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VÍDEO: Adeus a Lô Borges é marcado por coro de fãs e amigos no bairro Santa Tereza, em BH

03/11/2025 às 19h23 - Atualizado em 03/11/2025 às 19h47
Artista morreu nesse domingo (2), aos 73 anos (Vinícius Sampaio/BHAZ)

A despedida ao cantor Lô Borges teve direito à serenata no bairro Santa Tereza, berço do Clube da Esquina, no início da noite desta segunda-feira (3). Fãs e admiradores do cantor se reuniram na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, em Belo Horizonte, para prestar homenagens.

O local é o marco da fundação do Clube da Esquina, movimento musical formado pelo mineiro, ao lado de Milton Nascimento e vários músicos. Lô morreu na noite desse domingo (2), em decorrência de falência múltipla de órgãos.

Registros feitos pelo BHAZ mostram uma multidão reunida para entoar os maiores sucessos do artista. Os versos de “Trem Azul” e “Paisagem na Janela” foram ouvidos por quem passou pela região.

Para homenagear o artista, amigos, parentes e fãs levaram flores e acenderam velas na famosa esquina. Um cartaz com a frase “Celebramos a vida e a arte de Lô Borges” foi pendurado no local, simbolizando o carinho e a admiração de todos. Devido ao grande movimento de pessoas, a BHTrans interditou o quarteirão da rua Paraisópolis.

Também foi montado um palco aberto, que contará com apresentações de Gabriel Guedes, filho de Beto Guedes – parceiro de Lô no Clube da Esquina, Júlia Guedes, João Vitor Romano, Lira Guedes, entre outros.

Velório

Lô deu entrada na unidade hospitalar no dia 17 de outubro, após passar mal em casa devido a um quadro de intoxicação medicamentosa. O artista chegou a realizar tratamento de hemodiálise na última segunda-feira (27).

A morte do artista foi confirmada ao BHAZ pelo irmão mais novo do cantor, Yé Borges. “O Brasil perde um grande artista e eu perco meu irmão, meu amigo. Não tem como mensurar minha perda”, disse à reportagem.

O velório do cantor será nesta terça-feira (4) no foyer do Grande Teatro do Palácio das Artes, na região Central de BH. Fãs e amigos poderão se despedir das 9h às 15h, em cerimônia aberta ao público. A informação foi confirmada pelo Palácio das Artes ao BHAZ.

Discografia

Nascido no dia 10 de janeiro de 1952, em BH, Lô fundou o Clube da Esquina ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento e do irmão Márcio Borges. O movimento, que ganhou destaque na música popular entre as décadas de 1970 e 1980, foi batizado em referência ao disco homônimo de 1972. Entre as referências estavam o rock, o jazz, a bossa nova, a música psicodélica e as tradições mineiras. 

Em 2024, o álbum ficou entre os dez melhores discos de todos os tempos, em lista criada pela revista norte-americana Paste Magazine. E, em 2022, foi eleito o melhor da história da música brasileira pelo podcast Discoteca Básica.

O Clube da Esquina surgiu entre as ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH. O local ficava a poucos passos da casa da família Borges. O movimento musical contou com nomes como Toninho Horta, Beto Guedes, Fernando Brant, Wagner Tiso, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, e ficou eternizado por sua inovação e influência. Em 1978, o grupo lançou o segundo disco ‘Clube da Esquina 2’.

Lô foi um dos responsáveis por composições que, além de marcarem a Música Popular Brasileira (MPB), atravessaram gerações com melodias sofisticadas e letras poéticas, como ‘O Trem Azul’, ‘Um Girassol da Cor do Seu Cabelo’, ‘Tudo o Que Você Podia Ser’ e ‘Nada Será Como Antes’.

Ao longo de 53 anos de carreira, Lô gravou mais de 20 discos. O primeiro álbum solo, Lô Borges (1972), conhecido como o “disco do tênis”, é considerado um dos mais importantes da música brasileira. Com 15 faixas, todas assinadas pelo artista, algumas em parceria com Márcio Borges, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, o álbum contou com a participação de grandes nomes como Toninho Horta, Beto Guedes e Zé Geraldo.

Antes da intoxicação, Borges seguia fazendo shows por Minas Gerais e pelo Brasil. No dia 25 de outubro, o músico apresentaria a turnê ‘Esquina & Canções’ ao lado de Beto Guedes em Brasília.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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