Um detento matou um policial penal a tiros na madrugada deste domingo (3), dentro do Hospital Luxemburgo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. De acordo com o boletim de ocorrência, o presidiário é considerado de alta periculosidade com grande número de registros policiais e processos judiciais em andamentos.
O detento estava internado na unidade de saúde para tratamento médico desde o dia 27 de julho. Na madrugada de domingo (3), o autor teria se aproveitado de um momento de descuido do agente penitenciário responsável pela escolta dele e entrado em luta corporal com o policial. Durante a briga, o preso conseguiu pegar uma arma do agente e o matou com dois tiros.
‘Perdeu, perdeu’
Uma funcionária do hospital relatou à Polícia Militar que estava em um corredor próximo quando ouviu gritos de “perdeu, perdeu”. Ela disse que tentou abrir a porta do quarto, mas que alguém a impediu pelo lado de dentro, dizendo para “aguardar”.
Em seguida, o autor vestiu a farda do policial e roubou a bolsa dele. O detento saiu do quarto se passando pelo agente e informou à funcionária que “estava tudo tranquilo”. A testemunha, no entanto, contou que viu respingos de sangue no chão e o preso lavando as mãos ensanguentadas na pia.
Estranhando a situação, uma equipe do hospital entrou no quarto e encontrou o policial caído ao chão. Eles deram início às manobras de reanimação, mas o agente não resistiu aos ferimentos e morreu.
Fuga
Enquanto isso, o detento solicitou ajuda a uma mulher para chamar um carro de aplicativo. Ele disse que estava com a mãe passando mal e que não tinha telefone. Achando se tratar de um policial penal, a mulher atendeu ao pedido do autor.
Durante a fuga do detento em um carro de aplicativo, a Polícia Militar foi informada sobre o ocorrido. Os policiais deram início à perseguição e conseguiram localizar o veículo e o autor. Como o suspeito estava com um corte na testa, ele foi encaminhado para o Hospital João XXIII.
A reportagem entrou em contato com o Hospital Luxemburgo e a Sejusp e aguarda retorno.
O que diz a Sejusp?
Em nota enviada à reportagem, a Sejusp informou que instaurou um procedimento interno para apurar “administrativamente” o homicídio do policial penal.
De acordo com a secretaria, o suspeito havia sido admitido na Penitenciária José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, no dia 14 de julho, e possui passagens pelo sistema prisional desde 2018, respondendo a diversos inquéritos por crimes como tráfico de drogas, furto, posse ilegal de arma de fogo e homicídio.
Hospital Luxemburgo
O Hospital Luxemburgo também se pronunciou sobre o caso. A unidade de saúde disse que, tão logo a situação foi identificada, a equipe assistencial acionou o protocolo de emergência com Código Azul, prestando imediato atendimento e todos os esforços de reanimação à vítima.
“Paralelamente, as forças de segurança foram acionadas, e a instituição colaborou integralmente com os órgãos competentes. Desde o ocorrido, a equipe multiprofissional da unidade está prestando acolhimento e suporte emocional aos colaboradores envolvidos direta ou indiretamente na ocorrência”, destacou.
“O Hospital Luxemburgo lamenta profundamente o falecimento do agente penal e se solidariza com seus familiares, colegas e amigos. A unidade reforça que permanece colaborando com as autoridades competentes para contribuir com as investigações em curso”, concluiu o comunicado enviado ao BHAZ.










