Homem dá chinelada para matar aranha e centenas de bichos ‘aparecem’

aranhas invadem casa
Aranha carregava cerca de 200 filhotes antes de ser morta (Reprodução/@lillyanduart/Instagram)

Um homem matou uma aranha, que estava na parte inferior de uma bancada da cozinha, e se assustou quando centenas de filhotes do aracnídeo saíram correndo pela casa. O vídeo foi gravado em uma residência de Guará, cidade satélite de Brasília (DF), e mostra o artista autônomo Noah Navarro Duarte batendo com um chinelo nos bichos enquanto sua mãe, Lillyan Duarte, filma. Ao BHAZ, um biólogo explica que o bicho é inofensivo e não é preciso matá-lo. Nas redes sociais, as imagens viralizaram.

Ao BHAZ, Noah explica que estava na casa de uma prima, junto com ela e a mãe, no dia 1º deste mês. “Era um dia um pouco chuvoso, e nessa casa tem um jardim muito grande. Não foi a primeira vez que uma aranha apareceu por lá. Eu estava na cozinha sozinho, vi a aranha e percebi que ela era muito grande. Eu ia matar direto, mas como era algo diferente fui chamar minha mãe e minha prima para ver”.

“Minha mãe já chegou filmando com o celular. Quando comecei a dar as chineladas foi que percebi o motivo da aranha estar tão grande: estava esperando filhotes”, explica. O autônomo conta que, na tentativa de matar o aracnídeo, centenas de filhotes começaram a correr pela casa. “Foi um desespero. A gente nem imaginava na hora, mas surgiram uns 200 filhotes”, continua.

A ideia inicial de Noah era matar a aranha com veneno, mas acabou usando um chinelo por medo dela fugir. Depois da aparição de centenas de filhotes, ele resolveu pegar o veneno para conseguir conter os bichos. “Fui dando chinelada em todos os pontos que vi, eram muitos”, conta.

Receio

Nos comentários do vídeo, Noah explica que viu pessoas defendendo e outras condenando o ato. “Algumas pessoas brincaram que deixariam a casa na hora e iriam embora. Outros falaram para não matar, que não precisava daquilo. Eu também não sou a favor de sair matando, sei da importância das aranhas para o meio ambiente”.

“Só que minha prima mora com uma filha pequena, e a aranha estava com uns 200 filhotes. Fiquei com medo de devolver para o jardim e depois todos os filhotes voltarem para a casa dela”, explica. “Pode não ter sido muito bonita a cena, mas acho que fiz o certo. Foi necessário”, afirma Noah.

Inofensiva

O biólogo aracnólogo Jean Martins Duarte de Paiva identificou a aranha como sendo da família lycosidae, popularmente conhecida como aranha-lobo, que não é nociva aos seres humanos ou animais. “É uma espeície inofensiva, e está presente em todos os continentes. Ela é conhecida por aquela forma parental que a gente viu no vídeo. Ela carrega consigo uma bolsa de ovos e, quando essa bolsa eclode, esses filhotes vão para as costas da mãe”.

Esse tipo de aranha pode carregar de 100 a 300 filhotes nas costas. “No momento em que o Noah mata a mãe dessas aranhas, os filhotes têm uma reação normal de fuga, para sobrevivência”.

Aranha-lobo com alguns filhotes no dorso (Vinícius Rodrigues de Souza/Arquivo pessoal)

De acordo com o biólogo, estima-se que no Brasil apenas 0,6% das aranhas ofereçam perigo aos seres humanos. “As que podem trazer riscos os humanos são as aranhas armadeira, marrom e a viúva negra. Apenas essas três trazem perigo real para os seres humanos e animais de estimação”. Ele conta que as demais aranhas “não oferecem risco algum e ajudam na manutenção do combate de pragas, como baratas e escorpiões, por exemplo”.

Caso encontre alguma aranha em casa, a recomendação é que não manuseie diretamente. “É difícil para pessoas leigas baterem o olho e identificar se é venenosa ou não. O ideal é pegar um recipiente, como um copo, por exemplo, e colocar por cima da aranha. Depois, passar um papel por baixo e efetuar a soltura em um local adequado”, completa.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Editor e repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sindibel (2019), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).

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