Criminosos estão aproveitando a falta de água que atinge o bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, para tentar aplicar um golpe em condomínios, envolvendo o pagamento do serviço de caminhão-pipa. Síndicos relatam que pessoas têm oferecido o serviço por valores muito acima do normal, exigido o pagamento antecipado pelo caminhão-pipa e, depois, desaparecido sem realizar o abastecimento, efetivando o golpe em condomínios que já têm um gasto extra em função da falta de água que atinge o Buritis.
Um dos anúncios que circulam em grupos de síndicos da região oferece uma viagem de caminhão-pipa por R$ 3 mil durante o horário comercial e R$ 3,5 mil à noite. Para reservar o serviço, o anunciante exige o pagamento antecipado de 50% do valor.
Veja também
Segundo um dos síndicos, há casos em que os criminosos recebem o Pix e não aparecem para fazer o abastecimento.
“O pessoal está exigindo um sinal para o fornecimento e depois não comparece. Pedem para fazer o Pix e depois não aparecem para fazer o abastecimento”, relatou.
Falta de água no Buritis é registrada há mais de 10 dias
A falta de água tem afetado condomínios de diferentes pontos do Buritis e, segundo moradores, já se arrasta há mais de dez dias. Com a dificuldade para conseguir os caminhões-pipa, o preço do serviço também disparou.
“O que está acontecendo aqui, no Buritis, deve acontecer em outros bairros também, mas o Buritis é o mais populoso de Belo Horizonte. Está uma falta de água geral em todos os prédios, todos os lugares aqui. Está todo mundo reclamando!”, disse Wander Velloso, síndico de um condomínio na Avenida Protásio de Oliveira Penna.
Segundo ele, a Copasa não estaria abastecendo o bairro normalmente desde a semana passada. O síndico afirma que, cerca de 15 dias atrás, pagava aproximadamente R$ 850 por um caminhão-pipa. Agora, o mesmo serviço chega a custar R$ 3 mil.
“Os caminhões não conseguem mais abastecer em Belo Horizonte. Por isso, eles estão tendo que buscar água em São José da Lapa, Itabirito, Itabira e na Grande BH para poder suprir essa falta de água aqui do Buritis”, afirmou.
Além do aumento dos preços, os condomínios também enfrentam a dúvida sobre quem vai pagar a conta provocada pela falta de abastecimento.
“E ainda existe o problema de quem vai arcar com esse custo. Os prédios vão ter que pagar esse prejuízo todo por falta de abastecimento da Copasa? Ou será que a Copasa vai ressarcir os prédios por essa despesa toda que eles tiveram por culpa da Copasa?”, questionou.
Falta de água afeta vários bairros de BH
A falta de água pode estar ligada a uma obra da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias que já foi finalizada. De acordo com a Seinfra, o trabalho foi executado no último domingo (30), quando o remanejamento e a interligação de novos trechos de duas adutoras foram feitos como parte das obras de alargamento do canal de drenagem da Avenida General David Sarnoff, em Contagem.
Os trabalhos foram concluídos em 24 horas, e a Copasa chegou a projetar que o abastecimento seria retomado ainda no domingo em 128 bairros da capital. Moradores, porém, afirmam que, nesta terça-feira (1º), a água ainda não voltou em alguns pontos. Há relatos, inclusive, de falta de água nas regiões do Barreiro e Oeste de BH desde o dia 20 de agosto.
“Estamos numa situação bem delicada. Falta de água, caminhões-pipa com preços altos, fila para compra [de água] e sem programação de fornecimento. E sem apoio das autoridades e da Copasa”, relatou Roberto Andrade, síndico do Condomínio Monjolo, no bairro Buritis.
O que diz a Copasa sobre problemas no abastecimento de água em BH
A Copasa informou que mantém equipes operacionais, de engenharia e de desenvolvimento social mobilizadas em uma força-tarefa para normalizar o abastecimento nos pontos afetados da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo a companhia, diante da complexidade dos trabalhos, foi criado um plano de ação para restabelecer a estabilidade da rede ao longo desta semana. A empresa também afirmou que pretende manter a população e a imprensa informadas sobre as ações.
Segundo a Copasa, o problema na Região Oeste começou em 19 de agosto, quando uma adutora de grande porte rompeu na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada. A tubulação passava sob um imóvel construído sobre a área da rede, causando danos à estrutura e levando à interdição da residência pela Defesa Civil.
Como não seria possível fazer um reparo convencional sob a construção, a Copasa isolou temporariamente o trecho danificado e alterou a configuração hidráulica da rede. A medida permitiu manter o fluxo de água, mas provocou perda de vazão e oscilações de pressão nas áreas mais altas dos bairros Buritis, Estoril e Nova Suíça.
Como medida emergencial durante a pressurização da rede, a companhia informou que reforçou o atendimento com mais de 15 caminhões-pipa, com previsão de aumento da frota nos próximos dias. Segundo a Copasa, os veículos priorizam gratuitamente hospitais, unidades de pronto atendimento, creches, escolas e outros pontos considerados críticos.









