar, o homem procurou o 41º Batalhão e relatou que estava com a mulher quando ela teria passado mal, vomitado e caído, sofrendo uma lesão na cabeça. Ele afirmou ainda que, após a queda, deu banho nela e deixou a residência por receio de permanecer no local.
Quando os militares chegaram à residência, encontraram a idosa já sem vida, sentada em um sofá, sem roupas e parcialmente coberta por uma toalha. As mãos e os pés apresentavam coloração arroxeada e havia sinais aparentes de rigidez cadavérica.
A equipe policial permaneceu na entrada do imóvel e acionou a perícia. Durante os trabalhos, os peritos não identificaram sinais evidentes de luta corporal ou marcas aparentes de agressão no corpo. A avaliação de possíveis lesões, no entanto, foi dificultada pela pele fragilizada da vítima em razão da idade.
A toalha molhada que cobria parcialmente a mulher apresentava algumas manchas de sangue. Uma pequena mancha de sangue também foi localizada atrás da porta de entrada da residência. No quarto utilizado pela vítima, os peritos encontraram vômito no chão.
Ao final dos exames, a perícia informou que as condições encontradas no local não permitiam estabelecer, naquele momento, de forma conclusiva, a causa da morte. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).
Suspeito relatou encontro com a vítima
Após o encaminhamento do corpo, os militares foram até a sede do 41º Batalhão para ouvir novamente o homem que havia comunicado o caso. Segundo o relato dele, a vítima havia conversado com ele durante a manhã e concordado com uma visita.
Ele afirmou que chegou à residência entre 14h e 15h e que os dois iniciaram uma relação sexual. Durante o ato, segundo o homem, a mulher pediu um tempo e se deitou de lado. Em seguida, teria apresentado sinais de que iria vomitar e passou a vomitar diversas vezes.
Ainda conforme o relato, a mulher disse que havia ingerido fígado e pediu um tempo para tomar banho. Ela subiu as escadas e, pouco depois, ele teria ouvido sons semelhantes a vômito ou tentativa de vomitar, seguidos por um barulho forte.
O homem contou aos militares que subiu e encontrou a mulher caída de costas no chão, com os olhos parcialmente abertos. Segundo ele, a colocou no sofá e tentou reanimá-la. Nesse momento, teria percebido sangue no ombro e uma lesão na região da nuca, que atribuiu à queda.
Homem tentou reanimar a vítima
O suspeito afirmou que levou a mulher até o chuveiro, colocou a água fria e deu um banho nela. Segundo ele, durante o banho ela permanecia desacordada, mas apresentava respiração. Depois, ele teria colocado a mulher novamente no sofá e percebido o que interpretou como um engasgo. Por isso, realizou massagem cardíaca e tentou verificar se havia alguma obstrução das vias aéreas, colocando-a de lado, verificando a boca e puxando a língua.
Ainda de acordo com o relato, a mulher continuou apresentando episódios semelhantes a tentativas de vômito. Em determinado momento, a boca teria ficado torta e arroxeada. Ele afirmou ter percebido que ela não respirava mais e que o corpo começava a ficar frio.
Por volta das 15h20, segundo o homem, ele entrou em contato com o Samu e informou o que havia acontecido. Ele relatou que recebeu a orientação para acionar o 190 e aguardar a chegada da viatura em outro local.
O homem afirmou que deixou a residência e aguardou na Avenida Tereza Cristina. Depois, decidiu seguir para um batalhão que já conhecia, no Barreiro. No local, os militares fizeram contato com o 5º Batalhão, responsável pela área onde ocorreu o caso.
O entendimento da coordenação do Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) foi de que o registro deveria ser feito como feminicídio, com o homem qualificado como suspeito.










