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Escola de BH é criticada por continuar aberta após morte de professora

22/10/2026 às 15h47 - Atualizado em 22/10/2026 às 15h51
(Reprodução/Google Street View)

O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) emitiu uma nota de repúdio contra o Colégio Santa Dorotéia, em Belo Horizonte, após a instituição manter as atividades escolares depois da morte da professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim, na segunda-feira (19). A entidade criticou a decisão de seguir com a rotina da escola e cobrou respeito à memória da educadora.

Michelle era professora do Ensino Fundamental e assessora de Pastoral do colégio. Em nota, a instituição comunicou o falecimento e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da educadora. A causa do óbito não foi divulgada. Segundo o sindicato, apesar da morte da professora, as aulas seguiram normalmente. O Sinpro Minas questionou a decisão e afirmou que a escola deveria ter interrompido as atividades em respeito à profissional.

Sindicato critica continuidade das aulas

Na nota de repúdio, o Sinpro Minas afirmou que a manutenção do funcionamento da escola demonstraria descaso com os profissionais da educação. A entidade também comparou o caso à morte do promotor de vendas Moisés Santos, ocorrida em 2020, dentro de uma unidade do Carrefour, em Recife, que permaneceu aberta após o episódio.

O sindicato criticou ainda a diferença entre os valores de acolhimento e respeito defendidos pela instituição e a decisão de manter as atividades escolares após a morte da professora. “O Sinpro Minas repudia, com veemência, a postura desta instituição”, declarou a entidade.

Ao final da nota, o sindicato prestou homenagem à professora e defendeu a dignidade dos trabalhadores da educação.

Diretora do colégio responde às críticas

Zuleica Reis, diretora do Colégio Santa Dorotéia e ex-presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe), comentou a nota de repúdio e contestou as críticas à instituição.

Em uma das manifestações nas redes sociais, ela afirmou que os valores cristãos defendidos pelo colégio são colocados em prática diariamente e que a instituição reconhece suas responsabilidades, mas não aceita que sejam atribuídas intenções ou omissões sem a devida consideração dos fatos e das circunstâncias.

Zuleica defendeu que a continuidade das atividades escolares não deve ser interpretada, por si só, como indiferença ou desrespeito à professora.

“Decisões institucionais tomadas em um momento de dor exigem compreensão do contexto, responsabilidade e equilíbrio — não julgamentos precipitados nem comparações que desumanizam e distorcem a realidade”, escreveu.

(Reprodução/Instagram)

A morte da professora foi divulgada em comunicado emitido pelo Colégio Santa Dorotéia, durante a manhã de segunda-feira (19). Na nota, o colégio destacou sua atuação como professora e assessora de Pastoral das turmas do Ensino Fundamental. A instituição também ressaltou características da educadora, como o sorriso acolhedor, a bondade e a dedicação à formação de crianças e jovens.

A nota foi assinada pelas irmãs e pela diretoria do Colégio Santa Dorotéia de Belo Horizonte, que manifestaram condolências e solidariedade aos familiares e amigos da professora.

Veja nota na íntegra do Sinpro Minas:

O Colégio Santa Dorotéia de Belo Horizonte, instituição que se apresenta publicamente como portadora de uma “excelência humana e cristã”, tornou-se palco de uma das cenas mais tristes e reveladoras do descaso com que instituições de ensino tratam aqueles que sustentam o seu funcionamento diário.

Na manhã de segunda-feira, 19 de outubro, a professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim faleceu, praticamente dentro da escola, no caminho para o hospital. Michelle era professora da casa há anos, descrita pela própria escola como alguém de “sorriso acolhedor, bondade e intensa dedicação”.

Apesar da morte, a instituição continuou funcionando normalmente. Como se nada tivesse acontecido. A escola emitiu uma nota de pesar, bonita nas palavras, mas não foi capaz de parar a rotina em respeito à professora. As aulas seguiram, afinal, a engrenagem não pode parar.

Em agosto de 2020, o Brasil assistiu a uma cena que se tornou símbolo nacional do desprezo patronal pela vida: o promotor de vendas Moisés Santos morreu de infarto dentro de uma loja do Carrefour em Recife. Seu corpo foi coberto com guarda-sóis e tapumes improvisados, e a loja continuou aberta ao público por horas. A esposa de Moisés resumiu o sentimento que hoje se repete: “O ser humano não vale nada, as pessoas só se importam com o dinheiro”.

Se repete a mesma lógica. Uma professora morre, e a instituição age exatamente como a rede de supermercados: preserva a operação, a rotina, e o lucro.

O Colégio Santa Dorotéia se define como uma instituição de “formação integral” que busca a “excelência acadêmica, humana e cristã” . Sua proposta pedagógica fala em “acolhimento”, “cultura do encontro”, “respeito à diversidade” e “compromisso com a justiça”. Que compromisso com a justiça é esse que não reconhece a dignidade de quem passou anos servindo àquela comunidade?

A escola que se diz cristã deveria ser a primeira a parar. A reconhecer, perante alunos, famílias e funcionários, que uma vida humana vale mais do que um dia de aula. Em vez disso, o Santa Dorotéia provou que, para muitas instituições, professor não é gente, é mão de obra substituível.

O Sinpro Minas repudia, com veemência, a postura desta instituição.

Que a família, os amigos e os alunos que verdadeiramente amaram Michelle se recordem dela com o respeito que a escola não soube dar.

Pela memória de Michelle. Pela dignidade de todos os trabalhadores da educação. Pela vida.
Michelle, presente!

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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Email: lavinia.barbosa@bhaz.com.br

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