Deputado bolsonarista cria vaquinha para soltar Daniel Silveira da prisão

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Deputado foi preso novamente após negligenciar tornozeleira eletrônica (Acervo Câmara dos Deputados/Agência Câmara de Notícias)

O deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) lançou uma vaquinha online, na noite de ontem (24), com o intuito de arrecadar dinheiro para o deputado federal Daniel Silveira (PSL-SP), preso nessa quinta-feira (24) por violações ao uso da tornozeleira eletrônica. O montante levantado seria usado para a libertação do parlamentar, que precisa pagar uma fiança de R$ 100 mil para sair da prisão. Até às 13h desta sexta-feira (25), as doações já estavam em mais de R$ 90 mil e contavam com 1.708 apoiadores.

O valor da fiança foi determinado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, após o político desrespeitar o uso de tornozeleira eletrônica por cerca de 30 vezes. Daniel estava em prisão domiciliar desde o meio de março, medida autorizada pelo Supremo, depois de ser preso por realizar ataques e ameaças a integrantes do órgão nas redes sociais. O deputado também defendeu o AI-5, ato mais duro da ditadura militar (1964-1985).

Em um vídeo postado na descrição da vaquinha, Carlos Jordy chama Alexandre de Moraes de “ditador” e diz que a prisão do colega foi “ilegal”. Ao mesmo tempo, ele chama os ataques de Daniel de “crime de opinião” e atribui o desrespeito à tornozeleira eletrônica à “falta de bateria”, entre outras alegações. “Infelizmente, estamos nas mãos desse canalhas, que estão rasgando a Constituição para poder estar perseguindo os apoiadores do presidente. Nós precisamos libertar Daniel Silveira”, alega o deputado.

Jordy ainda disse que iria contribuir com a vaquinha, assim como outros deputados. O parlamentar se descreve como “base do presidente Bolsonaro” e “conservador”. Ele divulgou o financiamento da coletivo na rede social, assim como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em menos de 15 horas, o valor está próximo de ser alcançado.

Relembre

Daniel foi preso no dia 16 de fevereiro, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, em decisão referendada no dia seguinte por unanimidade pelos 11 ministros da corte. O deputado tinha publicado na internet um vídeo com ataques a ministros do Supremo.

De acordo com Moraes, “durante 19 minutos e 9 segundos, além de atacar frontalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal, por meio de diversas ameaças e ofensas à honra, expressamente propaga a adoção de medidas antidemocráticas contra o Supremo Tribunal Federal, defendendo o AI-5”. O Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, marcou o recrudescimento da repressão na ditadura militar no Brasil.

O ministro diz ainda que Silveira defendeu “a substituição imediata de todos os ministros [do STF]” e instigou “a adoção de medidas violentas contra a vida e segurança dos mesmos, em clara afronta aos princípios democráticos, republicanos e da separação de Poderes”.

No vídeo, Daniel também classifica o ministro do STF Edson Fachin, por exemplo, de “vagabundo, cretino e canalha” e chama Moraes de “Xandão do PCC”, em alusão à facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Na gravação, o deputado ainda afirma que é necessário invadir o STF e retirar os ministros da corte, além de defender o AI-5, ato mais duro da ditadura militar (1964-1985) e que levou à destituição de três ministros do Supremo.

Ao ser preso, voltou às redes sociais: “Polícia Federal na minha casa neste exato momento com ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes”. Na sua defesa à Câmara dos Deputados, contudo, o deputado adotou um tom conciliatório e pediu desculpas pelos ataques ao STF. A Câmara tem poder para revogar prisão de deputados, mas manteve Silveira detido após uma ampla negociação com o Supremo.

Em 14 de março, quase um mês depois de o deputado ser preso, Moraes, que é o relator do processo, autorizou a transferência de Silveira para prisão domiciliar.

Edição: Vitor Fernandes

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