Uber credencia motorista que já foi detido por roubo, tráfico de drogas e agressão

Uber credencia motorista
Reprodução/Facebook

Apesar de garantir que a apresentação de Atestado de Antecedentes é um dos pré-requisitos para aprovação do cadastro de parceiros, a Uber credenciou como motorista na Grande BH um homem detido pela polícia mais de dez vezes e que possuía duas condenações criminais. Ele começou a atender corridas pelo aplicativo no ano passado e foi encontrado morto na última semana em Pedro Leopoldo após transportar passageiros. Antônio Martins de Azevedo Filho, de 32 anos, acumulava passagens por roubo, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e agressão.

Natural de Matozinhos, ele era um velho conhecido das autoridades policiais da região. Em 2008, Antônio chegou a ser preso duas vezes por porte ilegal de armas. Dois anos depois, já como réu em decorrência dos crimes cometidos, foi condenado a cinco anos de prisão em regime aberto com prestação de serviços comunitários.

Em 2013, também foi detido novamente após um carro alugado em seu nome ser utilizado no assalto a um supermercado em Matozinhos. Na época, ele alegou que teria emprestado o veículo a um amigo.

Antônio voltou a ser preso durante a Operação Assepsia, da Polícia Civil, suspeito de envolvimento com tráfico ilegal de drogas. Em 2015, ele ficou pelo menos quatro meses no Presídio de Vespasiano após ser apontado como distribuidor de entorpecentes como cocaína. Voltou a ser solto no ano passado.

Há menos de seis meses, ele se envolveu novamente em uma ocorrência policial ao ser acusado de agredir uma mulher na porta de uma boate em Pedro Leopoldo.

Cadastro no aplicativo Uber

Um amigo de Antônio, que pediu para não ser identificou, confirmou à reportagem do Bhaz que ele já trabalhava com o aplicativo Uber há pelo menos oito meses.

Na madrugada do último dia 10, ele saiu de Pedro Leopoldo afirmando que faria uma corrida pelo aplicativo. Por telefone, a assessoria da Uber confirmou que Antônio fez uma viagem nesse mesmo dia. Ele dirigia um veículo HB20 alugado.

O motorista combinou com um colega que voltaria durante a manhã para a cidade com o intuito de buscar um passageiro. No horário marcado, o conhecido de Antônio chegou a ligar para ele. O celular foi atendido, mas a pessoa do outro lado da linha se manteve muda. Depois disso, o número só deu caixa postal.

No mesmo dia, foram localizados documentos e cartões de créditos de Antônio em uma estrada que liga a MG-424 a uma fábrica de cimento da região. Na sexta-feira, moradores do bairro Dona Júlia localizaram um corpo em uma mata e acionaram a Polícia Militar (PM). Familiares de Antonio estiveram no local e reconheceram o motorista.

A Polícia Civil investiga o caso com o intuito de descobrir as circunstâncias da morte de Antônio.

Posicionamento Uber

A reportagem do Bhaz orientou a assessoria de imprensa da Uber em uma pesquisa no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais para comprovar que o motorista já foi condenado por porte ilegal de armas. A informação é pública e pode ser consultada por qualquer pessoa ou organização.

A empresa ressaltou que as pessoas que se cadastram como parceiros têm que apresentar o Atestado de Antecedentes emitido pela Polícia Civil de Minas Gerais. Porém não esclareceu se Antônio entregou o documento e se houve conferência dos dados.

A Uber se limitou a informar que Antônio não estava atendendo a corridas no momento de seu desaparecimento e que sua última viagem pelo aplicativo foi finalizada normalmente. Além disso, se colocou à disposição das autoridades para repassar as informações necessárias para a investigação do caso.

Atualizada às 09:10 do dia 17/01/2017

Maira Monteiro
Maira Monteiromaira.monteiro@bhaz.com.br

Diretora-executiva do BHAZ desde junho de 2018. Jornalista graduada pela PUC Minas, acumula mais de 15 anos de experiência em redações de veículos de imprensa, como Record TV e jornal Hoje em Dia, e em agências de comunicação com atuação em marketing digital, como na BCW Brasil.