A história de um idoso, de 73 anos, que viajou de Roraima até Belo Horizonte para encontrar uma mulher que acreditava ter conhecido na internet, acende um alerta sobre o uso das redes sociais. A vida de Walter Rodrigues da Silva mudou no momento em que ele chegou à rodoviária da capital e teve os pertences roubados. Com problemas de saúde e sem contato com ninguém, ele encontrou ajuda na nova Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da cidade.
Em conversa com o BHAZ, Walter contou sobre a mulher que passou a acompanhar na internet e afirma ainda ter esperança de encontrá-la. A mulher posta vídeos falando diretamente para a câmera, em um formato que dá a sensação de que ela está, de fato, conversando com o telespectador. O caso de Walter se soma a diversos relatos de idosos publicados nas redes sociais que interpretam esse tipo de conteúdo como uma interação pessoal.
“Eu conheci uma senhora pelo celular. Aí ela me convidou para vir aqui, pra conhecer ela”, afirma o idoso.
Veja o depoimento do idoso:
Vulnerabilidade afetiva
Os criadores de conteúdo que fazem declarações românticas genéricas com o objetivo de engajar pessoas em situação de vulnerabilidade afetiva têm se tornado tão comuns que ganharam até um nome: “os sedutores de idosos”. Assim como Walter, muitos idosos não percebem que os vídeos são produzidos para um público amplo e acabam buscando nesses criadores de conteúdo uma forma de companhia e afeto — mas é aí que mora o perigo.
Mesmo sem ter tido contato direto com a mulher, Walter veio para BH acreditando que iria encontrá-la. No entanto, ao chegar à rodoviária da capital, ele teve os pertences roubados. “Eu deixei um cara olhando a minha mala enquanto eu procurava um lugar pra ficar, mas, quando eu voltei, ele não me deu mais a mala. Me deu foi umas pancadas”, relata ele.
Vulnerável e acreditando no melhor das pessoas, Walter explica que, após ter sido roubado, também foi enganado por um “falso advogado” que roubou os dados da conta bancária dele. “Fui obrigado a fechar a conta porque se não ele estava tirando todo o meu dinheiro. É falso advogado, porque advogado certo não faz isso”.
Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante
Após passar por tudo isso, Walter encontrou acolhimento na nova Unidade de Atendimento ao Migrante de BH, localizada na rua Espírito Santo, no Centro. Desde a inauguração, mais de 150 pessoas em situação de migração conseguiram retornar às cidades de origem com apoio da prefeitura. O serviço também registrou mais de 370 atendimentos e 30 acolhimentos temporários.
Segundo André Luiz Rigueira da Silva, técnico social que trabalha no local, a unidade foi criada para atender pessoas em trânsito, vindas de outros estados, municípios e até de outros países. “A proposta é que a gente consiga dar esse suporte para que eles, nessa escolha de permanecer ou de seguir, tenham uma mínima condição dessa continuidade”, explica.
No caso de Walter, a equipe precisou fazer um verdadeiro “garimpo” de informações para localizar a família. “Ele chegou aqui muito precarizado, sem informação nenhuma, com os pertences já perdidos e furtados”, relata André.
“Conseguimos fazer contato com a família, que já estava muito preocupada e havia até divulgado um cartaz de desaparecido”, conta o técnico. Agora, após receber atendimento médico e iniciar o tratamento dos problemas de saúde, Walter aguarda para retornar para casa.
Além do acolhimento temporário e do auxílio para retorno às cidades de origem, a unidade também presta apoio social aos migrantes que desejam permanecer em Belo Horizonte. De acordo com André, os profissionais realizam encaminhamentos para outros serviços da rede socioassistencial e auxiliam na reconstrução da autonomia dessas pessoas. Um dos acolhidos, inclusive, conseguiu uma oportunidade de emprego após receber o suporte da equipe e decidiu permanecer na capital mineira.










