O cantor e compositor Lô Borges morreu na noite desse domingo (2), aos 73 anos. Ícone da música mineira, o artista, que é um dos fundadores do movimento Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento, estava internado no Hospital da Unimed, em Belo Horizonte, há 18 dias em decorrência de uma intoxicação por medicamentos. A causa da morte de Lô foi uma falência múltipla de órgãos, conforme a unidade hospitalar.
Ao longo dos mais de cinco décadas de carreira, o cantor, que nasceu no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH, lançou mais de 20 discos. Ele também foi responsável por composições que, além de marcarem a Música Popular Brasileira (MPB), atravessaram gerações com melodias sofisticadas e letras poéticas, como ‘O Trem Azul’, ‘Um Girassol da Cor do Seu Cabelo’, ‘Tudo o Que Você Podia Ser’ e ‘Nada Será Como Antes’.
As canções do cantor já foram gravadas por Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, Nenhum de Nós, Skank, Nando Reis, entre outros.
Lô ficou conhecido por levar a música mineira para além das montanhas alterosas – ganhando o Brasil, cruzando o Atlântico e conquistando o mundo –, e deixou a certeza de que “nada será como antes”. Para homenageá-lo, o BHAZ separou algumas curiosidades sobre o artista. (confira abaixo).
Veja curiosidades sobre Lô Borges
1- Lô Borges conheceu Milton Nascimento aos 10 anos
O compositor mineiro conheceu o amigo e parceiro de longa data Milton Nascimento no Edifício Levy, na avenida Amazonas, no Centro de Belo Horizonte. Em entrevista, Lô contou que descia a escadaria do prédio, onde morava no 17º andar, para comprar pão e leite, quando começou a ouvir um falsete, uma voz e um violão. “Quando chego no quinto andar, dei de cara com um carinha tocando violão: era o Bituca”, disse durante o programa de Pedro Bial, em 2023.
O artista ainda afirmou que tomou uma bronca da mãe dele, Maricota Borges, por demorar uma hora para voltar com o leite e o pão porque ficou vendo o Bituca tocando violão.

2- O artista ganhou o primeiro violão aos 13 anos
O primeiro violão do artista pertencia a Milton Nascimento. O compositor deu o instrumento de presente quando Lô tinha 13 anos.”
3- Lô Borges tinha uma banda com Beto Guedes na adolescência
Na adolescência, Lô Borges e Beto Guedes tiveram uma banda com o nome ‘The Beavers’, homenageando os Beatles.
4- O artista já cantou de costas para o público por timidez
Nos anos 1970, devido à timidez, Lô Borges e Beto Guedes, em algumas ocasiões fizeram shows de costas para o público.
5- Milton lançou música do artista em 1970, antes do ‘Clube da Esquina’
Antes de estrear no universo fonográfico com Clube da Esquina (1972), Lô Borges teve uma de suas composições lançadas por Milton Nascimento. ‘Para Lennon e McCartney’ foi composta quando o cantor tinha 17 anos, em parceria com o irmão dele, Márcio Borges, e Fernando Brant. A música é uma das faixas do álbum Milton (1970).

6- O ‘Disco do Tênis’ é um dos mais importantes da música brasileira
O primeiro álbum solo, ‘Lô Borges’ (1972), conhecido como o ‘disco do tênis’, é considerado um dos mais importantes da música brasileira. Na época, o cantor gerou um estranhamento, já que, a maioria dos artistas, optavam por colocar uma foto sua na capa, enquanto ele preferiu que fosse uma fotografia do sapato que ganhou de um primo e usava bastante.
A ideia era mostrar que, após o lançamento, ele colocaria o pé na estrada e iria ‘mochilar pelo mundo’. Lô só voltou a gravar outro trabalho sete anos depois, com ‘A Via-Láctea’ (1979)

Velório
Lô deu entrada na unidade hospitalar no dia 17 de outubro, após passar mal em casa. O artista chegou a realizar tratamento de hemodiálise na última segunda-feira (27).
A morte do artista foi confirmada ao BHAZ pelo irmão mais novo do cantor, Yé Borges. “O Brasil perde um grande artista e eu perco meu irmão, meu amigo. Não tem como mensurar minha perda”, disse à reportagem.
O velório do cantor será nesta terça-feira (4) no foyer do Grande Teatro do Palácio das Artes, na região Central de BH. Fãs e amigos poderão se despedir das 9h às 15h, em cerimônia aberta ao público. A informação foi confirmada pelo Palácio das Artes ao BHAZ.
Discografia
Nascido no dia 10 de janeiro de 1952, em BH, Lô fundou o Clube da Esquina ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento e do irmão Márcio Borges. O movimento, que ganhou destaque na música popular entre as décadas de 1970 e 1980, foi batizado em referência ao disco homônimo de 1972. Entre as referências estavam o rock, o jazz, a bossa nova, a música psicodélica e as tradições mineiras.
Em 2024, o álbum ficou entre os dez melhores discos de todos os tempos, em lista criada pela revista norte-americana Paste Magazine. E, em 2022, foi eleito o melhor da história da música brasileira pelo podcast Discoteca Básica.
O Clube da Esquina surgiu entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH. O local ficava a poucos passos da casa da família Borges. O movimento musical contou com nomes como Toninho Horta, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, e ficou eternizado por sua inovação e influência. Em 1978, o grupo lançou o segundo disco ‘Clube da Esquina 2’.
Lô foi um dos responsáveis por composições que, além de marcarem a Música Popular Brasileira (MPB), atravessaram gerações com melodias sofisticadas e letras poéticas, como ‘O Trem Azul’, ‘Um Girassol da Cor do Seu Cabelo’, ‘Tudo o Que Você Podia Ser’ e ‘Nada Será Como Antes’.
Ao longo de 53 anos de carreira, Lô gravou mais de 20 discos. O primeiro álbum solo, Lô Borges (1972), conhecido como o “disco do tênis”, é considerado um dos mais importantes da música brasileira. Com 15 faixas, todas assinadas pelo artista, algumas em parceria com Márcio Borges, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, o álbum contou com a participação de grandes nomes como Toninho Horta, Beto Guedes e Zé Geraldo.
Antes da intoxicação, Borges seguia fazendo shows por Minas Gerais e pelo Brasil. No dia 25 de outubro, o músico apresentaria a turnê ‘Esquina & Canções’ ao lado de Beto Guedes em Brasília.










