Bolsonaro diz que não tem prazer em falar que é presidente da República

Jair Bolsonaro
Em meio à queda de popularidade e escândalos, Bolsonaro se queixa novamente do cargo de presidente (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a se queixar do cargo máximo no Executivo Federal. Bolsonaro teve um começo de semana ruim, com a divulgação de áudios que indicam seu envolvimento direto com o esquema de rachadinhas, a perda de um partido aliado, e as manifestações pelo impeachment. Ele disse, na noite dessa segunda-feira (5), no “cercadinho” do Palácio do Planalto, que não entende quem tem prazer em dizer que é presidente da República.

“Eu não sei o que certas pessoas tem o prazer de falar ‘eu sou o presidente’. Não sabe o que é ser presidente da República. Para fazer a coisa certa, né, para fazer a coisa errada, não falta”, disse Bolsonaro, na área reservada para os apoiadores, apesar das gravações, reveladas no mesmo dia, que indicam uma possível participação do presidente em um esquema ilegal de entrega de salários, durante o período em que foi deputado federal.

“Parece que é fácil. Agora, não estou reclamando não, é a missão, vou cumprir essa missão. Agora, o que me conforta é quem estaria no meu lugar se eu não tivesse aqui, dá pra imaginar?”, diz Bolsonaro, em referência a seus opositores na corrida pela presidência, em especial Fernando Haddad (PT), que disputou o segundo turno com Bolsonaro. “Deus me livre”, responderam alguns apoiadores.

Lamento recorrente

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro reclama do cargo de presidente. Em novembro, durante uma cerimônia, o chefe do Executivo afirmou que a vida dele na presidência era “uma desgraça”. “A minha vida aqui é uma desgraça. É problema o tempo todo. Não tenho paz para absolutamente nada. Não posso mais tomar um caldo de cana na rua, comer um pastel”, disse Bolsonaro.

“Assim quando saio, vem essa imprensa perturbar. Pegar uma piada que eu faço com Guaraná Jesus para tentar me esculhambar”, disparou, em referência a comentário preconceituoso, na semana anterior, em sua primeira visita oficial ao Maranhão. Bolsonaro se expressou de forma homofóbica após beber um copo do Guaraná Jesus, bebida típica do estado (veja aqui).

Edição: Vitor Fernandes

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