Léo Santana compara aglomeração no estádio com shows: ‘Qual a diferença? Por que não podemos?’

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Cantor de axé questionou deliberações do governo estadual (Reprodução/@leosantana/Instagram)

O cantor Léo Santana comparou a aglomeração de torcedores na Arena Fonte Nova, no jogo entre o Bahia e Grêmio, na noite dessa sexta-feira (26), com shows musicais. A partida reuniu mais de 30 mil pessoas. O artista questionou a autorização de 70% do público dos estádios em paralelo com o público máximo permitido para eventos, que é de três mil. As regras são do governo da Bahia.

No post, Léo colocou um emoji de palhaço no próprio rosto. “Minha cara vendo 35 mil pessoas no estádio hoje em Salvador. 70% do público liberado para estádio de futebol. Glória a Deus! Eventos de show sai de três mil quando? Explica para nós, qual a diferença? Por que não podemos?”, questionou o cantor de axé.

O soteropolitano reforçou que não tem problema com a liberação dos estádios, mas sim com a diferença no número de público permitido em relação a outros eventos. “Sim, senhoras e senhores, isso foi agora há [sic] pouco em Salvador. Confesso que fico super, mega, hiper feliz… de coração mesmo”, escreveu.

Leo Santana usou um emoji de palhaço para ironizar a situação (Reprodução/@leosantana/Instagram)
O cantor mencionou o governador da Bahia na rede social (Reprodução/@leosantana/Instagram)

Nesse domingo (28), a também cantora de axé, Cláudia Leitte, recebeu críticas nas redes sociais após reunir aglomeração em show em São Paulo. O nome dela foi um dos mais comentados no Twitter (veja mais aqui).

Desentendimento

A situação também foi criticada pelo secretário de Saúde de Salvador, Léo Prates, que chamou a aglomeração de “Carnaval”. “E o ‘Carnaval’ liberado pelo decreto estadual continua… Fonte Nova hoje. Vamos todos pagar a conta!”, escreveu a autoridade municipal em uma rede social, e ainda acrescentou: “Todo final de semana estamos vendo verdadeiros ‘carnavais’ nos estádios!”.

O secretário ainda mencionou o governador do estado, Rui Costa (PT-BA). “Com todo respeito ao governador, deixo aqui as minhas considerações: as imagens que estamos vendo nos estádios de futebol da Bahia, inclusive com cerveja e 35.000 pessoas, remetem ao discurso de cautela? Qual o parâmetro epidemiológico para esta decisão?”, questionou.

Léo Prates também postou uma sequência de vídeos com torcedores sem máscara de proteção se aglomerando dentro e fora do estádio. “Não entendo como o governo prega cautela e libera 35 mil pessoas com cerveja? Afinal, ninguém bebe de máscara, concorda? Qual a diferença das imagens abaixo para um evento? Se o produtor de eventos quiser contratar a Fonte Nova, por duas horas, o critério usado pelo governo será o mesmo?”, disse, comparando as partidas de futebol com outros eventos.

O governador não respondeu aos questionamentos do secretário municipal, mas a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) emitiu uma nota nesse sábado (27). O órgão destacou que “acompanha o tempo todo indicadores que apontam a possibilidade de flexibilização de medidas restritivas para conter a Covid-19, ou ainda que mostrem a necessidade de que haja uma maior restrição” (veja na íntegra abaixo).

Salvador cancela Réveillon

O prefeito Bruno Reis (DEM-BA), anunciou hoje (29) o cancelamento do Réveillon de Salvador. Segundo o mandatário, a decisão tem relação com a nova variante do coronavírus e o aumento no número de casos de Covid-19 na Europa.

“Diante da chegada de uma nova variante do coronavírus e do aumento de casos na Europa, estou tomando a decisão de cancelar o Virada Salvador desse ano. Sei da importância do evento para economia da nossa cidade, mas seguimos colocando a vida das pessoas em primeiro lugar”, escreveu o chefe do Executivo municipal no Twitter.

E em BH?

Em Belo Horizonte, os estádios podem funcionar com 100% da capacidade desde o começo de novembro. No mesmo decreto, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) permitem que os eventos em BH ocorram com capacidade total de público. A única exigência é a apresentação do teste negativo ou do esquema vacinal completo contra a Covid em jogos de futebol ou eventos com mais de 2 mil pessoas.

Já em relação ao Carnaval, o mandatário já anunciou que a prefeitura não patrocinará a festividade. Kalil disse que a realização da festa de rua na cidade, depois dos eventos de fim de ano, é “dar sopa para o azar”.

Nota da Sesab na íntegra

Nota enviada ao G1.

“A Secretaria da Saúde do Estado acompanha o tempo todo indicadores que apontam a possibilidade de flexibilização de medidas restritivas para conter a Covid-19, ou ainda que mostrem a necessidade de que haja uma maior restrição.

Entre os indicadores estão número de casos ativos, novos casos diários, taxas de cobertura vacinal e de ocupação de leitos.

Sempre que autorizados, os eventos devem obedecer ao que está estabelecido no decreto nº 20.907, publicado no Diário Oficial do Estado. Devem ser respeitados os protocolos sanitários estabelecidos, especialmente o distanciamento social adequado, o uso de máscaras e a comprovação do quadro vacinal contra a Covid-19 em dia”.

Edição: Vitor Fernandes

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