Prefeito afastado Ruy Muniz e esposa são investigados por fraude de R$ 300 milhões

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O prefeito afastado de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB) foi alvo de nova operação da Polícia Federal na manhã da sexta-feira (9). Ele e sua esposa, a deputada federal Raquel Muniz são investigados por suspeita de fraude. De acordo com a Receita, eles são responsáveis por um prejuízo de R$ 300 milhões aos cofres públicos.

A investigação foi conduzida pelo Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria-Geral da República, a Receita Federal, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. De acordo com a Receita, a organização era voltada à pratica de fraudes tributárias e previdenciárias milionárias, estelionatos qualificados, desvio de recursos de entidades beneficentes de assistência social e de verbas públicas federais.

Tudo “para proveito pessoal, econômico e político de seus reais administradores”. Além de Ruy e Raquel Muniz, cerca de 12 pessoas estão envolvidas, incluindo seus filhos, parentes e comparsas.

Crimes

Recursos públicos federais e estaduais foram utilizados para os desvios, a maior parte da verba veio do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).

Foram identificados esquemas de lavagem de capitais para a aquisição de jornais, rádios e outros veículos de comunicação para consolidar a influência política da quadrilha. Os indícios são de gestão fraudulenta e crimes contra o sistema financeiro para propiciar o esquema.

Os fatos investigados na Operação Véu Protetor caracterizam crimes de organização criminosa, crimes tributários e previdenciários, descaminho qualificado, furto qualificado, apropriação indébita e estelionato majorado. Também estão na lista fraudes à execução, crimes contra o sistema financeiro, falsificação documentos públicos e particulares, uso de documentos falsos, peculato, prevaricação, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

Luxo e ostentação

As investigações foram iniciadas pelo setor de inteligência da Receita Federal há dois anos. De acordo com a apuração, os políticos seriam administradores de 133 instituições que prestam serviços nas áreas de educação e saúde. Estas são mantidas por uma associação “sem fins lucrativos” e teriam deixado de recolher R$ 300 milhões em tributos.

De acordo com a Receita, as empresas da família Muniz são usadas para blindagem patrimonial. Elas transferem quase todos os empregados para a instituição que goza de isenção de tributos federais.

“O núcleo familiar da organização criminosa, ao longo de quase duas décadas, vem promovendo a apropriação e a subtração de recursos das entidades beneficentes para enriquecimento pessoal e uma vida de luxo e ostentação, incluindo mansões e imóveis de alto valor, aeronaves, automóveis de luxo, além de elevados saques e desvio de valores para custeio de despesas pessoais e políticas, muitos dos quais esquentados por contratos fictícios”, informa a Receita.

Candidato

Ruy Muniz foi preso em 18 de abril por suspeita de prejudicar hospitais conveniados do SUS em Montes Claros para favorecer a entidade educacional de sua família, o hospital Mário Ribeiro. Em 10 de maio ele foi afastado de seu cargo e posteriormente passou a cumprir prisão domiciliar, que foi revogada pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região em 27 de agosto.

Um dia antes de Rui Muniz ser preso, a mulher dele, deputada Raquel Muniz, o citou como exemplo ao votar a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. “Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”, afirmou.

Com informações do Estado de Minas

Jéssica Munhoz

Jessica Munhoz é redatora do Portal Bhaz e responsável pela seção Cultura de Rua.