O Tribunal de Júri de Belo Horizonte condenou, nessa quarta-feira (12), o torcedor do Cruzeiro acusado de matar o atleticano Mateus de Freitas Ferreira, então com 20 anos, durante uma emboscada em 2021 na capital. A pena de Samuel Paixão de Souza foi fixada em 67 anos de prisão.
O julgamento dele seria em 29 de julho deste ano, com outros três réus do caso de homicídio, mas o processo foi desmembrado após a defesa alegar que ele estava com problemas de saúde. O julgamento foi remarcado e, ainda assim, Samuel não compareceu à sessão do júri dessa quarta-feira. Com a condenação, a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti determinou a expedição de mandado de prisão contra o réu.
Relembre o caso
O crime ocorreu na noite de 28 de novembro de 2021, no bairro Novo das Indústrias, região do Barreiro, em Belo Horizonte. Segundo a denúncia do Ministério Público, integrantes da Máfia Azul montaram uma emboscada para interceptar um ônibus da linha 6350, que transportava membros da torcida organizada Galoucura.
Utilizando um veículo para bloquear a via, os agressores atacaram o coletivo com bastões de madeira, barras de ferro, pedras e artefatos explosivos caseiros. O ataque resultou na morte de Mateus de Freitas Ferreira, um jovem de 20 anos, e deixou pelo menos outras oito pessoas feridas, incluindo uma criança de 6 anos.
Outros condenados pela morte do atleticano
No final de julho deste ano, o Tribunal do Júri condenou outros três integrantes da torcida organizada Máfia Azul pelo assassinato. Após a anulação de julgamentos anteriores, o Conselho de Sentença definiu novas penas para os réus Riquelme Ederson Ribeiro da Silva, Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga.
Com o novo julgamento, Riquelme Ederson Ribeiro da Silva foi condenado a 48 anos e 6 meses de prisão. Em um julgamento anterior, realizado em agosto de 2024 e posteriormente anulado, ele havia recebido uma sentença de 50 anos.
Luiz Gustavo da Silva Veloso foi condenado a 24 anos de prisão. Ele já havia sido sentenciado a esta mesma pena em outubro de 2024, mas o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou a sessão no final de 2025, determinando o novo julgamento.
Já Pedro Henrique Coimbra Braga foi condenado a 20 anos de prisão. Assim como Luiz Gustavo, ele teve a condenação anterior de 20 anos anulada em novembro de 2025.
Antes da decisão final do Tribunal do Júri, os três réus estavam em liberdade. Eles foram condenados por homicídio qualificado e tentativas de homicídio, com base nas seguintes qualificadoras:
- Motivo torpe: rivalidade entre as torcidas organizadas Máfia Azul e Galourua;
- Meio cruel: uso de artefatos explosivos caseiros, barras de ferro e bastões de madeira;
- Emboscada (recurso que dificultou a defesa): o grupo utilizou um veículo para bloquear o ônibus que transportava a torcida atleticana, impedindo o deslocamento e trancando as portas para que as vítimas não pudessem fugir.







