Kalil responde presidente do Atlético e dispara contra ex-mandatário: ‘Nos empurrou para a 2ª divisão’

Alexandre Kalil prefeito BH
Kalil negou qualquer racha dentro do Atlético (Moisés Teodoro/BHAZ)

O prefeito Alexandre Kalil (PSD) respondeu, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (23), às acusações do presidente do Atlético Sérgio Coelho e do ex-presidente alvinegro Ricardo Guimarães. Após a proibição da presença de público nos estádios nesse domingo (22), os dois dispararam contra o chefe do Executivo municipal. Kalil classificou o ex-mandatário como o pior presidente da história do clube.

O presidente do Atlético questionou, ontem, a decisão da prefeitura de proibir novamente o público nos estádios enquanto a Feira Hippie, que reúne milhares de pessoas em BH, está autorizada a funcionar. O mandatário fez um vídeo na feira e cobrou respostas da administração municipal. Em resposta, Kalil disse que existe uma grande diferença entre os dois eventos.

“Um live ontem do Sérgio Coelho. ‘Educado’, ‘sem fazer juízo de valores’, como ele mesmo disse, comparando a Feira Hippie aqui da Afonso Pena com o jogo de futebol. Então, presidente do Atlético, educadamente, como ele foi na sua live, eu quero dizer que da Feira Hippie dependem 2.300 famílias, que ficou fechada mais de um ano. São 2.300 famílias que precisam de comprar arroz, feijão e talvez ovo”, disse Kalil.

“Então a grande diferença é que são 2.300 famílias tentando se alimentar desesperadamente. Então eu quero, presidente, que o senhor faça o seu juízo de valor da diferença entre um jogo de futebol e uma feira que as pessoas morreram de fome durante tanto tempo”, finalizou o prefeito.

‘Descabido, virulento e asqueroso’

Já em relação a Ricardo Guimarães, que disse em entrevista à Itatiaia que o prefeito se incomoda com o atual sucesso do clube e está propositalmente dificultando “as coisas para o Atlético”, o prefeito negou todas as acusações. Em resposta, Kalil classificou o ataque como “descabido, virulento e asqueroso”. “Ricardo Guimarães tem um novo atributo – coragem, que nunca foi o seu forte”, disparou.

“Convivi com ele dentro do Atlético e coragem nunca foi atributo do senhor Ricardo Guimarães”, frisou. O prefeito disse que o ex-presidente está tentando jogar a torcida do clube contra ele em uma manobra política para as eleições do próximo ano. “Primeiro é um discurso politico partidário visando 2022, coisa que já fizeram na minha última eleição, acham que sou candidato e querem me jogar contra a torcida”, alegou.

O chefe do Executivo municipal elogiou os demais clubes da capital mineira. “Eu aqui quero agradecer a torcida do Cruzeiro e América que tiveram atitude amena, sem virulência, asqueroso”, agradeceu.

‘O pior presidente’

Kalil ainda identificou Ricardo Guimarães como o pior presidente da história do Atlético. “Ele se autodenomina eterno colaborador. Eu quero avisar para a torcida do Atlético que talvez nem se lembra que o Ricardo Guimarães foi o presidente nos empurrou para a segunda divisão”, disse. “Nos 113 anos, o pior presidente que já passou por lá, que manchou a nossa camisa, que entristeceu o nosso manto sagrado”, apontou.

“Só fui atacado pelo Atlético visando eleição de 2022 para me descredenciar para a torcida, que não me esquece, que não esquece meu pai”, disse Kalil. O ex-presidente ainda acusou a PBH de dificultar construção da Arena MRV, futuro estádio alvinegro, o que o prefeito também negou. “Nunca vou prejudicar o nome do estádio que tem o nome do meu pai”, respondeu.

O prefeito ainda reforçou que “só conversa de Atlético com quem manda”, referindo-se a Rubens Menin, mecenas do clube e dono da construtora MRV, patrocinadora do estádio.

‘Respeite minha família’

“Quanto a que eu tenho ciúme e inveja do que está acontecendo dentro do Atlético, senhor Ricardo Guimarães, ciúme e inveja é coisa de fracassado. Coisa de quem não ganhou nada. É coisa de frustrado. É coisa de quem levou o Atlético ao seu maior desastre em todos os seus tempos. Esse é o sentimento que eu não tenho. Esse é um sentimento que eu não tenho. Não participo da vida do Atlético, tenho mais do que fazer, tenho que cuidar de uma população, de uma pandemia”, alegou Kalil.

O prefeito devolveu a acusação. “Quem tem inveja ou torce contra o Atlético, não me meça pela sua régua, Ricardo Guimarães. Falar que o Kalil torce contra o Atlético é uma ofensa a mim e aos meus filhos, não me meça pela sua régua. Nesses últimos anos, eu e minha família tendo sido agredidos pelo Ricardo Guimarães sorrateiramente como ele estava fazendo. Acabou. Acabou. Repito: acabou”, reforçou. “Me respeite. Respeite minha família. E respeite a grife que nós colocamos pelo Atlético que é a família Kalil”.

Na coletiva, o prefeito ainda falou sobre a proibição da presença de público nos estádios. “Quando estiver todo mundo estiver testado, imunizado…. nós vamos poder voltar com o público no futebol”, disse (veja mais aqui).

Entenda

Após mais de um ano acompanhando as partidas de casa, os torcedores puderam voltar a frequentar os estádios em BH. A retomada foi anunciada pelo secretário municipal de Saúde Jackson Machado, em 27 de julho, e o decreto publicado no dia 29 do mesmo mês. A volta estava planejada para agosto e o primeiro evento-teste foi o jogo do Atlético contra o River Plate, na Libertadores. A partida foi marcada por aglomerações dentro e fora do Mineirão.

De acordo com levantamento coletado pelo BHAZ com a PBH, apesar do desrespeito às normas, apenas três multas foram aplicadas pela prefeitura. Em entrevista à TV Globo, o prefeito reprovou as aglomerações e disse que poderia proibir o público em estádios novamente. No dia seguinte, o Cruzeiro jogou contra o Confiança em partida pela Série B do Campeonato Brasileiro. Dessa vez, a PBH definiu um horário limite de entrada dos torcedores no Mineirão, além de interditar as ruas de acesso ao estádio.

Com fiscalização reforçada, a movimentação de torcedores foi mais tranquila no estádio, mas ainda houve desrespeito dos protocolos de segurança. Nesse domingo (22), A PBH proibiu a presença de público nos estádios de futebol da cidade.

Edição: Vitor Fernandes

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