O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) emitiu uma nota de repúdio contra o Colégio Santa Dorotéia, em Belo Horizonte, após a instituição manter as atividades escolares depois da morte da professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim, na segunda-feira (19). A entidade criticou a decisão de seguir com a rotina da escola e cobrou respeito à memória da educadora.
Michelle era professora do Ensino Fundamental e assessora de Pastoral do colégio. Em nota, a instituição comunicou o falecimento e manifestou solidariedade aos familiares e amigos da educadora. A causa do óbito não foi divulgada. Segundo o sindicato, apesar da morte da professora, as aulas seguiram normalmente. O Sinpro Minas questionou a decisão e afirmou que a escola deveria ter interrompido as atividades em respeito à profissional.
Sindicato critica continuidade das aulas
Na nota de repúdio, o Sinpro Minas afirmou que a manutenção do funcionamento da escola demonstraria descaso com os profissionais da educação. A entidade também comparou o caso à morte do promotor de vendas Moisés Santos, ocorrida em 2020, dentro de uma unidade do Carrefour, em Recife, que permaneceu aberta após o episódio.
O sindicato criticou ainda a diferença entre os valores de acolhimento e respeito defendidos pela instituição e a decisão de manter as atividades escolares após a morte da professora. “O Sinpro Minas repudia, com veemência, a postura desta instituição”, declarou a entidade.
Ao final da nota, o sindicato prestou homenagem à professora e defendeu a dignidade dos trabalhadores da educação.
Diretora do colégio responde às críticas
Zuleica Reis, diretora do Colégio Santa Dorotéia e ex-presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe), comentou a nota de repúdio e contestou as críticas à instituição.
Em uma das manifestações nas redes sociais, ela afirmou que os valores cristãos defendidos pelo colégio são colocados em prática diariamente e que a instituição reconhece suas responsabilidades, mas não aceita que sejam atribuídas intenções ou omissões sem a devida consideração dos fatos e das circunstâncias.
Zuleica defendeu que a continuidade das atividades escolares não deve ser interpretada, por si só, como indiferença ou desrespeito à professora.
“Decisões institucionais tomadas em um momento de dor exigem compreensão do contexto, responsabilidade e equilíbrio — não julgamentos precipitados nem comparações que desumanizam e distorcem a realidade”, escreveu.

A morte da professora foi divulgada em comunicado emitido pelo Colégio Santa Dorotéia, durante a manhã de segunda-feira (19). Na nota, o colégio destacou sua atuação como professora e assessora de Pastoral das turmas do Ensino Fundamental. A instituição também ressaltou características da educadora, como o sorriso acolhedor, a bondade e a dedicação à formação de crianças e jovens.
A nota foi assinada pelas irmãs e pela diretoria do Colégio Santa Dorotéia de Belo Horizonte, que manifestaram condolências e solidariedade aos familiares e amigos da professora.
Veja nota na íntegra do Sinpro Minas:
O Colégio Santa Dorotéia de Belo Horizonte, instituição que se apresenta publicamente como portadora de uma “excelência humana e cristã”, tornou-se palco de uma das cenas mais tristes e reveladoras do descaso com que instituições de ensino tratam aqueles que sustentam o seu funcionamento diário.
Na manhã de segunda-feira, 19 de outubro, a professora Michelle Elizabeth Sabarense Rabelo Amorim faleceu, praticamente dentro da escola, no caminho para o hospital. Michelle era professora da casa há anos, descrita pela própria escola como alguém de “sorriso acolhedor, bondade e intensa dedicação”.
Apesar da morte, a instituição continuou funcionando normalmente. Como se nada tivesse acontecido. A escola emitiu uma nota de pesar, bonita nas palavras, mas não foi capaz de parar a rotina em respeito à professora. As aulas seguiram, afinal, a engrenagem não pode parar.
Em agosto de 2020, o Brasil assistiu a uma cena que se tornou símbolo nacional do desprezo patronal pela vida: o promotor de vendas Moisés Santos morreu de infarto dentro de uma loja do Carrefour em Recife. Seu corpo foi coberto com guarda-sóis e tapumes improvisados, e a loja continuou aberta ao público por horas. A esposa de Moisés resumiu o sentimento que hoje se repete: “O ser humano não vale nada, as pessoas só se importam com o dinheiro”.
Se repete a mesma lógica. Uma professora morre, e a instituição age exatamente como a rede de supermercados: preserva a operação, a rotina, e o lucro.
O Colégio Santa Dorotéia se define como uma instituição de “formação integral” que busca a “excelência acadêmica, humana e cristã” . Sua proposta pedagógica fala em “acolhimento”, “cultura do encontro”, “respeito à diversidade” e “compromisso com a justiça”. Que compromisso com a justiça é esse que não reconhece a dignidade de quem passou anos servindo àquela comunidade?
A escola que se diz cristã deveria ser a primeira a parar. A reconhecer, perante alunos, famílias e funcionários, que uma vida humana vale mais do que um dia de aula. Em vez disso, o Santa Dorotéia provou que, para muitas instituições, professor não é gente, é mão de obra substituível.
O Sinpro Minas repudia, com veemência, a postura desta instituição.
Que a família, os amigos e os alunos que verdadeiramente amaram Michelle se recordem dela com o respeito que a escola não soube dar.
Pela memória de Michelle. Pela dignidade de todos os trabalhadores da educação. Pela vida.
Michelle, presente!










