Empresário se diz arrependido após negar marmita a diarista, que responde: ‘Mal virou benção’

cassio marmita
Empresário gravou pedido de desculpas (Reprodução/Jornal Ita News)

O homem que viralizou nas redes após negar doação de marmita a uma mulher que declarou apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que está arrependido.

Em vídeo viral, o empresário Cássio Cenali aparece dizendo a uma mulher em situação de vulnerabilidade que seria a última vez que ele levaria marmita para ela. A justificativa foi o fato da mulher ter falado que vai votar em Lula para o cargo de presidente.

‘Infelicidade’

Cenali enviou um pedido de desculpas ao jornal Ita News, de Itapeva (SP), local onde vive e aparece nas imagens gravadas por ele mesmo.

“Eu sou o Cássio. Estou aqui para pedir desculpa pelo vídeo, pela infelicidade de ter feito esse vídeo. Estou muito arrependido”, começa ele, na retratação.

“Faz mais de dois anos que eu faço 60 marmitas toda quarta-feira e entrego para morador de rua, inclusive para essa senhora. E não é isso que vai fazer eu parar com esse trabalho meu. É um trabalho que faço com recurso meu, não tenho apoio político nisso ai, não tenho nada. Eu só quero a caridade”.

‘O que ele fez foi me humilhar’

A mulher que teve a marmita negada após falar sobre sua opção política é a diarista Ilza Ramos Rodrigues, de 52 anos. A gravação aconteceu no dia 31 de agosto, mas viralizou no fim da última semana.

Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a mulher diz que ficou “sem ação”. “O jeito que ele falou mexeu com a minha mente, não é brincadeira. O que ele fez foi me humilhar. Só porque ele tem dinheiro, tem o carrinho dele, ele quis me humilhar com essa ação. Eu não posso nem ver [o vídeo]. Mexeu muito no meu psicológico”.

Ilza relata que começou a receber as marmitas durante a pandemia de Covid-19. A comida era enviada por um senhor para o qual ela fazia faxinas, mas que morreu recentemente. “Não tinha nada de eleição, era o coração dele”.

Com a morte do homem, as marmitas começaram a ser levadas pelo empresário, que ela pouco conhece. “Eu nem sabia o nome dele, entregava e ia embora. Até que na semana passada ele mandou eu segurar a caixa com a mão: ‘Dona Ilza, vou gravar’”.

“Pensei que ele ia gravar para uma ONG, até falei: ‘Nossa, moço, tô tão mal arrumada’. ‘Mas não tem problema’ [respondeu o empresário]. Na hora ali, ele começou: ‘É Bolsonaro’. Fiquei com a caixa na mão. E ele gravando, na minha cara”, continua a mulher.

“Fiquei desesperada, fiquei nervosa. Liguei para a minha irmã: ‘Você não sabe o que aconteceu. Ele vai pôr a minha imagem no Face, vão tirar sarro de mim’”, desabafou Ilza.

Solidariedade e mensagem de Lula

Após a grande repercussão, a mulher conseguiu ajuda de diversas partes do Brasil. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), inclusive, prometeu uma ajuda com mantimentos durante seis meses para a diarista.

“Mas Deus é tão bom que, o mal que ele fez, Deus transformou em bênção. Tanta gente no mundo inteiro que está vendo e me dando carinho”.

O próprio ex-presidente Lula ficou sabendo da história e comentou o caso no Twitter. “A fome é culpa da falta de compromisso de quem governa o país. Negar ajuda para alguém que passa dificuldades por divergência política é falta de humanidade. Minha solidariedade com essa senhora e sua família”.

‘A partir de hoje não tem mais marmita’

No vídeo, o homem que estaria doando marmitas à mulher disse que tratava-se de uma campanha de Bolsonaro, e questionou se ela preferia o atual presidente ou Lula.

A senhora respondeu “Lula”, e o empresário declarou: “Ela é Lula, a partir de hoje não tem mais marmita, tá bom?”.

“É a última marmita que vem aqui, a senhora peça para o Lula agora, beleza? Tá bom?”, disse o homem. Visivelmente sem graça, a mulher começou a rir e perguntou se era verdade, ao que o homem afirmou: “Verdade! Sério! Tá bom, gente? Aqui não vem mais marmita, ela vai pedir para o Lula”.

Edição: Roberth R Costa
Vitor Fernandes[email protected]

Sub-editor, no BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019, 2020 e 2022), Sindibel (2019), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).

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