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Mulher entra em carro diferente de aplicativo e é mantida refém durante assalto em BH

23/09/2026 às 16h49 - Atualizado em 24/09/2026 às 13h37
(Pixabay/Reprodução)

Uma corrida de aplicativo terminou em assalto, com uma passageira sendo mantida refém dentro do carro por mais de um hora em Belo Horizonte. O veículo que a buscou era diferente do cadastrado no aplicativo, segundo a vítima. Dois homens anunciaram o roubo, levaram cerca de R$ 700 e o celular dela, além de tentarem acessar suas contas bancárias

O caso aconteceu na noite dessa segunda-feira (21), no bairro Buritis, na região Oeste da capital. A vítima havia acabado de sair de uma academia quando pediu o carro para voltar para casa.

Ela conta que havia vários veículos parados na rua, já que outras pessoas também solicitavam corridas. O aplicativo indicava que o motorista estava a cerca de um minuto do local.

Como não encontrou o carro, ela mandou uma mensagem. O homem respondeu que estava mais à frente, com o pisca-alerta ligado. Ao se aproximar, ela percebeu que o final da placa era diferente do indicado no aplicativo.

Mesmo assim, o homem chamou a mulher pelo nome e mostrou o celular com a conversa da corrida aberta. Ela entrou no veículo.

“Eu vi que ele estava com a minha conversa aberta, ele estava com a minha corrida. Só que eu vi que o carro era diferente. Como ele estava com o meu chat aberto, eu não raciocinei, eu não me questionei na hora”, contou ao BHAZ.

Pouco depois, o motorista passou direto pelo retorno que levaria até a casa da vítima e fez uma conversão proibida. Segundo a mulher, o carro parou e um segundo homem saiu do porta-malas e entrou no banco da frente.

Os dois anunciaram o assalto e exigiram a senha do celular.

Homem sai do porta-malas

A vítima começou a gritar, mas afirma que o motorista aumentou o volume do rádio e fechou os vidros. Os homens seguiram em direção à BR-356.

Durante o trajeto, eles teriam tentado acessar as contas bancárias da vítima. Cerca de R$ 700 foram retirados, segundo ela. O restante não teria sido possível porque pagamentos feitos anteriormente já haviam comprometido o limite diário da conta.

O celular também foi levado. Segundo a vítima, os suspeitos tentaram acessar o iCloud e um deles afirmou que pretendia vender o aparelho por cerca de R$ 6 mil para pagar dívidas.

Os homens também fizeram perguntas sobre a vida pessoal e a situação financeira da vítima. A mulher conta que chegou a temer que o assalto evoluísse para um sequestro.

“Meu medo era evoluir para pedir resgate, essas coisas mesmo. Ele começou a perguntar muito da minha vida pessoal”, relatou.

A vítima afirma que, no início, acreditou que um dos homens estivesse armado. Depois, percebeu que ele apenas simulava portar uma arma.

Os suspeitos também teriam “ameaçado” levá-la para Ribeirão das Neves caso ela não colaborasse.

Vítima foi deixada às margens da BR

Depois de rodarem por diferentes trechos, os homens deixaram a mulher às margens da BR, na altura do bairro Betânia. Ela caminhou até um posto de combustíveis para pedir ajuda.

A vítima estima que tenha permanecido dentro do carro por pelo menos 1h20. Ela afirma que não sofreu agressões físicas.

“Uma coisa é o cara querer levar de você seu bem material. O problema é quando ele quer você. A gente, como mulher, acaba tendo duas preocupações. Não é apenas o bem material, tem o nosso corpo também”, disse.

Motorista e carro eram diferentes do aplicativo

Segundo a vítima, o veículo que a buscou não era o mesmo cadastrado na corrida. O aplicativo indicava um Gol Volkswagen, enquanto o carro utilizado pelos suspeitos era de outro modelo. A placa também era diferente. Apenas o último número, segundo ela, coincidia.

A vítima afirma ainda que o homem que a buscou não era a pessoa da foto exibida no aplicativo.

“Não era o mesmo motorista. A pessoa da foto não era quem me buscou”, afirmou.

Mesmo assim, segundo a mulher, os suspeitos conseguiram utilizar a corrida para chegar até o endereço dela. O carro passou pela frente da casa e, depois, a viagem foi finalizada no endereço cadastrado.

“Ele ainda teve o trabalho de finalizar a corrida. Ele passou pelo meu endereço”, contou.

Ela diz que comunicou a Uber logo após conseguir acesso a outro celular. Segundo ela, a empresa informou que entraria em contato, mas não deu retorno até o momento.

Polícia teria recebido outro caso semelhante

Ela registrou um boletim de ocorrência. Segundo ela, um dos policiais responsáveis pela investigação informou que, em menos de 24 horas, outro B.O com características semelhantes teria sido registrado em Belo Horizonte.

Ainda conforme o relato, o segundo caso teria envolvido suspeitos com descrição semelhante e, aparentemente, o mesmo veículo.

A vítima afirma que a polícia também tentou contato com a Uber, mas não recebeu retorno.

Por orientação policial, a mulher não pretende divulgar o modelo, a placa ou outras características do veículo neste momento, para não prejudicar a investigação.

Vítima questiona segurança da plataforma

Após o caso, a mulher publicou um relato nas redes sociais para alertar outros usuários sobre os riscos de entrar em um veículo diferente do indicado no aplicativo.

Ela também questiona os mecanismos de segurança da plataforma diante da possibilidade de uma pessoa diferente do motorista cadastrado realizar a corrida.

“Foto e pessoa são coisas que têm um abismo muito grande. Isso não é medida de segurança”, afirmou.

Uber desativou conta de motorista

Procurada pelo BHAZ, a Uber lamentou o caso e informou que a conta do motorista foi desativada da plataforma. A empresa afirmou ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

A plataforma explicou que mantém contrato com o Serpro, empresa de tecnologia do Governo Federal, para confirmar informações cadastrais de motoristas parceiros e veículos. Segundo a Uber, os motoristas também passam por checagens periódicas de apontamentos criminais desde a primeira viagem.

A empresa afirmou ainda que utiliza sistemas de reconhecimento facial e que, durante o uso da plataforma, pode solicitar aleatoriamente uma selfie do motorista para verificar se a pessoa corresponde àquela cadastrada na conta.

A Uber orienta os passageiros a conferir, antes do embarque, se a placa, o modelo do veículo, o nome e a foto do motorista correspondem às informações exibidas no aplicativo.

A empresa também recomenda o uso do U-Código, recurso que gera um código de quatro dígitos no aplicativo do passageiro. O número deve ser informado ao motorista antes do início da viagem para confirmar que se trata da corrida correta.

Laís Marques

Jornalista formada pela PUC Minas. Acumula passagens anteriores pela equipe de jornalismo da Rede 98 e assessorias de comunicação da PMMG e da UEMG

Laís Marques

Repórter do BHAZ

Asafe Alcântara

Email: asafe.alcantara@bhaz.com.br

Jornalista

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