“A Savassi é uma janela quebrada”, essa foi a comparação que o presidente da Associação dos Moradores da Savassi (Amosavassi), Helênio Soares Júnior, fez em entrevista ao BHAZ para descrever como um dos bairros mais tradicionais de Belo Horizonte está atualmente. A afirmação foi feita nessa quinta-feira (30), um dia após a Amosavassi apresentar o Pacto pela Savassi, uma iniciativa que prevê medidas de assistência à população em situação de rua e de requalificação urbana da região.
A fala do presidente faz referência à chamada “teoria da janela quebrada”, que diz que sinais de desordem não resolvidos transmitem a ideia de que ninguém se importa, o que pode abrir espaço para problemas cada vez mais graves. Com base nesse entendimento, o Pacto pela Savassi prevê medidas como a criação de um centro de acolhimento às pessoas em situação de rua, ações voltadas à reinserção social e um plano de revitalização do espaço público.
Helênio explica que o primeiro passo é criar o “Centro da Esperança”, um espaço voltado para organizar a assistência prestada às pessoas em situação de rua. “O que percebemos é que, quanto mais você ajuda na rua, mais essas pessoas permanecem na rua e mais gente se instala ali para receber essa ajuda”, afirma.
Centro da Esperança
De acordo com o presidente, o centro será um local onde as pessoas em situação de rua poderão tomar café da manhã, almoçar, jantar e ter acesso a banheiros. “Então, o nosso primeiro passo é fazer uma campanha para que não haja mais alimento na rua, dinheiro na rua ou cobertor na rua. A orientação é: não faça nada na rua”, diz.
A ideia é que moradores, trabalhadores, empresários e lojistas não façam doações diretamente à população em situação de rua, mas, sim, através de um financiamento coletivo batizado de “Troco da Esperança”. O recurso será usado para operacionalizar o Centro da Esperança e comprar os alimentos, que serão doados em marmitas prontas.
“Por meio da arrecadação do Troco da Esperança, que será administrada por uma entidade respeitada, vamos oferecer mais humanidade e dignidade para que essas pessoas possam comer e utilizar um espaço adequado para suas necessidades. Rua não é banheiro, rua não é lugar para comer sentado no chão”, destaca ele.
Caminhos da Esperança
O segundo passo do Pacto da Savassi é lançar o programa “Caminhos da Esperança”, que prevê ações voltadas à reinserção social da população em situação de rua.
Segundo o presidente, a proposta é oferecer suporte temporário até que essas pessoas recuperem a autonomia, por meio de iniciativas como moradias temporárias, acolhimento e inserção no mercado do trabalho. Durante esse período, elas continuariam tendo acesso aos serviços do Centro da Esperança.
Helênio ressalta que essa etapa dependerá da participação do poder público e de instituições com experiência na área, mas não detalhou como as medidas serão implementadas.
Requalificação urbana
O terceiro e último passo é voltado para a requalificação urbana da Savassi. Na visão de Helênio, além das ações de assistência social, é preciso recuperar o espaço público.
Inicialmente, o projeto contempla a Praça Diogo de Vasconcelos (Praça da Savassi) e os oito quarteirões do entorno, com intervenções como:
- substituição das calçadas;
- implantação de lixeiras subterrâneas;
- melhorias na iluminação pública;
- reforço da segurança;
- revitalização do paisagismo.
De acordo com o presidente da Amosavassi, a iniciativa deverá ser financiada com recursos de contrapartidas urbanísticas pagas por empreendimentos ao município e desenvolvida em parceria com grandes empresas.
“Basicamente, são esses três programas que queremos implementar. Cada um atua em uma frente diferente, mas todos podem começar simultaneamente”, pontua Helênio.










