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VÍDEO: Mãe denuncia lixo em caixão de jovem que morreu após ter atendimento médico negado

12/01/2023 às 11h44
Lixo no caixão de Vitor Augusto Marcos de Oliveira
Corpo estava em cima de pó de serra, caixotes de madeira e folhas de jornal (Reprodução/Redes sociais)

Depois de perder o filho por uma série de recusas de atendimento médico, uma mãe teve o luto intensificado ao descobrir que o caixão do jovem de 25 anos havia sido preenchido com lixo antes do enterro. Um vídeo mostra Andreia da Silva se queixando do pó de serra, dos caixotes de madeira e das folhas de jornal que foram utilizados para nivelar o corpo do filho dentro do caixão.

Vitor Augusto Marcos de Oliveira, de 25 anos, que faleceu em uma ambulância em frente ao Hospital Geral de Taipas, na zona norte de São Paulo, no último dia 5 de janeiro. O jovem aguardava uma maca especial para pessoas com obesidade quando teve o óbito constatado.

Ele pesava 190 quilos e chegou a ter o atendimento recusado em mais de um hospital. O Ministério Público de São Paulo vai investigar a responsabilidade da Secretaria Municipal da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo no caso (leia mais abaixo).

Caixão com lixo

“Eu não tinha descoberto esta fraude. R$ 7,1 mil reais. Mais uma vez gordofobia, por favor, alguém tem que fazer alguma coisa. Isso é grave, isso é sério. Meu filho estava em cima do lixo”, diz a mãe de Vitor, aos prantos, no vídeo que circula nas redes sociais.

O registro mostra o carro da funerária Trianon, responsável pelo enterro do jovem. A empresa divulgou uma nota afirmando que “foi contratada apenas para realizar o translado do corpo”.

Segundo o comunicado, o serviço consiste em levar o corpo do IML (Instituto Médico-Legal) à clínica de tanatopraxia –  o procedimento de conservação do corpo e preparação para o velório – e retirar o corpo de lá para levar ao cemitério.

De acordo com a funerária Trianon, o embalsamamento e a ornamentação do corpo de Vitor Augusto Marcos de Oliveira são de responsabilidade da Clínica de Tanatopraxia Cooperaf (Cooperativa de Trabalho dos Agentes Funerários de São Paulo).

“Informamos ainda que nossa empresa tomou conhecimentos dos fatos após o corpo ter sido transferido para um outro caixão, sem a presença qualquer de um dos nossos colaboradores”, completa a nota (leia na íntegra abaixo).

A funerária ainda diz estar à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.

O que diz a clínica?

O BHAZ procurou a Cooperaf por telefone, mas não obteve retorno. Ao g1, uma representante da cooperativa  afirmou que o nivelamento do corpo com papéis e a utilização de pó de serra são práticas habituais na área.

Segundo o portal, ao ser questionada pela presença dos caixotes de madeira dentro do caixão, a representante encerrou a ligação.

MP investiga morte

O MPSP vai investigar a morte de Vitor Augusto Marcos de Oliveira. A família afirma que o jovem tentou uma vaga em seis unidades de saúde diferentes antes de falecer em uma ambulância, enquanto aguardava atendimento em maca especial para pessoa com obesidade.

O promotor de Justiça Arthur Pinto Filho deu prazo de 5 dias para que a Secretaria Municipal da Saúde e a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo apresentem recurso ao Conselho Superior do Ministério Público, e de 10 dias para responderem os questionamentos.

O MP quer saber, por exemplo, quantas macas especiais há para atendimento de pessoas gordas nos hospitais públicos de São Paulo e em quais unidades elas se encontram.

Além disso, o órgão questiona qual é o procedimento padrão para atendimento de pacientes obesos e porque esse tipo de procedimento não foi oferecido a Vitor Augusto Marcos de Oliveira.

O que dizem os órgãos investigados?

Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informou que recebeu a notificação do Ministério Público. “A pasta esclarece que toda a documentação solicitada será providenciada e, paralelamente, a SMS abriu uma averiguação interna para apurar o ocorrido”, diz a nota.

Já a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo disse lamentar profundamente o falecimento do paciente e informou ter instaurado uma sindicância para investigar o caso “de forma rigorosa”.

“Diante de quaisquer irregularidades os responsáveis serão penalizados com todas as medidas cabíveis. A pasta se solidariza com a família e dará todo suporte necessário. A atual gestão trabalha para ampliar o atendimento a pacientes com comorbidades, incluindo obesos, e está à disposição do MP para quaisquer esclarecimentos”, diz a pasta.

Nota da funerária Trianon

“Em razão das noticias veiculadas nos canais de mídias digitais e na imprensa, vimos a público esclarecer que a Funerária Trianon foi contratada apenas para realizar o translado (transporte) do corpo do Senhor Vitor Augusto.

O transporte consistia em levar o corpo do IML Central à clinica de tanatopraxia para realizar o embalsamamento e a ornamentação, posteriormente retirar o corpo da clínica e levar ao cemitério de Franco da Rocha.

Esclarecemos que o embalsamamento e a ornamentação do corpo do Senhor Vitor é de inteira responsabilidade da Clinica de Tanatopraxia Cooperaf – Cooperativa de Trabalho dos Agentes Funerários de São Paulo.

Informamos ainda, que nossa empresa tomou conhecimentos dos fatos após o corpo ter sido transferido para um outro caixão, sem a presença qualquer um dos nossos colaboradores.

Por fim, esclarecemos que a Funerária Trianon, fica à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários e aproveita a oportunidade para renovar o compromisso com nossos clientes e parceiros na prestação de nossos serviços”.

Com Agência Brasil

Editado por: Roberth R Costa

Sofia Leão

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
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Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.
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