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Sobrevivente de acidente de ônibus na BR-040 relata cintos com problema e alta velocidade

16/08/2026 às 19h25
(Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro/Reprodução)

O tombamento de um ônibus de turismo da empresa Estrela Guia Turismo na madrugada deste domingo (16), em Petrópolis, no Rio de Janeiro, deixou 10 mortos e dezenas de feridos. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou que o veículo operava de forma clandestina. Entre os sobreviventes, o relato de uma mulher de 25 anos expõe a precariedade e a imprudência que marcaram a viagem.

A passageira, que pediu para não ser identificada, revelou que os problemas começaram antes mesmo de chegarem à estrada. Segundo ela, o grupo havia sido transferido de outro ônibus para o veículo que se acidentou. Ao embarcar, a falta de segurança era evidente: “Desde o início vimos alguns problemas: como muitos dos cintos que não funcionavam”, afirmou a sobrevivente ao portal G1.

O excesso de velocidade foi uma constante durante o trajeto de Contagem, na Grande BH, rumo ao Rio de Janeiro. A administradora relatou que os passageiros tentaram intervir, sem sucesso: “O motorista saiu correndo muito e, quando pegou a estrada, continuou em alta velocidade. Em Juiz de Fora, durante uma parada, o pessoal pediu para ele não correr tanto. Ele respondeu que queria chegar em Copacabana às 4h30”.

Essa conduta foi confirmada por testemunhas externas. O caminhoneiro Luis Silva relatou que o ônibus o ultrapassou em alta velocidade em um trecho de pista simples e obras, passando por cima de cones de sinalização. Segundo ele, a velocidade era tamanha que fez seu caminhão balançar com o deslocamento de ar.

O desespero atingiu o ápice na descida da serra de Petrópolis. A administradora descreveu o momento em que percebeu que o acidente era inevitável: “Quando chegamos em Petrópolis, as pessoas começaram a gritar. Eu estava dormindo, abracei meu noivo e disse que iríamos morrer. O ônibus começou a balançar muito. Na descida, ele capotou, bateu em uma árvore e ela entrou dentro do ônibus”, afirmou ao G1.

Após o impacto, ela e o noivo conseguiram escapar por uma saída de emergência, deparando-se com um cenário de horror. “Quando chegamos do lado de fora vimos uma situação horrível. Tinha muita gente morta, crianças, pessoas em estado de choque. Foi uma cena terrível”, relembrou a jovem, que sofreu ferimentos na cabeça e nas pernas.

Para a sobrevivente, não resta dúvida sobre a causa da tragédia: “Houve imprudência do motorista”. Apesar das dores e do trauma, ela expressou gratidão pela vida, embora lamente as perdas. “Agradecemos pela vida, mas lamentamos muito pelas pessoas que perderam a vida. É algo sem explicação”.

Redação BHAZ

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