Atraso na 2ª dose contra Covid não compromete imunização, garante PBH

Jackson Machado BH
Secretário Jackson Machado afirmou que atraso não afetará imunização, segundo o Ministério da Saúde (Moisés Teodoro/BHAZ)

O atraso na aplicação da segunda dose de vacinas contra a Covid-19 chegou a BH – e, com isso, a preocupação também. Afinal, essa demora vai comprometer a imunização? Não, garante o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, que, no entanto, não descarta novos atrasos. As informações foram dadas hoje (6), baseadas no Ministério da Saúde.

“Para acalmar as faixas que já deveriam ter recebido a segunda dose da Coronavac, o atraso de até 21 dias, segundo o Ministério da Saúde, não traz prejuízo ao desenvolvimento da imunidade que a vacina traz”, disse o secretário de Saúde de BH. Portanto, conforme a autoridade, a imunização não é comprometida se a segunda dose ocorrer em até três semanas após a primeira aplicação.

“Não há prejuízo em se aguardar mais alguns dias, não há necessidade de ficar angustiado, ligando, perguntando”, garantiu.

Mais atrasos?

O secretário ainda mencionou a possibilidade de um segundo atraso, desta vez com a vacina Pfizer, da farmacêutica norte-americana. “A ordem é usar toda a remessa [da Pfizer] para a primeira dose, e a recomendação dessa nota técnica [do Ministério da Saúde] é que essa segunda dose seja aplicada igual a da AstraZeneca, com 12 semanas”, explicou o secretário.

Jackson Machado ainda esclareceu que a imunização com a Pfizer, que se inicia na sexta-feira (7), não ocorrerá em todos os postos de saúde. “Todas as pessoas com comorbidades vacinadas a partir de amanhã receberão a vacina da Pfizer. A vacina deve ser armazenada a menos 80 graus e depois de distribuída pode ficar uma semana armazenada até menos 8 graus”, disse.

“Então nós temos os postos, não serão todos, a gente teve o cuidado de armazenar seguindo as ordens”, complementou.

Filas longas

Jackson lembrou da superlotação nos postos, nessa quarta-feira (6), além da aglomeração em várias filas de vacinação pela capital. “Ontem nós vimos uma superlotação dos postos, porque a ansiedade leva as pessoas a procurarem o centro de vacinação no primeiro dia. Não há necessidade de chegar seis horas da manhã e se aglomerar”, critica o secretário.

“Não precisa ficar três horas na fila. Se a fila está grande, volta outra hora. A vacina daquele grupo [profissionais de saúde] está garantida. Todos serão vacinados”, disse. Ele repetiu a orientação para a próxima categoria a ser vacinada, a partir de amanhã. “Vamos começar a vacinação das comorbidades, mas não precisa ir todos na sexta. Começa na sexta”.

Terceira onda?

O secretário ainda falou da possibilidade de uma terceira onda. “A gente espera que essa terceira onda não aconteça, mas, com o nosso planejamento, se ela acontecer, nós teremos insumos, pessoal disponível para fazer frente a isso. Então nós trabalhamos sim com essa possibilidade”, garante.

“Eu já disse aqui mais de uma vez que a gente trabalha sempre pensando que vai acontecer o pior cenário, mas esperando que aconteça o melhor cenário”, finaliza.

‘Irresponsabilidade’

Na coletiva, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) responsabilizou o Ministério da Saúde e o governo federal pelo atraso da segunda dose da vacina. “Claro que foi irresponsabilidade do Ministério da Saúde, que mandou um documento oficial, que nós acatamos, falando que teríamos as doses aqui”, disse Kalil.

Ele conta que, a princípio, tinha recusado a recomendação da União. A prefeitura mudou de ideia depois que recebeu um documento oficial da Pasta. “Recebemos um documento oficial que o sétimo e o oitavo lotes era pra aplicar todas as doses. Nós entendemos que era um documento responsável e fizemos isso” argumentou.

“Entendemos que no início da semana que vem nós já devemos voltar a aplicar a segunda dose, que não há problema de atraso de uma semana, sete dias. O ideal era que o documento fosse responsável e nós não recebemos um documento oficial responsável”, esclareceu.

“E isso que ninguém fala, é isso que querem jogar nas costas da prefeitura”.

Flexibilização

Na coletiva, a prefeitura anunciou uma nova abertura gradual das atividades na capital mineira. A partir de sábado (8), clubes e feiras poderão reabrir depois de quase dois meses fechados. Bares e restaurantes, por sua vez, terão horário estendido (veja mais aqui).

“Dados mais atualizados são os de ontem. RT [taxa de transmissão] de ontem é a média da última semana – 0,93. Taxas de ocupação [de UTI e enfermaria] em queda foram os indicadores que nos levaram a sugerir a flexibilização de mais uma parte das nossas atividades na cidade”, explicou o secretário de Saúde.

Edição: Thiago Ricci

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