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Após fala machista, Tallis Gomes deixa comando de empresa e será substituído por ex-aluna da UFMG

22/09/2024 às 15h54
O empresário Tallis Gomes também é fundados da Easytáxi e da Singu (Reprodução/Instagram)

O empresário Tallis Gomes anunciou, nesse sábado (21), a renúncia dos cargos de CEO e de presidente do Conselho da G4 Educação, empresa focada em cursos para empreendedores. A decisão foi tomada após a repercussão de falas machistas em um comentário publicado em rede social que trazia a frase “Deus me livre mulher CEO”, escrita pelo próprio gestor.

Em comunicado, a empresa informou que Tallis vai ser substituído por Maria Isabel Antonini, sócia e atual CFO da companhia. “Com mais de 10 anos de experiência na liderança e na gestão de negócios, Maria Isabel é Engenheira de Produção (UFMG), ex-CEO da Singu, com passagens em grandes empresas, como GPA e Itaú Unibanco”, detalha o currículo da empreendedora que nasceu em São Paulo, mas cresceu em Minas Gerais.

“O G4 reafirma seu compromisso com a educação executiva de impacto, no qual a liderança feminina sempre esteve presente com protagonismo”, completa o anúncio da empresa.

Em carta divulgada na internet, Gomes pediu desculpas pela fala machista. “Os últimos dias foram momentos de muita reflexão. Tudo começou com um erro, um texto no qual me expressei de forma inaceitável sobre o papel das mulheres. Injustificável. Reconheci o erro e pedi desculpas sinceras. Ouvi com atenção os comentários que recebi nestes dias. Ouvi mulheres que admiro e respeito, sócias e sócios, amigas e amigos e agradeço imensamente cada uma das conversas”, escreveu.

Horas antes, a Hope, marca de roupas íntimas, havia comunicado que Tallis não faz mais parte do conselho consultivo da empresa.

Repercussão

A fala polêmica de Tallis Gomes foi em resposta à pergunta de um seguidor que questionou se o empresário ficaria noivo de uma mulher que estivesse ocupando o cargo de CEO de uma empresa.

“Deus me livre de mulher CEO. Salvas raras exceções (eu particularmente só conheço duas), essa mulher vai passar por um processo de masculinização que, invariavelmente, vai colocar meu lar em quarto plano, eu, em terceiro plano e meus filhos, em segundo plano”, respondeu o então gestor da G4.

“Vocês não fazem ideia da quantidade de estresse e pressão envolvida em uma cadeira como a minha. Fisicamente você fica abalado. Psicologicamente, você precisa ser muito cascudo para suportar. Na média, esse não é o melhor uso da energia feminina. A mulher tem o monopólio do poder de construir um lar e ser base de uma família – um homem jamais seria capaz de fazer isso. Pra quê fazer a vida dessa mulher pior dessa forma?”, escreveu.

Após questionamentos e críticas pelo conteúdo machista da publicação, o empresário pediu desculpas e tentou se explicar. “Em momento algum no meu texto eu quis questionar a capacidade de uma mulher de ser CEO. Eu disse única e exclusivamente, com as palavras errada e com tom errado, quem eu gostaria do meu lado como minha mulher’, declarou o também fundador do app de transporte Easy Taxi e da Singu, marketplace de serviços de beleza.

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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