O sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante por feminicídio após a morte de sua esposa e capitã da corporação Michelle Leão Azevedo. Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (21), o capitão da PM Rafael Veríssimo afirmou que há “indícios suficientes para o flagrante”do colega militar em contraponto à versão apresentada por Eduardo de que a mulher teria caído da escada.
A PM foi chamada para atender o caso pela equipe médica do Hospital Odilon Behrens quando a vítima já se encontrava sem sinais vitais após ter sido levada para a unidade pelo marido.
Segundo Veríssimo, no contato inicial com o suspeito, ele pediu para ir ao banheiro do hospital e lá descartou 18 comprimidos de ecstasy na lixeira. O tenente que acompanhava o caso visualizou e o autuou em flagrante por tráfico de drogas.
Na sequência, Eduardo foi ouvido pelos militares e relatou que ele e a mulher haviam feito uma confraternização para amigos em casa onde consumiram bebidas alcóolicas e drogas. Depois os dois teriam mantido relações sexuais com práticas de dominação, na qual ele a agredia com um cinto.
Nessa segunda-feira, por volta de meio-dia, segundo o suspeito, a mulher teria caído da escada, mas não teria aceitado ir para o hospital devido aos hematomas. Os dois então teriam ido dormir e ela acordou sem vida.
Paralelamente, a Polícia Civil teria ido ao imóvel do casal coletar vestígios do caso. O veículo usado no transporte da vítima até o hospital também foi apreendido para ser periciado. Segundo o porta-voz da PCMG, delegado Saulo Castro, são exames detalhados e minuciosos que ainda não estão prontos e “serão decisivos para esclarecimento dos fatos”.
Testemunhas foram ouvidas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo familiares da vítima, o relacionamento do casal era tóxico e ele mantinha práticas abusivas em relação a Michele.
“Posso falar que nos causou e possibilitando essa prisão em flagrante, a pluralidade de lesões, há uma lesão aparente muito contundente na face da vítima. Isso foi constatado, de modo que fica muito claro a gravidade do ferimento. Sob alegação do conduzido, a vítima teria caído da escada. Como o capitão Veríssimo pontuou houve por parte dos envolvidos o consumo de bebidas alcóolicas e drogas ilícitas. Há, no mínimo, o risco de produzir certas lesões na medida em que fosse deliberadamente faz uso dessas substâncias e isso, por isso só, já demonstra em fase preliminar o dolo, a intenção de praticar o crime. Claro que não estamos aqui concluindo a investigação e a conclusão da delegada responsável pelo caso”, afirma o porta-voz da PCMG.
Um vídeo obtido pelo BHAZ mostra o terceiro sargento da PM, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, carregando o corpo da mulher, a capitã da corporação, Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, no prédio em que os dois moravam, no bairro Santa Cruz, na região Nordeste de Belo Horizonte. A mulher é carregada sem reações dos membros superiores.
Outro elemento suspeito do caso é que as roupas de cama da residência do casal teriam sido lavadas nessa segunda-feira, o que pode indicar a tentativa de ocultar provas.









